Kremlin volta a exigir que tropas ucranianas deixem Donbass

23 jan 2026 - 09h40
(atualizado às 09h43)

Pouco antes do início das consultas trilaterais com os EUA e a Ucrânia em Abu Dhabi, Rússia deixa claro que não quer abrir mão de região no leste da Ucrânia como condição para um acordo de paz.O Exército da Ucrânia deve abandonar a região do Donbass, uma condição "muito importante" para alcançar um acordo de paz, assegurou o Kremlin nesta sexta-feira (23/01), antes do início das consultas trilaterais com os Estados Unidos e a Ucrânia em Abu Dhabi.

Putin recebeu em Moscou os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner
Putin recebeu em Moscou os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner
Foto: DW / Deutsche Welle

O encontro ocorre após conversas entre o presidente do Kremlin, Vladimir Putin , e o enviado dos EUA, Steve Vitkoff, em Moscou, bem como uma reunião entre o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski , e o presidente dos EUA, Donald Trump , em Davos, na Suíça.

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"As Forças Armadas ucranianas devem abandonar o território do Donbass, devem ser retiradas de lá. Esta é uma condição muito importante" para o fim do conflito, afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, durante sua coletiva de imprensa telefônica diária.

Peskov evitou comentar "detalhes dos postulados que serão debatidos" nos Emirados Árabes Unidos e assinalou que não revelaria mais informações sobre o que ele chamou de "fórmula de Anchorage", em referência à na cúpula do Alasca em agosto de 2025 entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump. "Consideramos inoportuno", justificou o porta-voz.

Destino de territórios ucranianos

Após as negociações nesta madrugada entre Putin e os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, o assessor de política internacional, Yuri Ushakov, salientou a necessidade de solucionar a questão territorial em virtude do consenso alcançado em Anchorage.

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Na ocasião, Trump renunciou à exigência de um cessar-fogo imediato como condição indispensável, embora os detalhes sobre o destino do Donbass e das regiões de Kherson e Zaporíjia - anexadas unilateralmente por Moscou em 2022 - permaneçam sob sigilo.

Segundo Peskov, Putin sente-se "absolutamente" bem após as negociações noturnas com os emissários americanos, que terminaram em altas horas. "É um trabalho muito intenso, muito responsável e extremamente complexo. Por isso, quando se realizam consultas deste tipo, é habitual que ninguém repare na hora", sustentou.

O porta-voz russo lembrou que existem cerca de 5 bilhões de dólares em ativos russos congelados nos Estados Unidos e indicou que um quinto desse valor poderia ser destinado à reconstrução da Faixa de Gaza por meio do Conselho de Paz promovido por Trump, e não descartou que o restante sirva para reconstruir os territórios ucranianos que ficarem sob controle russo após o fim da guerra.

Delegações

Embora o Kremlin tenha evitado confirmar nomes oficialmente na coletiva, fontes diplomáticas indicam que a delegação russa em Abu Dhabi será encabeçada pelo chefe da Inteligência Militar (GRU), almirante Igor Kostyukov. Peskov limitou-se a dizer que o grupo é integrado exclusivamente por "representantes do Ministério da Defesa".

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Segundo Volodimir Zelenski, a Ucrânia enviará seu negociador-chefe, Rustem Umerov, bem como o chefe do Estado-Maior General, Andriy Gnatov.

A reunião em Abu Dhabi marca o primeiro encontro trilateral direto entre oficiais de alto escalão de Rússia, Ucrânia e Estados Unidos desde o início da invasão em 2022 . Representantes russos já partiram para os Emirados Árabes e o Kremlin prevê que as negociações ocorram entre esta sexta e sábado.

Negociações diretas entre a Rússia e a Ucrânia já haviam ocorrido em 2022. Mais recentemente, os dois lados se encontraram diversas vezes em Istambul, em 2025. No entanto, essas conversas resultaram apenas em trocas de prisioneiros e na repatriação dos restos mortais de soldados mortos em combate.

Posteriormente, adotou-se uma espécie de diplomacia itinerante: os EUA, atuando como mediadores, conversavam separadamente com russos e ucranianos e, em seguida, transmitiam suas respectivas propostas ao outro lado.

md (EFE, AFP, DPA)

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