Haddad, Flávio, Marília: relembre candidatos que resistiram aos planos de seus partidos para 2026

Políticos passaram por momentos de resistência às articulações partidárias, mas tiveram desfechos diferentes na montagem das chapas em 2026

30 jul 2026 - 04h58
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e Fernando Haddad, candidato do partido ao governo de São Paulo
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e Fernando Haddad, candidato do partido ao governo de São Paulo
Foto: Ricardo Stuckert

A definição das chapas para as eleições de 2026 foi marcada por mudanças de rumo envolvendo alguns dos principais nomes da disputa. Fernando Haddad (PT), Marília Campos (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão entre os políticos que chegaram a afirmar que não pretendiam disputar os cargos para os quais acabaram sendo lançados ou resistiram a aceitar a missão defendida por seus partidos. Já o senador Cleitinho (Republicanos), que também relutou em definir se entraria na corrida, teve a candidatura ao governo de Minas Gerais descartada pelo Republicanos.

Relembre abaixo o cenário de cada um deles.

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Haddad mudou de posição após articulação de Lula

No início do ano, Fernando Haddad repetia que seu futuro não passava pelas urnas em 2026. O então ministro da Fazenda afirmava que já havia comunicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que não pretendia disputar nenhum cargo e dizia desejar um período afastado das campanhas eleitorais.

Em janeiro, chegou a afirmar que pretendia dedicar o próximo ciclo a "discutir um projeto de país no cenário internacional". Na mesma época, reforçou que já havia comunicado essa decisão diretamente ao presidente. "Disse a Lula, em todas as ocasiões, que não iria me candidatar em 2026, a todos os cargos."

Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Nos bastidores, porém, Lula defendia que o PT precisava de um nome competitivo para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, que lidera as pesquisas de intenção de voto, para garantir um palanque forte no estado com o maior eleitorado do país.

Em março, durante um evento do partido, Haddad foi anunciado como pré-candidato ao governo paulista na presença de Lula, do presidente nacional do PT, Edinho Silva, do presidente estadual da sigla, Kiko Celeguim, além de ministros. Na ocasião, o próprio presidente revelou que Haddad resistia à ideia de voltar imediatamente às disputas eleitorais e pretendia fazer uma pausa na vida política, mas acabou convencido a disputar o Palácio dos Bandeirantes.

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No fim de julho, o petista oficializou sua candidatura em Campinas, no interior de São Paulo. A chapa terá o ex-ministro Márcio França (PSB) como candidato a vice e enfrentará a tentativa de reeleição de Tarcísio, que tem chances de vencer ainda no primeiro turno, segundo apontam as pesquisas de intenção de votos.

Marília recusou disputar o governo e venceu a queda de braço

Em Minas Gerais, Lula também queria construir um palanque competitivo para sua campanha à reeleição. A preferência do presidente era que a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, concorresse ao governo estadual. A dirigente petista, entretanto, resistiu à proposta desde o início. Ela chegou a classificar como um "equívoco estratégico" a intenção do PT de lançar candidatura própria ao governo mineiro.

Depois de meses de negociações, prevaleceu a posição defendida por Marília. Em vez de disputar o Executivo estadual, ela será candidata ao Senado. Com a definição, o diretório mineiro do PT oficializou Patrus Ananias como candidato ao governo de Minas Gerais. O partido ainda definirá quem ocupará a vaga de vice na chapa.

O cenário mineiro é visto como um dos mais difíceis para o PT, em razão do crescimento da extrema direita no estado e por ser o berço político de um dos principais nomes do bolsonarismo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).

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Marília Campos, ex-prefeita de Contagem (MG) e candidata ao Senado pelo PT
Foto: Divulgação Instagram / Estadão

Flávio dizia mirar o Senado antes de ser escolhido por Bolsonaro

A candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro também nasceu após uma mudança de cenário. Em novembro de 2025, o senador afirmava que não cogitava disputar o Palácio do Planalto e dizia que seu objetivo era buscar a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro. "O meu nome não está na mesa. Eu pretendo ser candidato ao Senado no Rio de Janeiro. Nunca escondi isso de ninguém e não vou fazer um movimento para que isso aconteça", afirmou na ocasião.

O situação mudou quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, decidiu indicar o filho como seu sucessor na corrida presidencial. Neste mês, Flávio foi confirmado como candidato do PL à Presidência da República.

Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência pelo PL
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Poucos dias antes da convenção partidária, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, inclusive reconheceu que o senador chegou à disputa sem preparação prévia para uma campanha presidencial e ainda precisava construir alianças políticas.

"Temos interesse em muitos partidos, só que acontece o seguinte: o Flávio não estava preparado para ser candidato, então ele foi escolhido pelo Bolsonaro e ele não tinha feito uma estrutura, não tinha feito um trabalho antes para ser candidato à presidência da República. Ele foi escolhido, o Bolsonaro escolheu o Flávio e ele está agora que nós estamos conseguindo andar nesse assunto", afirmou durante uma entrevista.

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Cleitinho adiou decisão até o fim, mas Republicanos barrou candidatura

O caso mais recente envolve o senador Cleitinho, que liderava as pesquisas para o governo de Minas Gerais, mas teve a candidatura descartada pelo Republicanos nesta quarta-feira, 29. Desde o início das discussões, a possibilidade de disputar o Executivo estadual foi cercada por incertezas. Ainda em fevereiro, o parlamentar afirmava que só aceitaria entrar na corrida caso liderasse as pesquisas e se o deputado Nikolas Ferreira não fosse disputar o cargo.

O ambiente político também contribuía para as dúvidas. O próximo governador herdará uma situação fiscal delicada. Minas Gerais possui uma das maiores dívidas estaduais com a União, tema que domina o debate político local por seus impactos sobre investimentos, obras, reajustes salariais e as contas públicas.

Em discurso no Senado, em 10 de junho, Cleitinho voltou a condicionar sua decisão ao desempenho nas pesquisas. "Eu quero deixar bem claro que não tem nada, que eu não desisti, que não tem nada disso. Se for da vontade de Deus, como eu já cansei de falar, e da vontade do povo -- liderando pesquisa --, claro que eu quero ser um pré-candidato a governador. Mas depende de Deus e depende do povo, é o povo que vai decidir".

Líder nas pesquisas, senador Cleitinho não será candidato ao governo de MG, anuncia Republicanos
Foto: Ton Molina/Agência Senado

Após Nikolas Ferreira desistir da disputa e Mateus Simões (PSD) aderir ao projeto político de Romeu Zema, o PL passou a negociar o apoio à candidatura de Cleitinho para garantir um palanque em Minas Gerais para Flávio Bolsonaro. Inicialmente, o senador respondeu que só tomaria uma decisão "depois da Copa do Mundo". Mesmo após a eliminação do Brasil para a Noruega, em 5 de julho, ele permaneceu sem anunciar sua posição.

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Dias depois, voltou a afirmar que poderia decidir apenas até 5 de agosto, prazo final das convenções partidárias. "Se eu cheguei até aqui agora, foi Deus que me colocou aqui. Não foi grupo político, partido, dinheiro, empresário", disse. "Foi o povo que me colocou aqui. Se o Espírito Santo tocar meu coração e mandar eu vir, é o Espírito Santo e Deus que estão mandando eu vir", declarou.

Em 18 de julho, Cleitinho perdeu o irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia. A pessoas próximas, informou que estava de luto e sem condições de iniciar uma campanha. A ausência do senador na convenção estadual do Republicanos, realizada no último sábado, 25, aumentou as dúvidas sobre sua participação na disputa. Enquanto isso, Republicanos e PL passaram a discutir apoio ao nome de Marcelo Aro (PP).

Mesmo após a pesquisa Quaest divulgada na terça-feira, 28, mostrar Cleitinho na liderança da corrida ao governo mineiro -- resultado que levou o senador a publicar um vídeo feito com inteligência artificial em que seu pai e seu irmão falecidos apareciam incentivando sua candidatura --, o desfecho foi outro. Na manhã desta quarta-feira, 29, o Republicanos informou ao Terra que, por decisão do partido, Cleitinho não disputará o governo de Minas Gerais. 

Com a definição das candidaturas nas convenções partidárias, a campanha eleitoral entra agora na reta oficial. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro. Nos estados e cargos em que nenhum candidato alcançar a maioria dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.

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Genial/Quaest: Tarcísio lidera contra Haddad em cenários de 1º e 2º turno em SP
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Fonte: Portal Terra
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