A menos de três meses da eleição presidencial brasileira, a medida é vista como uma tentativa de Donald Trump de influenciar o pleito, favorecer seu aliado Flavio Bolsonaro e desgastar Luiz Inácio Lula da Silva por meio da pressão sobre a economia brasileira.
Para o cientista político Gaspard Estrada, integrante da unidade Sul Global da London School of Economics, porém, "a estratégia de Donald Trump é uma faca de dois gumes".
"No ano passado, o aumento das tarifas elevou a popularidade de Lula, que se opôs firmemente ao presidente americano. Desde então, o Brasil se esforçou para multiplicar seus parceiros comerciais", afirma Estrada.
O próprio Flavio Bolsonaro alertou os Estados Unidos. Ele chegou a pedir que Washington retirasse as sobretaxas, argumentando que a medida poderia beneficiar seu adversário na corrida presidencial.
"Houve uma diversificação da matriz econômica internacional do Brasil. À medida que o país exporta mais para outros mercados, sua exposição aos Estados Unidos diminui e, consequentemente, sua dependência de Washington também", prossegue Gaspard Estrada.
Nesta quinta-feira (16), em uma mensagem publicada na rede X, Flavio Bolsonaro atribuiu a responsabilidade pelas sobretaxas ao presidente brasileiro. Segundo ele, "Lula não tem mais condições de ser presidente do Brasil". Ele acrescentou ainda que "Estamos em um avião sem piloto".
Brasília promete reação em "reciprocidade"
Brasília, por sua vez, prometeu adotar medidas de "reciprocidade" com base em uma lei aprovada pelo Congresso no ano passado. "Não existe nenhuma justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país", respondeu a equipe do presidente Lula da Silva, em comunicado divulgado no X.
A Presidência afirmou que defenderá a soberania brasileira e rejeitou todas as alegações apresentadas por Washington sobre supostas práticas comerciais desleais adotadas pelo Brasil.
Já o chefe da diplomacia brasileira, Mauro Vieira, criticou nesta quinta-feira o secretário de Estado americano, Marco Rubio, por ter atacado "de forma grosseira e arrogante" o presidente Lula, após o anúncio por parte de Washington de novas tarifas contra o país sul-americano.
"As tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro. O que incomoda é o fato de o Brasil não ter se curvado aos EUA", declarou Vieira.
Pouco antes, em uma mensagem no X, o secretário de Estado americano havia acusado Lula de ter "colocado seu ego à frente do interesse do povo brasileiro" nas negociações comerciais entre os dois países.