Eleição presidencial na Colômbia é marcada por campanha violenta e troca de farpas

Cerca de 41 milhões de eleitores deverão escolher o sucessor do presidente Gustavo Petro na eleição presidencial na Colômbia, que acontece em 31 de maio. Três candidatos disputam o pleito: Iván Cepeda, apoiado pelo Pacto Histórico (esquerda), Paloma Valencia, do Centro Democrático (direita), e Abelardo de la Espriella, advogado de extrema direita que faz sua estreia na cena política. Eles escolheram a cidade de Barranquilla, a quarta mais populosa do país, para encerrar a campanha.

25 mai 2026 - 11h33

Isabelle Le Gonidec, da redação da RFI em Paris

Paloma Valencia, que está em terceiro lugar nas pesquisas, reuniu líderes regionais, e De la Espriella fez um discurso solo às margens do rio Magdalena. Já Iván Cepeda preferiu fazer seu último comício em um bairro popular.

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A campanha ocorreu sem debates diretos e se concentrou nas redes sociais e na mídia, em um cenário polarizado e marcado por declarações constrangedoras - em um programa de TV, De la Espriella falou, por exemplo, sobre o tamanho de seu órgão sexual para atrair o eleitorado feminino. Doze chapas disputam a eleição, mas há semanas as pesquisas apontam Cepeda como líder no primeiro turno.

Os debates de ideias entre os principais candidatos, entretanto, foram deixados de lado. Tanto Cepeda quanto De la Espriella evitaram confrontos diretos. Cepeda criticou a falta de garantias e de independência da imprensa, e De la Espriella preferiu reforçar sua imagem de outsider.

"Que tipo de diálogo podemos ter?", questionou Cepeda, criticando declarações violentas do candidato De la Espriella, que já disse querer "estripar" políticos de esquerda. Cepeda também o classificou como "fascista" em um comício. Sobre Valencia, afirmou que ela o acusou publicamente de querer matá-la, o que classificou como "irresponsável".

A candidata do Centro Democrático viralizou em um vídeo em que simula um debate com um holograma de Cepeda criado por IA, que desaparece ao ser questionado. Também circulou um áudio falso, depois desmentido pela polícia, no qual um suposto representante dissidente das Farc pressionava eleitores a votar em Cepeda.

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Veículos danificados após um ataque na rodovia Pan-Americana, em Cajibío, na Colômbia, em 25 de abril de 2026.
Veículos danificados após um ataque na rodovia Pan-Americana, em Cajibío, na Colômbia, em 25 de abril de 2026.
Foto: RFI

Clima de insegurança

Há ameaças reais à segurança de candidatos e eleitores em regiões dominadas por grupos armados, como Guaviare, Cauca, Antioquia, Meta e Caquetá. Segundo a Registraduría Nacional, em cerca de cem municípios não há garantias de segurança para o transporte de material eleitoral. A Missão de Observação Eleitoral aponta riscos em centenas de cidades, embora sem evidência de interferência direta no voto.

O atentado de junho de 2025 contra o senador Miguel Uribe, pré-candidato do Centro Democrático, relembra que políticos são alvos de guerrilhas, paramilitares e máfias. A investigação indica envolvimento da Segunda Marquetalia, grupo dissidente das Farc.

Nos últimos meses, o país também registrou ataques como o de 25 de abril, que matou cerca de 20 pessoas no Cauca — um golpe na política de paz iniciada por Petro em 2022. A campanha foi marcada por assassinatos de integrantes das equipes de Valencia e de De la Espriella. Ambos atribuíram a violência ao governo. "Exigimos garantias", afirmou Valencia.

Apesar disso, são partidos de esquerda e ativistas sociais que mais sofrem com a violência, incluindo ambientalistas, líderes indígenas e ex-guerrilheiros reintegrados.

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Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico (esquerda), ao lado de sua companheira de chapa, Aida Quilcué, senadora e indígena da etnia nasa.
Foto: RFI

Iván Cepeda, o favorito das pesquisas

Alvo preferencial da direita, Cepeda lidera as pesquisas e conta com o impulso da vitória legislativa do Pacto Histórico em março. Possível sucessor de Petro, é acusado de usar a máquina estatal e de ter apoio indireto de grupos armados por sua atuação no processo de paz.

Segundo o analista Mauricio Trujillo, ele se apoia no presidente, em redes políticas e no apoio popular, mas também precisa se distanciar do governo para não herdar seus fracassos. Filho de um líder comunista assassinado, o candidato é um histórico defensor dos direitos humanos. Discreto, com perfil intelectual, fez campanha de base ao lado da vice Aida Quilcué, líder indígena.

Paloma Valencia, candidata do partido de direita Centro Democrático, terceira colocada nas pesquisas, participa de um comício em Bogotá.
Foto: RFI

Na direita, a disputa pela segunda vaga opõe Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella. Valencia, senadora desde 2014 e herdeira de uma família política, defende linha dura na segurança e posições conservadoras. Sua escolha de um vice abertamente gay foi vista como tentativa de modernização.

Ela "introduziu uma dimensão inédita na campanha", observa Mauricio Trujillo, ao escolher como candidato a vice Juan Daniel Oviedo: primeiro integrante abertamente homossexual de uma chapa presidencial na Colômbia.

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"Ele não faz de sua orientação sexual um tema central de seu discurso, mas a utiliza como um marcador simbólico... Essa estratégia abre a Paloma Valencia uma janela de oportunidade política: distanciar-se do legado estritamente uribista e encarnar um projeto mais moderno e pessoal, em sintonia com as transformações sociais do país".

Comício de campanha de Abelardo de la Espriella (extrema direita) em Medélin, no qual ele aparece fazendo uma saudação militar.
Foto: RFI

Já De la Espriella, advogado rico e polêmico, tem perfil outsider, com discurso radical e acusações de vínculos com narcotráfico e paramilitarismo, nunca comprovadas judicialmente. Ele admite sua admiração e amizade por Salvatore Mancuso, das AUC, condenado a 40 anos de prisão na Colômbia em janeiro passado, e, em 2002, como advogado, assessorou Carlos Castaño, outro líder das AUC.

Na época, Álvaro Uribe, recém-eleito presidente, pretendia desmobilizar os grupos paramilitares, e De la Espriella negociava para eles as condições jurídicas e financeiras de sua rendição, mediante pagamento em dinheiro. Admirador de líderes como Javier Milei e Nayib Bukele, defende políticas de repressão dura.

Com o grande número de candidatos e um Congresso fragmentado, alianças serão necessárias para governar. A disputa também depende de eleitores indecisos, estimados em cerca de 28%. A recente exposição de Gustavo Petro na mídia foi interpretada como tentativa de influenciar a reta final, destacando avanços, reconhecendo falhas e defendendo que mudanças profundas não precisam levar à instabilidade.

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