"Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos", afirmou Díaz-Canel em uma reunião com as principais autoridades do país, segundo imagens exibidas pela televisão estatal.
"Essas discussões têm por objetivo buscar soluções, por meio do diálogo, para as disputas bilaterais existentes entre nossas duas nações", acrescentou o chefe de Estado perante membros do Bureau Político, da secretaria do comitê central do Partido Comunista Cubano e do comitê executivo do Conselho de Ministros.
Segundo imagens da televisão, entre os líderes na primeira fila estava Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro (2006-2018), que foi mencionado pela imprensa norte-americana como interlocutor do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no contexto de conversas secretas.
As declarações de Díaz-Canel confirmam o que o presidente norte-americano, Donald Trump, já havia afirmado em meados de janeiro, quando indicou que seu governo estava mantendo diálogos com autoridades cubanas de alto escalão.
"Ameaça excepcional"
Trump não esconde o seu desejo de uma mudança de regime em Cuba, governada pelo Partido Comunista e localizada a apenas 150 quilômetros dos Estados Unidos. Segundo Washington, o país representa uma "ameaça excepcional", principalmente por suas estreitas relações com a Rússia, a China e o Irã, aliados de Havana.
Neste cenário, o presidente dos EUA pressiona Havana a "chegar a um acordo" ou enfrentar as consequências. A crise energética que a ilha enfrenta, praticamente paralisando sua economia, começou depois que Washington cortou o fornecimento de petróleo da Venezuela, seu principal fornecedor, e ameaçou impor sanções a outros países que vendem o combustível a Cuba.
Do lado cubano, o presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que as conversas com os Estados Unidos visam "antes de tudo identificar os problemas bilaterais que exigem soluções, dada a sua gravidade" e "encontrar soluções".
Ele enfatizou que este é um "processo muito delicado" que "exige esforços enormes e árduos para encontrar um terreno comum que nos permita avançar e nos afastar do confronto".
No final de fevereiro, Trump disse que considerava uma "tomada amistosa" de Cuba. "Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amistosa de Cuba", declarou.
Liberação de prisioneiros
Na noite de quinta-feira (12), Havana anunciou a libertação em breve de 51 prisioneiros sob a supervisão do Vaticano.
Histórico mediador, a Igreja Católica atua há décadas como canal de diálogo entre Havana e Washington e desempenhou um papel fundamental no degelo das relações diplomáticas entre os dois países em 2015, durante o segundo mandato de Barack Obama (2013-2017).
De acordo com a ONG 11J, que monitora as prisões em Cuba desde os protestos de 11 de julho de 2021, quando milhares foram às ruas gritando "liberdade" e "abaixo a ditadura", há pelo menos 760 presos políticos no país, incluindo 358 participantes daqueles protestos históricos contra o governo.
Com AFP