O ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro de Cuba, Oscar Pérez-Oliva, afirmou na segunda-feira (16) que "Cuba está aberta a manter uma relação comercial fluida com empresas americanas e também com cubanos e seus descendentes que residem nos Estados Unidos".
O anúncio foi feito em um momento em que Cuba, sob embargo dos Estados Unidos desde 1962, enfrenta uma crise energética que praticamente paralisou sua economia, após Washington ter cortado o fornecimento de petróleo da Venezuela e ameaçado impor duras sanções a países que possam vir a ser fornecedores de combustível para os cubanos. A ilha de 9,6 milhões de habitantes sofreu um apagão generalizado na segunda-feira; este foi o sexto em quase um ano e meio.
A crise energética afeta setores vitais da economia cubana, como turismo e tabaco. Isso obrigou o governo a adotar um plano de contingência, que inclui um racionamento drástico de gasolina, impactando severamente todos os setores.
Abertura cubana
Em entrevista a uma televisão cubana, Pérez-Oliva explicou que os imigrantes "podem se associar a uma entidade pública ou privada" existente na ilha ou criar empresas privadas. Entre os setores que podem ser fomentados, o ministro cubano citou os bancos de investimento, a agricultura e a produção de energia e alimentos.
"Foram abertos todos os canais que a legislação cubana permite para que os cubanos possam se inserir plenamente no desenvolvimento econômico e social do nosso país", explicou o ministro.
Ele indicou que a abertura não se aplica apenas a pequenos trabalhos. "Isso vai além da esfera comercial e também se aplica a investimentos; não apenas pequenos investimentos, mas grandes investimentos, particularmente em infraestrutura", disse.
No início do ano, o governo autorizou a associação entre empresas públicas e privadas por 60 anos. Antes, o governo impedia empresários dos Estados Unidos de fazer negócios em Cuba. "Mas agora as portas de Cuba estão abertas", declarou Pérez-Oliva.
O ministro Pérez-Oliva afirmou que o embargo dos Estados Unidos "é o principal obstáculo ao desenvolvimento de todas as transformações que Cuba está implementando no ambiente econômico".
"Isso nos priva do acesso a financiamento, acesso à tecnologia, acesso aos mercados e, atualmente, acesso ao combustível".
De acordo com autoridades do país, nenhum carregamento de petróleo chegou a Cuba em 2026. Esta escassez agravou a crise energética na ilha.
Pressão sobre o presidente Díaz-Canel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou a repórteres no Salão Oval da Casa Branca que espera "ter a honra de assumir o controle de Cuba".
O líder norte-americano disse: "Quero libertá-la ou tomá-la. Acho que posso fazer o que quiser".
O governo Trump pressiona o presidente Miguel Díaz-Canel, de 65 anos, a renunciar, conforme informou o The New York Times. Segundo a publicação, independentemente da saída de Díaz-Canel, que chegou ao poder em 2018, o atual governo comunista permaneceria em exercício.
O jornal de Nova York diz que "os americanos afirmam aos negociadores que o presidente cubano deve sair, mas deixam a decisão sobre como as coisas prosseguirão para o povo de Cuba".
O presidente Díaz-Canel reconheceu que os dois governos mantêm negociações, embora não tenha revelado o teor dessas conversas.