Segundo um fotógrafo da AFP presente no local, escavadeiras israelenses entraram no complexo da Unrwa na manhã desta terça-feira.
Em comunicado, o ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que "o complexo não goza de nenhuma imunidade, e sua apreensão pelas autoridades israelenses foi realizada de acordo com o direito israelense e internacional".
Já um dirigente da agência denunciou "uma grave violação do direito internacional, bem como dos privilégios e imunidades das Nações Unidas".
"Israel é obrigado a proteger"
As autoridades israelenses acusam funcionários da Unrwa de terem participado do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra em Gaza. "Trata-se de um ataque sem precedentes", declarou Roland Friedrich, diretor da Unrwa na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
"Isso constitui uma violação grave do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas". No mesmo sentido, Jonathan Fowler, porta-voz da agência, afirmou que "como todos os Estados-membros da ONU, Israel é obrigado a proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações das Nações Unidas".
O complexo da Unrwa em Jerusalém Oriental — parte da cidade anexada por Israel em 1967 — está desocupado há cerca de um ano, após o país ter proibido as atividades da agência, medida em vigor desde 30 de janeiro de 2025. Máquinas demoliram ao menos um dos edifícios do local, sobre o qual tremulava uma bandeira israelense, segundo constatou o fotógrafo da AFP, que também observou a presença de autoridades políticas israelenses.
O ministro da Segurança Interna, Itamar Ben Gvir, esteve no local e saudou "um dia histórico, de celebração e um dia muito importante para a governança em Jerusalém". "Durante anos, esses apoiadores do terrorismo estiveram aqui. Hoje, eles estão sendo expulsos, juntamente com tudo o que construíram neste lugar — é isso que acontecerá com qualquer pessoa que apoie o terrorismo", afirmou o ministro, ligado à extrema-direita, em mensagem publicada no Telegram.
Contribuições à Unrwa em queda contínua
Há mais de sete décadas, a Unrwa presta assistência aos refugiados palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, no Líbano, na Jordânia e na Síria. Nos últimos anos, porém, a agência tem enfrentado uma redução constante das contribuições voluntárias, à medida que se torna alvo de críticas israelenses cada vez mais duras. Israel acusa a Unrwa de estar "infestada de agentes do Hamas" e proibiu sua atuação em seu território.
Em 7 de janeiro, a agência anunciou que, por razões financeiras, encerrou os contratos de cerca de 600 funcionários na Faixa de Gaza que haviam deixado o território palestino.
Com AFP