Midterms: as eleições decisivas que moldam a política dos EUA

28 out 2026 - 13h21
Resumo
As eleições de meio de mandato nos EUA renovam toda a Câmara dos Representantes, um terço do Senado e 36 governos estaduais, servindo como referendo sobre o presidente Donald Trump, cuja aprovação está em baixa. Com uma vantagem republicana estreita no Congresso, os democratas têm chances reais de assumir o controle da Câmara e ameaçar a maioria governista no Senado, o que pode travar a agenda política da Casa Branca e redefinir o equilíbrio de poder nos níveis federal e estadual do país.

Mais do que uma renovação do Congresso, as eleições de meio de mandato funcionam como um teste para o presidente e ajudam a definir o rumo político dos Estados Unidos.Na próxima terça-feira (03/10), os Estados Unidos vão às urnas. Desta vez, os americanos não decidem quem comandará a Casa Branca, mas quem ocupará o Capitólio: chegou a hora das eleições de meio de mandato, as midterms.

Essas eleições ocorrem a cada quatro anos, exatamente no meio do intervalo entre duas eleições presidenciais. Os eleitores dos EUA decidem os assentos da Câmara dos Representantes e do Senado, as duas casas do Congresso. Em alguns estados, os cidadãos também escolhem quem será governador ou governadora.

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Além dessas decisões, que aparecem claramente nas cédulas eleitorais, os eleitores também acabam avaliando outra questão.

A eleição de meio de mandato é "frequentemente um referendo sobre o presidente e o partido que está no poder", explicou J. Miles Coleman, analista eleitoral do Center for Politics da Universidade da Virgínia, antes das últimas midterms, realizadas em 2022. Quando a população está satisfeita, o partido do ocupante da Casa Branca costuma ter melhor desempenho; quando há insatisfação, o resultado tende a ser pior. Atualmente, a aprovação do presidente Donald Trump está em um nível historicamente baixo.

Em quem os americanos votam nas eleições de meio de mandato?

Todos os assentos da Câmara dos Representantes dos EUA estarão em disputa. Eleitores de todo o país votarão para escolher os 435 deputados com direito a voto. Cada parlamentar representa um distrito eleitoral, definido com base na densidade populacional.

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Por isso, estados territorialmente grandes, como Wyoming, mas onde vivem relativamente poucas pessoas, possuem apenas uma cadeira na Câmara. Já Nova Jersey, muito menor em extensão territorial, mas mais populoso, conta com 12 assentos. Os deputados são eleitos para mandatos de dois anos.

Já o mandato de um senador dos EUA dura seis anos. O Senado, a outra casa do Congresso, tem 100 cadeiras, duas para cada um dos 50 estados, independentemente de seu tamanho. A cada dois anos, cerca de um terço dos assentos é renovado. Nas eleições deste ano, os americanos votarão para preencher 35 vagas. Diferentemente da Câmara dos Representantes, portanto, nem todos os estados realizarão eleições para o Senado durante as midterms.

Além disso, os eleitores de 36 estados escolherão seus governadores. O mandato costuma durar quatro anos. Nos EUA, muitas decisões são tomadas em nível estadual, desde o direito ao aborto e questões educacionais até a organização das eleições. Por isso, faz grande diferença para a população se democratas ou republicanos controlam o governo estadual.

Quem tem maioria no Congresso dos EUA?

Atualmente, os republicanos, partido do presidente Trump, têm maioria nas duas casas do Congresso. A vantagem, porém, é pequena.

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Na Câmara dos Representantes, há atualmente 218 republicanos, 214 democratas e um deputado independente que normalmente vota com os republicanos. Duas cadeiras estão vagas. Especialistas consideram provável que os democratas conquistem a maioria nesta casa após a próxima eleição. "Seria uma surpresa se os democratas não conquistassem ao menos a Câmara dos Representantes", afirmou Coleman à emissora americana CBS no fim de outubro.

No Senado, atualmente há 53 republicanos, 45 democratas e dois senadores independentes que costumam votar com os democratas. Em caso de empate de 50 a 50, o voto de desempate cabe ao vice-presidente. Neste momento, portanto, o vice-presidente de Trump, JD Vance, tem o poder de decidir votações equilibradas.

Por que as eleições de meio de mandato são importantes?

A participação eleitoral costuma ser menor do que nas eleições presidenciais, mas o resultado das midterms também tem influência decisiva sobre a política americana dos anos seguintes.

Embora o presidente dos EUA tenha amplos poderes e possa tomar diversas decisões por meio de decretos executivos, muitas medidas precisam ser aprovadas pelo Congresso para entrar em vigor.

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Para Trump, portanto, é muito mais fácil governar de acordo com sua agenda se os republicanos controlarem as duas casas do Congresso. Caso os democratas conquistem a maioria em uma ou até mesmo nas duas câmaras, ficará mais difícil para o presidente implementar mudanças tanto na política interna quanto na externa.

Onde estão as disputas decisivas?

Na Câmara dos Representantes, os democratas precisam conquistar apenas quatro assentos adicionais para atingir 218 cadeiras e assumir a maioria. Entre os 435 distritos, apenas alguns ainda são considerados totalmente indefinidos. Entre eles estão distritos nos estados de Iowa, Virgínia e Montana.

Nas eleições para o Senado, por exemplo, a disputa no Texas chama atenção. Pesquisas recentes mostram o democrata James Talarico empatado com seu rival republicano Ken Paxton. Para conquistar a maioria no Senado, os democratas precisam ganhar quatro cadeiras.

O fato de o Texas poder contribuir para esse objetivo é considerado surpreendente. Desde 1994, nenhum democrata venceu uma eleição estadual de âmbito federal no estado. Talarico vem recebendo apoio de integrantes da família Bush, tradicional dinastia republicana da qual saíram os presidentes George H. W. Bush e seu filho George W. Bush.

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Nas eleições para governador, uma mulher negra poderá, pela primeira vez na história dos EUA, assumir o comando de um estado. Em Minnesota, a democrata Amy Klobuchar e a republicana negra Lisa DeMuth disputam o governo do estado. Já na Geórgia, a democrata negra Keisha Lance Bottoms concorre ao cargo de governadora contra o republicano Rick Jackson.

Uma vitória de DeMuth em Minnesota é considerada improvável, já que o estado tende a votar nos democratas e Klobuchar possui um grau de reconhecimento muito maior devido a sua longa trajetória como senadora. Na Geórgia, porém, as pesquisas mais recentes indicam uma disputa acirrada. Bottoms tem chances reais de vencer.

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