Aviões militares dos Estados Unidos sobrevoam Caracas com autorização do governo venezuelano

Quase cinco meses após a operação militar de 3 de janeiro, aeronaves dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos voltaram a sobrevoar Caracas, desta vez com autorização do governo venezuelano. Na quinta-feira, o governo anunciou que havia autorizado a embaixada norte-americana a realizar um exercício de evacuação para casos de emergência médica e contingências consideradas catastróficas.

25 mai 2026 - 06h48

Pedro Pannunzio, correspondente da RFI em Caracas

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, a operação incluiria o sobrevoo de duas aeronaves militares norte-americanas sobre a capital venezuelana e o pouso na embaixada dos Estados Unidos.

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O anúncio foi transmitido pela televisão estatal venezuelana, e um comunicado oficial foi publicado nas redes sociais do chanceler. No dia seguinte, sexta-feira, a postagem foi apagada sem explicações oficiais. Ainda assim, o exercício militar foi mantido e ocorreu no sábado.

Uma das principais autoridades a participar da atividade foi o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, que chegou a Caracas a bordo de uma das aeronaves usadas na operação. Segundo a embaixada dos Estados Unidos em Caracas, Donovan participou de reuniões com representantes do governo interino e se reuniu com funcionários da representação diplomática norte-americana.

A embaixada dos Estados Unidos na Venezuela foi reaberta após a operação militar que terminou com o sequestro de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, atualmente presos nos Estados Unidos.

Reações da esquerda

A operação provocou reações de diferentes setores da esquerda venezuelana. Pelo menos duas manifestações aconteceram em Caracas contra o exercício realizado pelos Estados Unidos. Uma delas, organizada pelo Partido Comunista da Venezuela, reuniu organizações de esquerda críticas ao chavismo e ao governo de Delcy Rodríguez.

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Em nota, o PCV afirmou que a operação representa "uma nova expressão da condição de subordinação política e militar à qual a Venezuela foi submetida depois da intervenção de 3 de janeiro". O partido também fez críticas diretas à presidente venezuelana e afirmou que "a atual administração liderada por Delcy Rodríguez não só foi incapaz de defender a integridade nacional, como atuou como garantidora dos interesses econômicos de Washington".

Ainda no sábado, movimentos sociais ligados ao chavismo também foram às ruas. Os manifestantes evitaram ataques ao governo e direcionaram as críticas aos Estados Unidos. A organização Alba Movimentos, que liderou a manifestação, classificou o exercício militar como uma ação "intimidatória" e uma "ameaça à soberania nacional por parte do imperialismo norte-americano". O grupo afirma que poupou o governo de Delcy Rodríguez por entender que a administração interina atua sob forte pressão militar dos Estados Unidos.

Embaixada dos Estados Unidos realiza exercício de emergência e evacuação aérea em Caracas, na Venezuela, no sábado.
Embaixada dos Estados Unidos realiza exercício de emergência e evacuação aérea em Caracas, na Venezuela, no sábado.
Foto: RFI

'Manutenção da Pátria'

Representantes do governo interino evitaram fazer comentários diretos sobre o exercício militar, mas algumas figuras importantes do chavismo publicaram mensagens nas redes sociais em defesa da estabilidade política e da recuperação econômica do país.

O deputado Jorge Arreaza, nome forte do governo Delcy, disse que a prioridade, neste momento, deve ser a retomada da economia venezuelana e a manutenção da paz. "Conseguir o fim das sanções para recuperar a economia são consensos essenciais de todos os setores políticos", disse em uma publicação no X. Arreaza afirmou ainda que os grupos que apostam no conflito ficam "fora do jogo".

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O ministro da Comunicação, Miguel Pérez Pirela, disse que "os republicanos precisam atuar com responsabilidade pela existência e pela manutenção da pátria".

Já a deputada e ex-ministra chavista Iris Varela afirmou que "o povo venezuelano jamais vai se deixar esmagar por qualquer império". Ela também repetiu uma frase popularizada pelo ex-presidente Hugo Chávez: "Vão se foder, ianques de merda", escreveu em uma publicação no X. As declarações foram publicadas ao longo do fim de semana, após a realização do exercício militar.

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