Conhecido por sua atuação na política externa, Graham apoiou a Guerra do Iraque e, nos últimos anos, pressionou tanto os governos Trump quanto Biden a manter o apoio à Ucrânia diante da invasão russa. Donald Trump prestou homenagem ao senador, chamando-o de "uma das maiores pessoas e um dos maiores senadores" que já conheceu.
"Na noite de sábado, 11 de julho, o senador americano Lindsey Graham morreu em decorrência de uma doença breve e repentina", informou seu gabinete em uma publicação na rede social X.
Statement from the Office of U.S. Senator Lindsey Graham (R-South Carolina). pic.twitter.com/CQ5yVvqTH1
— Lindsey Graham (@LindseyGrahamSC) July 12, 2026
A nota acrescenta que a família "agradece pelas orações e pede respeito à sua privacidade neste momento extremamente difícil".
A emissora NBC News informou que equipes de emergência foram acionadas na noite de sábado para a residência de Graham, em Capitol Hill, após uma chamada por uma "parada cardíaca", segundo gravações de rádio da polícia obtidas pela emissora e por outros veículos de imprensa.
Trump também homenageou o senador em sua rede social, Truth Social.
"O senador Lindsey Graham, uma das maiores pessoas e um dos maiores senadores que já conheci, morreu! Ele estava sempre trabalhando e era um verdadeiro patriota americano. Lindsey fará muita falta!!!", escreveu o presidente.
Graham tentou, sem sucesso, disputar a indicação republicana à presidência em 2016. Na época, alertou que o partido não deveria apoiar Trump, a quem classificava como um político "xenófobo, sectário do ponto de vista religioso e fomentador de tensões raciais".
A relação entre os dois ficou abalada após a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. Na ocasião, Graham declarou a colegas republicanos: "Não contem comigo. Já passou dos limites". Apesar disso, mais tarde votou contra a condenação de Trump em seu processo de impeachment. Após a posse de Trump, os dois voltaram a se aproximar, e Graham acabou apoiando sua tentativa de reeleição.
"Um grande amigo de Israel"
Graham também era um apoiador incondicional de Israel e um dos mais ardorosos defensores de uma guerra contra o Irã.
"Lindsey compreendia que a segurança de Israel e a dos Estados Unidos são inseparáveis", afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em nota. "Os Estados Unidos perderam um grande patriota. Eu perdi um amigo querido", completou.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, disse estar "chocado e de coração partido" com a notícia. Segundo ele, Graham era "um exemplo de clareza moral e um verdadeiro líder da parceria entre Estados Unidos e Israel".
"Nunca esqueceremos como ele esteve ao lado do povo de Israel em nossos momentos mais difíceis", acrescentou.
A morte de Graham ocorre em um momento em que a longa internação do ex-líder republicano no Senado, Mitch McConnell, fragiliza ainda mais o partido. Os republicanos controlam uma estreita maioria no Senado, com 53 cadeiras, contra 47 dos democratas, o que reduz sua margem de manobra em votações diante de ausências ou dissidências.
Graham foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Representantes em 1994 e chegou ao Senado em 2002. Foi reeleito em 2008, 2014 e 2020 e, mais recentemente, presidiu a Comissão de Orçamento do Senado.
"Insubstituível"
O governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, classificou Graham como "insubstituível". "Foi o maior defensor da Carolina do Sul e dos Estados Unidos", escreveu no X.
Antes da carreira política, Graham serviu como advogado militar e alcançou o posto de coronel da Força Aérea dos Estados Unidos, experiência que moldou sua postura intervencionista em política externa.
Em 2002, votou a favor da autorização para a intervenção militar no Iraque após os atentados de 11 de setembro e, posteriormente, defendeu a manutenção de uma presença militar americana de longo prazo no Afeganistão.
Também foi um crítico frequente da política externa do presidente Barack Obama. Em 2015, classificou Obama como "um adversário fraco do mal" por negociar o acordo nuclear com o Irã.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou o apoio "até o fim" de Graham à Ucrânia diante da Rússia e afirmou que sua morte deixa "um grande vazio".
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, lembrou que o senador "acreditava firmemente na aliança atlântica e trabalhava ativamente para pôr fim à guerra conduzida pela Rússia contra a Ucrânia".
Como prova desse compromisso, Lindsey Graham esteve em Kiev na sexta-feira, um dia antes de morrer, quando se reuniu com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Na ocasião, teria defendido o endurecimento das sanções econômicas contra a Rússia e seus aliados.
"Ele esteve dez vezes na Ucrânia desde o início da invasão russa em larga escala e ficou ao lado do nosso povo quando mais precisávamos. Os Estados Unidos e o mundo perderam um líder determinado", escreveu Zelensky no Facebook neste domingo.
Com AFP