Luta contra narcotráfico eleva a tensão entre Equador e Colômbia

O presidente equatoriano, Daniel Noboa, rejeitou nesta terça-feira (17) como "falsas" as acusações feitas por seu homólogo da Colômbia, Gustavo Petro, que denunciou um bombardeio em seu país a partir da fronteira equatoriana, onde operam guerrilheiros e narcotraficantes. A tensão entre os dois países cresce enquanto aproximadamente 75.000 soldados e policiais são mobilizados em quatro províncias costeiras do Equador para combater traficantes de drogas e gangues armadas.

17 mar 2026 - 12h30

Eric Samson, correspondente da RFI em Quito.

O presidente equatoriano Daniel Noboa (à esquerda), em 18 de agosto de 2025, e o presidente colombiano Gustavo Petro (à direita), em 13 de novembro de 2025.
O presidente equatoriano Daniel Noboa (à esquerda), em 18 de agosto de 2025, e o presidente colombiano Gustavo Petro (à direita), em 13 de novembro de 2025.
Foto: © Evaristo SA et Raul ARBOLEDA / AFP / RFI

A operação foi lançada na madrugada de segunda-feira (16), com o apoio dos Estados Unidos, nas províncias de El Oro, Guayas, Los Ríos e Santo Domingo, onde foi imposto um toque de recolher das 23h às 5h. Enquanto isso, o presidente colombiano, Gustavo Petro, acusou o país vizinho de bombardear um setor de seu território sob o pretexto de combater o narcotráfico.

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"Eles estão nos bombardeando do Equador", declarou Gustavo Petro na segunda-feira, acusando seu vizinho, que está envolvido em uma operação de grande escala contra o narcotráfico.

O líder colombiano afirmou que seu governo tinha provas de que uma "bomba" havia sido lançada de um avião equatoriano em território nacional.

O presidente de esquerda afirmou ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que intercedesse junto ao presidente equatoriano, Daniel Noboa, sobre o assunto. "Pedi a ele que ligasse para o presidente do Equador porque não queremos entrar em guerra", disse, sem especificar quando fez o pedido.

Em 6 de março, o Equador anunciou ter bombardeado um campo de treinamento de um grupo guerrilheiro suspeito de tráfico de drogas que atuava na fronteira com a Colômbia, como parte de uma operação apoiada pelos Estados Unidos. No domingo (15), o Equador anunciou o início de uma nova operação antidrogas de duas semanas, novamente com apoio americano.

Quito aderiu ao programa "Escudo das Américas", uma aliança de 17 países do continente criada por Donald Trump, da qual a Colômbia, juntamente com outras nações de esquerda, foi excluída. Há muito criticado por Trump, o presidente Gustavo Petro iniciou uma reaproximação com ele e foi recebido na Casa Branca em 3 de fevereiro.

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Colômbia e Equador estão envolvidos em uma guerra comercial desde fevereiro, quando Daniel Noboa, aliado do presidente americano, impôs tarifas ao seu vizinho, acusando Petro de não fazer o suficiente para combater o narcotráfico.

Quinze dias de operações antidrogas

Outra operação apoiada pelos EUA foi lançada no domingo nas regiões equatorianas mais afetadas pela violência. A "ofensiva muito forte" lançada por Quito, com duração prevista de duas semanas, inclui toque de recolher das 23h às 5h, postos de controle e o destacamento de 75.000 soldados e policiais fortemente armados. O governo relata resultados positivos no primeiro dia, embora muitos especialistas tenham dúvidas.

Além de capturar um dos criminosos mais procurados do país, diversas bases de Grupos Armados Organizados (GAO) foram tomadas pelas autoridades. Duzentas e cinquenta e três pessoas foram presas, principalmente por violarem o toque de recolher.

A jornalista especializada em crime organizado, Maria Belén Arroyo, questiona a eficácia da operação em territórios dominados pela máfia, como o cantão de El Triunfo, próximo a Guayaquil. "Grande parte do cantão era controlada pelo grupo Águias e pelo homem que se autodenominava 'Junior', amigo do traficante local. Todo Natal, ele gastava US$ 64 mil em brinquedos e eletrônicos, e as pessoas faziam fila... E então o Exército chega por 15 dias, e depois?", questiona ela.

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Após a morte de Junior em 2023, duas de suas esposas assumiram as operações em um ciclo aparentemente interminável. "As estruturas criminosas estão em constante mudança, muito mais rápido do que os serviços de inteligência conseguem detectar. Esta operação terá um efeito midiático, mas não consequências duradouras no terreno", acrescenta Maria Belén Arroyo.

O ministro do Interior, Jan Reinberg, indicou que o Estado busca retomar o controle "total" de áreas estratégicas, como Puerto Bolívar, perto de Machala.

Aproximadamente 70% da cocaína produzida em seus vizinhos, Colômbia (ao norte) e Peru (ao sul), os maiores produtores mundiais, transita pelo Equador para exportação através de seus portos no Pacífico.

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