Cuba confirma 'negociações' com EUA em meio a crise energética por bloqueio no fornecimento de petróleo

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou nesta sexta-feira (13) que "funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas" com representantes dos Estados Unidos, em um momento de tensão entre Washington e Havana. A ilha enfrenta uma crise energética como consequência de um bloqueio norte-americano no fornecimento de petróleo ao país.

13 mar 2026 - 13h01

"Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos", afirmou Díaz-Canel em uma reunião com as principais autoridades do país, segundo imagens exibidas pela televisão estatal.

Presidente cubano Miguel Díaz-Canel durante uma cúpula do BRICS em 6 de julho de 2025 no Rio de Janeiro, Brasil. (Imagem ilustrativa).
Presidente cubano Miguel Díaz-Canel durante uma cúpula do BRICS em 6 de julho de 2025 no Rio de Janeiro, Brasil. (Imagem ilustrativa).
Foto: © Pablo Porciúncula / AFP/Archivos / RFI

"Essas discussões têm por objetivo buscar soluções, por meio do diálogo, para as disputas bilaterais existentes entre nossas duas nações", acrescentou o chefe de Estado perante membros do Bureau Político, da secretaria do comitê central do Partido Comunista Cubano e do comitê executivo do Conselho de Ministros.

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Segundo imagens da televisão, entre os líderes na primeira fila estava Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro (2006-2018), que foi mencionado pela imprensa norte-americana como interlocutor do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no contexto de conversas secretas.

As declarações de Díaz-Canel confirmam o que o presidente norte-americano, Donald Trump, já havia afirmado em meados de janeiro, quando indicou que seu governo estava mantendo diálogos com autoridades cubanas de alto escalão.

"Ameaça excepcional"

Trump não esconde o seu desejo de uma mudança de regime em Cuba, governada pelo Partido Comunista e localizada a apenas 150 quilômetros dos Estados Unidos. Segundo Washington, o país representa uma "ameaça excepcional", principalmente por suas estreitas relações com a Rússia, a China e o Irã, aliados de Havana.

Neste cenário, o presidente dos EUA pressiona Havana a "chegar a um acordo" ou enfrentar as consequências. A crise energética que a ilha enfrenta, praticamente paralisando sua economia, começou depois que Washington cortou o fornecimento de petróleo da Venezuela, seu principal fornecedor, e ameaçou impor sanções a outros países que vendem o combustível a Cuba.

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Do lado cubano, o presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que as conversas com os Estados Unidos visam "antes de tudo identificar os problemas bilaterais que exigem soluções, dada a sua gravidade" e "encontrar soluções".

Ele enfatizou que este é um "processo muito delicado" que "exige esforços enormes e árduos para encontrar um terreno comum que nos permita avançar e nos afastar do confronto".

No final de fevereiro, Trump disse que considerava uma "tomada amistosa" de Cuba. "Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amistosa de Cuba", declarou.

Liberação de prisioneiros

Na noite de quinta-feira (12), Havana anunciou a libertação em breve de 51 prisioneiros sob a supervisão do Vaticano.

Histórico mediador, a Igreja Católica atua há décadas como canal de diálogo entre Havana e Washington e desempenhou um papel fundamental no degelo das relações diplomáticas entre os dois países em 2015, durante o segundo mandato de Barack Obama (2013-2017).

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De acordo com a ONG 11J, que monitora as prisões em Cuba desde os protestos de 11 de julho de 2021, quando milhares foram às ruas gritando "liberdade" e "abaixo a ditadura", há pelo menos 760 presos políticos no país, incluindo 358 participantes daqueles protestos históricos contra o governo.

Com AFP

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