Agência da ONU para refugiados palestinos denuncia ataque israelense contra sua sede em Jerusalém Oriental

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (Unrwa) denunciou um "ataque sem precedentes" após a demolição, ordenada por Israel, de pelo menos um edifício de sua sede em Jerusalém Oriental, na manhã desta terça-feira (20). Para o ministro da Segurança Interna israelense, Itamar Ben Gvir, a ação representa um dia "histórico", enquanto diretor da entidade classifica como "violação grave".

20 jan 2026 - 11h31
(atualizado às 11h34)

Segundo um fotógrafo da AFP presente no local, escavadeiras israelenses entraram no complexo da Unrwa na manhã desta terça-feira.

Maquinaria pesada demole estrutura da sede da Unrwa, em Jerusalém Oriental, em 20 de janeiro de 2026.
Maquinaria pesada demole estrutura da sede da Unrwa, em Jerusalém Oriental, em 20 de janeiro de 2026.
Foto: AFP - ILIA YEFIMOVICH / RFI

Em comunicado, o ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que "o complexo não goza de nenhuma imunidade, e sua apreensão pelas autoridades israelenses foi realizada de acordo com o direito israelense e internacional".

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Já um dirigente da agência denunciou "uma grave violação do direito internacional, bem como dos privilégios e imunidades das Nações Unidas".

"Israel é obrigado a proteger"

As autoridades israelenses acusam funcionários da Unrwa de terem participado do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra em Gaza. "Trata-se de um ataque sem precedentes", declarou Roland Friedrich, diretor da Unrwa na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

"Isso constitui uma violação grave do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas". No mesmo sentido, Jonathan Fowler, porta-voz da agência, afirmou que "como todos os Estados-membros da ONU, Israel é obrigado a proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações das Nações Unidas".

O complexo da Unrwa em Jerusalém Oriental — parte da cidade anexada por Israel em 1967 — está desocupado há cerca de um ano, após o país ter proibido as atividades da agência, medida em vigor desde 30 de janeiro de 2025. Máquinas demoliram ao menos um dos edifícios do local, sobre o qual tremulava uma bandeira israelense, segundo constatou o fotógrafo da AFP, que também observou a presença de autoridades políticas israelenses.

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O ministro da Segurança Interna, Itamar Ben Gvir, esteve no local e saudou "um dia histórico, de celebração e um dia muito importante para a governança em Jerusalém". "Durante anos, esses apoiadores do terrorismo estiveram aqui. Hoje, eles estão sendo expulsos, juntamente com tudo o que construíram neste lugar — é isso que acontecerá com qualquer pessoa que apoie o terrorismo", afirmou o ministro, ligado à extrema-direita, em mensagem publicada no Telegram.

Contribuições à Unrwa em queda contínua

Há mais de sete décadas, a Unrwa presta assistência aos refugiados palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, no Líbano, na Jordânia e na Síria. Nos últimos anos, porém, a agência tem enfrentado uma redução constante das contribuições voluntárias, à medida que se torna alvo de críticas israelenses cada vez mais duras. Israel acusa a Unrwa de estar "infestada de agentes do Hamas" e proibiu sua atuação em seu território.

Em 7 de janeiro, a agência anunciou que, por razões financeiras, encerrou os contratos de cerca de 600 funcionários na Faixa de Gaza que haviam deixado o território palestino.

Com AFP

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