Passadas duas semanas desde a notícia de que o passaporte de Eliza Samudio foi localizado em Lisboa, a família da jovem ainda vive um cenário de incertezas. Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza, revelou que até o momento não recebeu qualquer parecer oficial ou previsão de entrega do documento, que estaria sob posse do Consulado Geral do Brasil em Portugal.
Um dos pontos que mais causou estranheza à família foi o fato de a existência do documento ter sido comunicada primeiramente a um portal de notícias, antes mesmo de Sônia ser avisada oficialmente. Sem qualquer contato das autoridades para fornecer prazos de envio ou códigos de rastreio, ela espera para guardar o objeto como uma lembrança da filha.
"Assim como recebi, anos depois, os pertences da minha filha e umas fotos queimadas do Bruninho ainda bebê, espero receber o documento e guardá-lo comigo", desabafa Sônia.
Em um depoimento emocionante, Sônia criticou a forma como a imagem de Eliza tem sido exposta e reforçou o peso do luto permanente que carrega desde junho de 2010: "Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa. Minha filha tinha uma história, sonhos, um sorriso, e não pode ser reduzida a uma manchete fria".
Mistério sobre a localização do documento
A descoberta do passaporte no último dia 5 de janeiro trouxe novas interrogações. Até então, a família acreditava que todos os documentos de Eliza haviam sido destruídos no momento do crime. O item foi entregue ao consulado por um inquilino de um imóvel em Lisboa, que afirmou ter encontrado o passaporte em uma estante, entre livros.
Sônia Moura questiona a veracidade e a forma como o objeto surgiu após 16 anos: "A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória. Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente. Essas lacunas não são detalhes — elas pesam, machucam e gritam por esclarecimento", pontua.
Apesar de preferir o silêncio para processar a nova reviravolta, Sônia afirmou que não deixará o caso sem esclarecimentos e exigirá que as autoridades expliquem como o documento foi parar na Europa. Enquanto o paradeiro dos restos mortais de Eliza Samudio permanece um mistério, a chegada deste passaporte torna-se mais um capítulo doloroso na busca por justiça e memória.
Eliza sumiu em junho de 2010, e investigações da Polícia Civil do Rio afirmaram que ela foi morta por ordem de Bruno Fernandes, então goleiro do Flamengo, de quem a mulher engravidou.