Os minerais críticos se tornaram um dos eixos centrais da disputa geopolítica global. Esses recursos são essenciais para a transição energética, a indústria de tecnologia, sistemas de defesa e telecomunicações. Por isso, potências econômicas mundiais como Estados Unidos, Japão e França estão redobrando seus esforços para reduzir sua dependência da China e assegurar o fornecimento de terras raras e outros minerais considerados estratégicos.
Nesse contexto, os países da América Latina aparecem como uma alternativa. Os Estados Unidos estão atentos ao Brasil, Chile e Argentina, entre outros, enquanto a União Europeia espera um melhor abastecimento proveniente do México com a atualização de seu acordo comercial.
"O mundo está oferecendo à América Latina e ao Caribe uma oportunidade sem precedentes", afirmou Cormann na abertura do 18º Fórum Econômico Internacional da OCDE sobre a região, realizado na sede da organização em Paris.
Para o secretário-geral, "as cadeias de suprimentos globais estão sendo reconfiguradas, a demanda por minerais críticos está crescendo e a região tem exatamente o que os mercados globais precisam". Ele instou os países latino-americanos a agir agora e "aproveitar" essa oportunidade.
Reformas ambiciosas
Para isso, destacou que são necessárias "reformas ambiciosas" que levem a uma maior mobilização do investimento privado, a uma maior integração regional, ao fortalecimento das instituições públicas e ao aumento da produtividade do trabalho.
O Brasil possui mais de 20 milhões de toneladas de terras raras, a segunda maior reserva do mundo atrás da China, de acordo com estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos, mas tem exportação reduzida.
Bolívia, Argentina e Chile, por sua vez, contam com importantes reservas de lítio, enquanto Chile e Peru se destacam no cobre e Cuba, no cobalto, entre outros, segundo o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe.
Cormann citou ainda, como outros potenciais da região, as energias limpas, a capacidade agrícola e uma população jovem e dinâmica.
Com AFP