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Política

Clima de festa, ministro relutante e Lula em clima de campanha: os bastidores da pré-candidatura de Haddad a SP

Evento com jingles, militância e forte discurso político marcou início da pré-candidatura de Fernando Haddad

19 mar 2026 - 22h57
(atualizado às 23h24)
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Lula elogiou Alckmin em evento de lançamento de Fernando Haddad como pré-candidato ao governo de São Paulo
Lula elogiou Alckmin em evento de lançamento de Fernando Haddad como pré-candidato ao governo de São Paulo
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

O lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, nesta sexta-feira, 19, foi marcado por um clima de celebração e forte tom eleitoral já desde as primeiras horas do dia. Ao longo da agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um discurso de campanha, com críticas a adversários e defesa de seu governo, sinalizando que a disputa de 2026 já começou nos bastidores.

Clima de festa e militância

No evento realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, o ambiente lembrava atos tradicionais do PT. Antes da entrada das principais lideranças, jingles de campanhas anteriores de Lula, adaptados em ritmo de funk, animaram o público.

Quando Haddad entrou no palco, foi recebido sob aplausos e coro da militância: “Ele é de luta, é professor, ele é o Haddad governador”. Também subiram ao palco Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, além dos presidentes do PT, Edinho Silva e Kiko Celeguim, e ministros do governo.

Lula em modo campanha desde cedo

O tom eleitoral não ficou restrito ao evento da noite. Desde a manhã, Lula já vinha adotando um discurso mais combativo, com críticas à atuação internacional dos Estados Unidos e ao cenário econômico global. Durante a primeira agenda do dia, na abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo, voltou a mirar Donald Trump ao afirmar que “não se pode ter alguém que acha que é dono do mundo e decide tomar um país”. Lula também criticou o recente bombardeio ao Irã, classificando o conflito como “uma guerra sem necessidade”, e defendeu o respeito à soberania dos países. 

O presidente ainda relacionou a escalada de tensões no Oriente Médio aos impactos na economia brasileira, especialmente sobre os juros e o preço dos combustíveis. Segundo ele, a guerra tem pressionado o valor do petróleo no mercado internacional, o que, por sua vez, influencia decisões como a redução mais tímida da taxa Selic. Lula afirmou que o governo está atento ao cenário para evitar distorções e reforçou que “o mundo precisa de educação, de paz e de comida, não de guerra”.

As críticas de Lula a Donald Trump também acontecem em meio a uma escalada de tensão entre os dois países. Nos bastidores, lideranças do PT avaliam que a proposta do governo americano de classificar facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas pode representar uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras de 2026. A leitura dentro do partido é de que a medida, além de levantar preocupações sobre soberania nacional, pode influenciar o debate político interno e fortalecer pautas da oposição no país. 

Recentemente, inclusive, Lula revogou o visto de Darren Beattie, aliado de Trump. O assessor tinha viagem prevista ao Brasil, incluindo uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas teve a entrada barrada após decisão do governo brasileiro, que apontou omissão e falseamento de informações no pedido de visto. A visita já havia sido suspensa anteriormente por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Discurso com tom nacional

No palco, Haddad adotou um discurso que extrapolou a política estadual e mirou o cenário internacional, reforçando o alinhamento com Lula. Em grande parte da fala, o ministro fez elogios ao presidente e destacou seu papel no cenário global. “É muito importante que a gente reapresente, neste ano, o presidente Lula para o Brasil e para o mundo como a voz da ponderação e da paz”, afirmou, sinalizando que pretende dar um caráter nacional à disputa em São Paulo, com ênfase também em soberania.

Resistência inicial e cenário desafiador

A entrada de Haddad na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes ocorre em um cenário adverso. O atual governador Tarcísio de Freitas lidera com folga as pesquisas de intenção de voto, o que, nos bastidores, foi um dos fatores que fizeram o ministro resistir inicialmente à candidatura.

A relutância foi confirmada pelo próprio Lula durante o evento. Segundo o presidente, Haddad manifestou o desejo de se afastar temporariamente da política após anos consecutivos de disputas eleitorais, mas acabou convencido a entrar na corrida pelo governo paulista.

Presença de aliados e articulação ampla

O evento reuniu uma ampla frente de aliados políticos. Além de Lula e Haddad, estiveram presentes nomes como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o deputado estadual Eduardo Suplicy, o ministro da Educação Camilo Santana e o deputado e ministro-chefe da Secretaria da Presidência Guilherme Boulos.

Também marcaram presença lideranças de partidos aliados, como PCdoB, PV e PSB, reforçando a tentativa de construção de uma base ampla para enfrentar a reeleição de Tarcísio.

Fonte: Portal Terra
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