Líder nas pesquisas, Cleitinho não será candidato ao governo de MG, anuncia partido
Ausência do senador na convenção encerra meses de expectativa sobre a disputa em Minas e leva partido a reorganizar sua estratégia eleitoral
Líder nas pesquisas de intenção de voto, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) não será candidato ao governo de Minas Gerais. A decisão, confirmada ao Terra pelo próprio partido, frustra os planos do PL, que contava com o parlamentar para encabeçar o palanque de Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, no Estado.
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"A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos -- apesar das justificativas pessoais -- representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral", disse o Republicanos em comunidado.
O anúncio ocorre um dia após o senador publicar um vídeo no qual indicava que concorreria ao governo de Minas Gerais. A publicação utilizou imagens geradas por inteligência artificial para mostrar o parlamentar ao lado do pai, José Maria Azevedo, e do irmão, Matheus Azevedo -- ambos já falecidos. No diálogo, os parentes incentivavam Cleitinho a disputar o governo do Estado. "Seguirei na missão", dizia a legenda da publicação.
O Terra tenta contato com a assessoria do parlamentar.
O posicionamento da sigla também vem após o Republicanos de Minas Gerais realizar, no sábado, 25, uma convenção estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na qual oficializou as candidaturas do partido à Assembleia Legislativa, à Câmara dos Deputados e ao Senado. Principal nome cotado para disputar o governo do Estado, Cleitinho, porém, não teve a candidatura homologada por não ter participado do evento. O senador estava de luto pela morte do irmão mais novo, vítima de leucemia, ocorrida uma semana antes.
"Candidatura exige decisão firme"
Ainda em nota enviada ao Terra, o Republicanos de Minas Gerais, por meio de seu presidente, o deputado Euclydes Pettersen, afirmou que sempre tratou com "entusiasmo, respeito e seriedade" a possibilidade de o senador Cleitinho disputar o governo do Estado pela legenda. Segundo a sigla, esse entusiasmo, no entanto, não foi correspondido até a Convenção Estadual.
O partido disse que, durante meses, manteve diálogo aberto com o senador, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara sobre a candidatura. Em razão dessa expectativa, acrescentou, diversas decisões estratégicas foram postergadas para preservar a viabilidade de uma eventual candidatura de Cleitinho.
"Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo", afirmou o Republicanos.
A legenda acrescentou que "trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer", mas considerou que faltou "decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo".
Por fim, o Republicanos afirmou que respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas ressaltou que tem o dever de conduzir seu projeto político com "responsabilidade, previsibilidade e respeito" aos candidatos a deputado federal e estadual, aos filiados, aliados e à população mineira. "Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la", concluiu a nota.
Senador aparecia na liderança da disputa em Minas
O anúncio do Republicanos também acontece em um cenário no qual Cleitinho liderava as pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais. Levantamento Genial/Quaest divulgado nesta terça-feira, 28, sobre o cenário eleitoral no Estado apontava que o senador seguia à frente nos cenários de primeiro e segundo turno da disputa estadual.
O senador liderava as intenções de voto em todos os cenários de primeiro turno e venceria seus adversários em um eventual segundo turno, segundo a pesquisa. Ele aparecia com 35% das intenções de voto.
Contra Alexandre Kalil, Cleitinho venceria por 44% a 29% dos votos. Em uma disputa contra Patrus Ananias (PT), o senador do Republicanos teria vantagem de 46% a 31%. Já contra o governador Mateus Simões (PSD), a diferença seria de 46% contra 15%.
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