Justiça da Colômbia manda candidato de extrema direita se desculpar por fala sexista contra jornalista

A Justiça da Colômbia determinou nesta terça-feira (2) que o candidato presidencial de extrema direita Abelardo de la Espriella peça desculpas públicas por declarações sexistas feitas durante uma entrevista e por pressionar uma jornalista a comentar sobre seus órgãos genitais.

3 jun 2026 - 12h24

Falastrão e, por vezes, desinibido, o advogado milionário ficou em primeiro lugar no primeiro turno presidencial no domingo, mas sem apoio suficiente para evitar um segundo turno em 21 de junho contra o senador de esquerda Iván Cepeda.

Abelardo de la Espriella, dandididato da extrema direita na corrida presidencial colombiana, terá que pedir desculpas por declarações sexistas (imagem durante campanha, em 31/5/26).
Abelardo de la Espriella, dandididato da extrema direita na corrida presidencial colombiana, terá que pedir desculpas por declarações sexistas (imagem durante campanha, em 31/5/26).
Foto: © Vanessa ROMERO / AFP / RFI

Uma juíza de Bogotá deu a De la Espriella um prazo de 48 horas para se retratar e pedir desculpas pelos comentários feitos durante o programa de rádio Piso 8, em 12 de maio, que constituem "uma forma de violência" e reproduzem "estereótipos históricos discriminatórios contra as mulheres".

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Em uma entrevista registrada em vídeo e que se tornou viral nas redes sociais, o candidato "exibiu em seu telefone celular uma fotografia íntima e afirmou ter obtido apoio do 'eleitorado feminino' a partir dessa imagem", indica a decisão judicial em resposta a uma ação movida por uma cidadã.

Em seguida, ele "insistiu para que uma jornalista presente observasse a fotografia e comentasse sobre ela, mediante frases como: 'aproxime e me diga o que você vê aí' e 'não seja tímida'", em um contexto de "insinuação sexual explícita", acrescenta a decisão.

Comentários sexistas e homofóbicos

O candidato vem recebendo uma enxurrada de críticas por seus frequentes comentários sexistas e homofóbicos.

"Não foi um simples comentário infeliz. Foi uma total falta de respeito comigo e com o meu trabalho. Senti-me violada, assediada e enojada", escreveu no X a jornalista envolvida.

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O candidato respondeu à publicação e pediu desculpas, alegando que "tudo ocorreu em um contexto humorístico".

Mas o tribunal rejeitou essas justificativas e afirmou que o "problema constitucional não reside na utilização de uma linguagem coloquial", mas na mensagem transmitida ao sugerir que as mulheres "podem ser influenciadas politicamente" por critérios de atração sexual.

De la Espriella promove um projeto político que defende a família tradicional. Suas propostas de linha dura se aproximam das dos presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e da Argentina, Javier Milei.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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