A declaração vem após a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) relatar, na terça‑feira (7), graves violações de direitos humanos nas missões médicas cubanas no exterior. Segundo o órgão, há indícios de retenção de salários, confisco de passaportes e ameaças de prisão — inclusive contra familiares — a profissionais que abandonam essas missões.
Guatemala, Honduras, Jamaica e Guiana rescindiram recentemente acordos desse tipo, alguns em vigor havia até 25 anos, que permitiam o envio de médicos cubanos a esses países.
"O governo dos Estados Unidos está perseguindo, pressionando e extorquindo outros governos para que encerrem a presença das Brigadas Médicas Cubanas em diversos países, sob falsos pretextos", escreveu Rodríguez na rede X.
The #US government is persecuting, putting pressure on and extorting other governments in order to force them to put an end to the presence of Cuba's Medical Brigades in several countries, resorting for that to mendacious pretexts, as it is used to do. It has done so for more… pic.twitter.com/EPr22Nrva2
— Bruno Rodríguez P (@BrunoRguezP) April 9, 2026
De acordo com dados oficiais, cerca de 24 mil médicos e outros profissionais de saúde cubanos atuavam, até 2025, em 56 países. O chanceler afirmou que a ofensiva diplomática e midiática de Washington tem como objetivo "continuar estrangulando a economia cubana e cortar suas fontes legítimas de receita, a fim de sufocar o povo cubano".
Segundo Rodríguez, as brigadas médicas "realizam missões de solidariedade em áreas de difícil acesso, contribuem para o fortalecimento dos sistemas de saúde locais com recursos humanos experientes" e têm caráter voluntário. Ele sustenta que o recrutamento ocorre de forma "legal e soberana", em conformidade com padrões internacionais.
A CIDH, no entanto, contesta essa versão. De acordo com o presidente do órgão, Edgar Stuardo Ralón, "as evidências sugerem a existência de trabalho forçado e tráfico de pessoas". Dados oficiais cubanos citados no relatório indicam que as missões médicas renderam US$ 4,882 bilhões em 2022, o equivalente a 69% das exportações de serviços do país.
Apesar disso, os profissionais enviados ao exterior recebem apenas entre 2,5% e 25% da remuneração paga pelos países anfitriões. Para a Comissão, esses valores são insuficientes para garantir condições de vida dignas ou suprir necessidades básicas.
"O relatório reúne depoimentos de partir o coração", afirmou Ralón em entrevista à RFI, com base em 71 testemunhos. "Identificamos remuneração insuficiente, retenção de salários e jornadas excessivas. Há também a imposição de atividades políticas obrigatórias fora do horário de trabalho, além de restrições severas à liberdade de locomoção e à possibilidade de abandonar a missão, sob pena de serem rotulados de traidores da pátria ou desertores", disse.
O documento também aponta situações em que médicos vivem a milhares de quilômetros de casa, em condições precárias e superlotadas, supostamente para impedir deserções. Segundo Ralón, os salários não são pagos diretamente aos profissionais: "O Estado cubano recebe os valores, faz deduções e os distribui gradualmente". Para a CIDH, a combinação de baixos rendimentos e condições inadequadas caracteriza elementos de trabalho forçado.
"O país anfitrião assina um acordo diretamente com o Estado cubano, que é quem recebe o pagamento pelos serviços médicos", explicou Ralón. "Não há pagamento direto aos profissionais. Trata‑se de montantes significativos, considerando o número de missões mantidas em pelo menos 56 países, como aponta o relatório."
Com RFI e AFP