Entre os sete casos, três passageiros morreram — um casal de holandeses e um alemão. Uma pessoa apresenta sintomas respiratórios agudos graves, enquanto três manifestaram sintomas leves, segundo comunicado divulgado pela OMS na noite de segunda‑feira.
Não existem medicamentos específicos para essa doença. O tratamento se baseia em cuidados de suporte, incluindo o uso de respiradores para os pacientes mais gravemente afetados.
Segundo a organização, uma terceira pessoa a bordo passou a apresentar sintomas, elevando para três o número de passageiros que relataram febre alta e/ou sintomas gastrointestinais e permanecem no navio. As demais pessoas afetadas já haviam sido evacuadas ou apresentam quadros mais leves.
Atualmente, 149 passageiros e membros da tripulação continuam impedidos de desembarcar. Por precaução, as autoridades de Cabo Verde solicitaram que a embarcação, que partiu da Argentina em março, permanecesse retida em águas internacionais. A bordo, os ocupantes estão submetidos a protocolos sanitários rigorosos, incluindo medidas de isolamento. A Espanha aceitou nesta terça-feira (5) a atracação do navio nas Ilhas Canárias, segundo a OMS.
"Foi solicitado aos passageiros que permaneçam em suas cabines e limitem os riscos, enquanto medidas de desinfecção, entre outras, estão sendo adotadas", informou a OMS em comunicado divulgado na segunda‑feira.
Busca por passageiros de voo
A OMS anunciou também que iniciou esforços para localizar os passageiros de um voo comercial que transportou uma turista holandesa infectada com hantavírus. A mulher havia sido evacuada do navio para a ilha de Santa Helena e, de lá, seguiu para Joanesburgo, na África do Sul, onde morreu em um hospital.
Segundo a organização, trata‑se de uma neerlandesa de 69 anos, cujo marido, de 70 anos, havia morrido anteriormente a bordo do navio. Ela foi desembarcada em Santa Helena em 24 de abril, apresentando "sintomas gastrointestinais", e embarcou no dia seguinte para a África do Sul. A morte ocorreu em 26 de abril, e a infecção por hantavírus foi confirmada oficialmente na segunda‑feira.
"Buscas foram iniciadas para localizar os passageiros desse voo", informou a OMS, sem divulgar quantas pessoas estavam a bordo da aeronave.
Cronologia das mortes e casos graves
O primeiro passageiro afetado, um cidadão holandês, morreu em 11 de abril, quando o Hondius navegava pelo Atlântico Sul. Seu corpo permaneceu a bordo até 24 de abril, quando foi desembarcado na ilha de Santa Helena, com a esposa acompanhando o traslado para repatriação, segundo a operadora Oceanwide Expeditions.
Três dias depois, a empresa responsável pelo cruzeiro, que percorre algumas das regiões mais remotas do planeta, incluindo arquipélagos da Antártida, foi informada de que a esposa do passageiro havia adoecido e morreu posteriormente. As autoridades dos Países Baixos confirmaram que ela também testou positivo para o hantavírus.
Em 27 de abril, outro passageiro, um britânico, ficou gravemente doente e foi evacuado para a África do Sul, onde permanece internado em uma unidade de terapia intensiva, em estado crítico, porém estável, segundo a operadora. As autoridades sul‑africanas confirmaram que ele também está infectado.
Outro passageiro, um alemão, morreu em 2 de maio, mas até o momento a causa da morte ainda não foi determinada.
Contexto sanitário
O hantavírus é normalmente transmitido por contato com urina, saliva ou fezes de roedores infectados. A OMS ressalta que o contágio entre humanos é considerado raro, mas a suspeita levantada neste caso elevou o nível de atenção internacional sobre o surto no navio.
Com AFP e Le Figaro