Navios, jatos, drones: jornal alemão "Die Welt" publica lista de sistemas de armas que os americanos devem retirar da Otan. Europeus temem não ter tempo suficiente para sanar desfalque.Trata-se de uma lista que certamente deve preocupar os membros europeus da Otan. O jornal alemão Die Welt relatou recentemente que representantes dos Estados Unidos entregaram uma lista com um total de onze itens a representantes da aliança militar do Atlântico Norte em Bruxelas. Aparentemente, era uma espécie de aviso prévio.
A lista contém informações detalhadas sobre quais capacidades militares os americanos, sob a presidência de Donald Trump, não pretendem mais disponibilizar à Otan. O documento também deixa claro que os americanos pretendem implementar essas reduções "o mais rápido possível".
A redução do compromisso americano afeta, obviamente, principalmente o chamado "modelo de forças da Otan", mecanismo que regula quais tropas a aliança pode mobilizar para uma frente de batalha com relativa rapidez, por exemplo, em um prazo de dez dias. O modelo também prevê cenários com um período de mobilização de até seis meses. Todos os países da Otan se comprometem contratualmente a especificar suas contribuições e os prazos que podem cumprir.
Menos aeronaves, drones e navios de guerra
Segundo a reportagem, é precisamente nesse ponto que os EUA pretendem realizar cortes. Washington quer reduzir o número de aeronaves-tanque mais antigas e retirar completamente seus modelos mais modernos da Otan.
O número de caças também será reduzido, e haverá uma diminuição significativa no número de drones - algo que os países europeus têm muita dificuldade de adquirir.
Além disso, os planos dos EUA em relação às forças navais da Otan parecem particularmente drásticos, com os americanos deixando de disponibilizar um grande número de esquadrões de cruzadores e destróieres.
O governo alemão reagiu com relativa calma à reportagem nesta sexta-feira (05/06). No entanto, ficou evidente na coletiva de imprensa em Berlim que a publicação do documento também irritou os militares alemães, como mostrou a declaração do porta-voz do Ministério da Defesa, coronel Mitko Müller.
"Os planos de defesa e o posicionamento das forças da Otan são classificados - e não apenas um pouco - como confidenciais, por um bom motivo", disse Müller.
O coronel observou que já era evidente há muito tempo que os EUA reduziriam seu compromisso com a Otan. "Que as nações europeias precisam fazer mais nesse sentido não é segredo há mais de três anos", pontuou.
Ao ser questionado sobre as especificações da lista americana, Müller acrescentou que "números e detalhes são discutidos apenas dentro da Otan, em um contexto confidencial. Portanto, não posso confirmar nem negar nada a respeito."
Tempo como fator crucial
Christoph Schmid, especialista em defesa do Partido Social Democrata (SPD) no Bundestag (Parlamento alemão), também se recusou a comentar os números específicos do documento. No entanto, ele disse à DW não estar particularmente alarmado com a lista.
Ele observou que não é apenas a extensão real das reduções nas capacidades militares que é crucial, mas sobretudo o prazo em que os EUA exigem que os europeus respondam.
"Não estamos falando apenas de possíveis lacunas, mas do prazo em que isso deve acontecer. Se nos derem mais de um, dois ou três anos, ou reduzirem suas capacidades e sistemas ao longo dos próximos cinco anos, será muito mais fácil para nós administrarmos a situação do que se a expectativa for de que isso seja feito em um ano", disse Schmid.
Trump deve participar da cúpula da Otan
Uma coisa é certa: a questão da redução do compromisso americano com a Otan será o tema principal da cúpula da aliança na Turquia, que começa em 7 de julho, assim como o tempo que os europeus terão para se adaptar.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou em uma reunião da Câmara dos Representantes dos EUA, em Washington, que o presidente Trump viajará à Turquia, acrescentando que a própria cúpula será "sem dúvida a mais importante da história da organização".
Rubio, então, proferiu a frase que desde então tem sido amplamente citada: "Ainda somos membros da Otan, mas a Otan precisa de mudanças profundas". Há "certas questões que precisam ser esclarecidas e resolvidas", sublinhou. É dado como certo que isso se refere à redução da presença militar americana dentro da aliança.