Mãe de Eliza Samudio ainda não recebeu passaporte encontrado há 15 dias em Portugal

Sônia Fátima Moura desabafa sobre a burocracia e as incertezas em torno do documento que reabre feridas do crime ocorrido em 2010

16 jan 2026 - 11h52

Passadas duas semanas desde a notícia de que o passaporte de Eliza Samudio foi localizado em Lisboa, a família da jovem ainda vive um cenário de incertezas. Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza, revelou que até o momento não recebeu qualquer parecer oficial ou previsão de entrega do documento, que estaria sob posse do Consulado Geral do Brasil em Portugal.

Mistério! Homem revela motivo de não ter entregado passaporte de Eliza Samudio para a polícia / Reprodução
Mistério! Homem revela motivo de não ter entregado passaporte de Eliza Samudio para a polícia / Reprodução
Foto: Contigo

Um dos pontos que mais causou estranheza à família foi o fato de a existência do documento ter sido comunicada primeiramente a um portal de notícias, antes mesmo de Sônia ser avisada oficialmente. Sem qualquer contato das autoridades para fornecer prazos de envio ou códigos de rastreio, ela espera para guardar o objeto como uma lembrança da filha.

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"Assim como recebi, anos depois, os pertences da minha filha e umas fotos queimadas do Bruninho ainda bebê, espero receber o documento e guardá-lo comigo", desabafa Sônia.

Em um depoimento emocionante, Sônia criticou a forma como a imagem de Eliza tem sido exposta e reforçou o peso do luto permanente que carrega desde junho de 2010: "Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa. Minha filha tinha uma história, sonhos, um sorriso, e não pode ser reduzida a uma manchete fria".

Mistério sobre a localização do documento

A descoberta do passaporte no último dia 5 de janeiro trouxe novas interrogações. Até então, a família acreditava que todos os documentos de Eliza haviam sido destruídos no momento do crime. O item foi entregue ao consulado por um inquilino de um imóvel em Lisboa, que afirmou ter encontrado o passaporte em uma estante, entre livros.

Sônia Moura questiona a veracidade e a forma como o objeto surgiu após 16 anos: "A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória. Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente. Essas lacunas não são detalhes — elas pesam, machucam e gritam por esclarecimento", pontua.

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Apesar de preferir o silêncio para processar a nova reviravolta, Sônia afirmou que não deixará o caso sem esclarecimentos e exigirá que as autoridades expliquem como o documento foi parar na Europa. Enquanto o paradeiro dos restos mortais de Eliza Samudio permanece um mistério, a chegada deste passaporte torna-se mais um capítulo doloroso na busca por justiça e memória.

Eliza sumiu em junho de 2010, e investigações da Polícia Civil do Rio afirmaram que ela foi morta por ordem de Bruno Fernandes, então goleiro do Flamengo, de quem a mulher engravidou.

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