Após ampla vitória democrata no Congresso, impulsionada pelo desgaste da impopular guerra contra o Irã, Donald Trump aceitou os resultados das urnas, mas negou rejeição ao seu governo. O republicano planeja usar o poder de veto presidencial como principal arma para barrar a agenda da oposição. Embora enfrente maior fiscalização parlamentar e barreiras para nomeações na Suprema Corte, o presidente mantém ampla autonomia em defesa e política externa, podendo até insistir no conflito armado.
Em uma mudança de tom incomum para alguém que até hoje se recusa a reconhecer sua derrota na eleição presidencial de 2020, Trump declarou ao jornal The New York Times que está "totalmente disposto a aceitar esses resultados". À emissora Fox News, ele repetiu que trabalhará com os democratas e elogiou o desempenho da oposição nas urnas, embora tenha destacado diversas vezes que continua dispondo de um instrumento poderoso para frear a agenda do Congresso.
A derrota republicana foi ampla. Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, inclusive em estados tradicionalmente conservadores, como Texas e Kansas. Ainda assim, Trump rejeita a ideia de que o resultado represente uma rejeição direta ao seu governo.
"Não considero que isso tenha sido direcionado contra mim", afirmou à Fox News. "Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido com folga", escreveu em sua rede social, Truth Social.
O presidente admitiu que a guerra contra o Irã, amplamente impopular entre o eleitorado, contribuiu "em parte" para o resultado das urnas, mas insistiu que a população compreenderá a importância do conflito.
Com os democratas no controle das duas casas do Congresso, Trump terá mais dificuldade para transformar suas prioridades em lei. Por outro lado, pela Constituição dos Estados Unidos, o presidente pode rejeitar projetos aprovados pelo Congresso. Na prática, isso significa que Trump poderá bloquear propostas democratas que considere contrárias a seus interesses políticos ou ideológicos. Assim, Trump poderá dificultar a aprovação da agenda democrata.
Para derrubar um veto presidencial, deputados e senadores precisam reunir uma maioria qualificada de dois terços em cada uma das casas, um objetivo difícil de alcançar mesmo quando um partido controla o Legislativo.
No alvo de investigações
Com os resultados nas urnas, os democratas passam a ter também instrumentos importantes de fiscalização. A partir de janeiro de 2027, o novo Congresso poderá convocar integrantes da administração para prestar depoimentos, abrir investigações parlamentares sobre decisões do governo e ampliar o controle sobre os gastos federais.
A mudança de maioria também reduz significativamente a influência de Trump sobre futuras nomeações para a Suprema Corte. Caso uma vaga seja aberta entre os nove juízes vitalícios da mais alta instância judicial do país, a confirmação de um indicado presidencial dependerá do aval de um Senado controlado pelos democratas.
Apesar dessas limitações, o presidente mantém amplo espaço de atuação em áreas como política externa e defesa. Segundo especulações de observadores em Washington, Trump poderia insistir em uma escalada militar contra o Irã, mesmo após uma eleição em que o conflito apareceu como um dos principais fatores de desgaste para os republicanos.
Com agências