Governo americano decide nesta quarta-feira sobre novas tarifas contra o Brasil

Os Estados Unidos decidem nesta quarta-feira (15) se vão aplicar um novo pacote de tarifas sobre produtos brasileiros, em uma medida que pode afetar bilhões de dólares no comércio entre os dois países.

14 jul 2026 - 07h46
(atualizado às 08h36)

Luciana Rosa, correspondente da

Senado aprova MP que destina R$ 15 bi a empresas afetadas por guerra no Oriente Médio e tarifaço
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Foto: Anderson Coelho/Estadão / Estadão

RFI em Nova York

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Antes da decisão, autoridades brasileiras e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, devem realizar uma nova reunião virtual. A expectativa do governo brasileiro é que o encontro sirva para antecipar os rumos da decisão americana.

O desfecho depende principalmente de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

A primeira foi aberta após o anúncio do chamado "tarifaço" e analisa se políticas comerciais brasileiras prejudicam empresas americanas e criam um desequilíbrio na relação entre os dois países. A conclusão está prevista para esta quarta-feira.

A segunda investigação envolve o Brasil e outros 59 países e busca verificar se a ausência de medidas eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado gera vantagens comerciais consideradas injustas. O relatório deve ser divulgado até o fim de julho.

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Caso as duas investigações tenham conclusões desfavoráveis ao Brasil, elas podem servir de base para a aplicação de novas tarifas, que, somadas, podem chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros.

Governo brasileiro espera confirmação das tarifas

Nos bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha com o cenário de que as novas tarifas serão confirmadas. Essa avaliação ganhou força depois que Jamieson Greer afirmou recentemente que Brasil e Estados Unidos ainda estão longe de um acordo comercial.

Apesar disso, negociadores brasileiros acreditam que ainda existe espaço para uma flexibilização da medida por meio da ampliação da lista de produtos isentos das tarifas.

Em junho, Donald Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após abrir uma investigação sobre temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix. No dia seguinte, anunciou uma taxa adicional de 12,5% para o Brasil e outros 59 países, alegando falhas no combate ao trabalho forçado.

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Nos dois casos, porém, Washington apresentou uma lista de exceções para reduzir o impacto sobre consumidores e empresas americanas. A expectativa do governo brasileiro é justamente que essa relação de produtos poupados seja ampliada na decisão final.

Empresas americanas pressionam por exceções

Mesmo antes do anúncio oficial, empresas americanas que dependem de produtos brasileiros intensificaram a pressão sobre Washington para ampliar a lista de exceções.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, pelo menos 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos solicitaram que determinados produtos brasileiros fiquem de fora das sobretaxas, argumentando que não existem substitutos produzidos no mercado americano.

Após a divulgação da decisão, a equipe econômica e o Itamaraty deverão analisar detalhadamente o alcance das medidas para definir a resposta brasileira.

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Entre as possibilidades estão a continuidade das negociações com Washington e o eventual uso da Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar medidas de retaliação contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais às exportações brasileiras.

Flávio Bolsonaro pediu adiamento

Paralelamente às negociações conduzidas pelo governo brasileiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu o adiamento da decisão americana. No início do mês, ele enviou uma manifestação ao USTR sugerindo que a definição sobre as tarifas fosse adiada para depois das eleições brasileiras.

Na semana passada, durante uma audiência pública promovida pelo órgão em Washington, o senador voltou a fazer o mesmo pedido. Segundo Flávio Bolsonaro, este seria o pior momento para a adoção das tarifas, porque a medida acabaria beneficiando politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A participação nas audiências públicas do USTR é aberta a qualquer interessado que faça inscrição prévia. A manifestação do senador foi uma iniciativa individual e não representa a posição oficial do governo brasileiro nem do Itamaraty.

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Tarifaço já passou por mudanças

A política tarifária dos Estados Unidos em relação ao Brasil já sofreu diversas alterações ao longo do último ano.

Em julho de 2025, Donald Trump anunciou a intenção de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, formada por uma tarifa recíproca de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% direcionada especificamente ao Brasil.

Antes mesmo da entrada em vigor, Washington publicou uma lista de produtos isentos. Meses depois, após conversas entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, o governo americano retirou a sobretaxa de 40% para alguns dos principais produtos da pauta brasileira, entre eles carne bovina e café.

Neste ano, uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos também obrigou a Casa Branca a rever parte da estratégia jurídica utilizada para sustentar essas tarifas, ao limitar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência (IEEPA). O governo americano passou, então, a buscar outras bases legais para manter parte das medidas.

Por isso, mesmo que novas tarifas sejam confirmadas nesta quarta-feira, especialistas avaliam que tanto a lista de produtos atingidos quanto as exceções ainda poderão sofrer alterações ao longo das negociações entre Brasil e Estados Unidos.

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