PT anuncia Haddad como pré-candidato ao governo de SP
Anúncio ocorreu em evento com a presença do presidente Lula, dos dirigentes partidários, além de ministros do governo
O PT oficializou, nesta sexta-feira, 19, o nome de Fernando Haddad como pré-candidato ao governo de São Paulo. O anúncio ocorreu em evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos dirigentes partidários Edinho Silva e Kiko Celeguim, além de ministros do governo.
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A coletiva de imprensa que marcou o lançamento da pré-candidatura foi realizada à noite, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.
Levantamento do Datafolha, divulgado em 12 de março, indica que, embora o atual governador Tarcísio de Freitas lidere em todos os cenários de intenção de voto, Haddad aparece como o principal concorrente. O governador soma 44% das intenções, enquanto o petista registra 31%.
Ao falar sobre a disputa em São Paulo, o ministro reforçou sua disposição de concorrer e a importância do projeto político. “Eu vou disputar essa eleição para ganhar. Esse projeto para mim é muito importante. A vitória política é sempre possível”, declarou. Ele também defendeu mudanças no estado. “O estado precisa despertar”.
Haddad também abordou o cenário internacional e a instabilidade política no mundo. “Nós estamos em um ano muito delicado no mundo inteiro. A crise internacional fica cada vez mais grave por conta da falta de lideranças sensatas”, disse. Segundo ele, o contexto global é marcado por incertezas. “Todo mês surge uma notícia ruim. Ora é um tarifácio, ora é uma guerra, ora uma intervenção. Você nunca sabe qual vai ser a manchete do dia seguinte”.
Fernando Haddad ainda voltou a destacar a necessidade de apresentar propostas concretas diante de um cenário global instável. “Falta gente séria, falta gente capaz de fazer a humanidade voltar a sonhar com dias melhores”. Para ele, além de disputar eleições, é fundamental construir um projeto consistente. “Nós não temos só um projeto para a cidade, para o Estado ou para o país, temos também a responsabilidade de apontar caminhos diante dos desafios do mundo”.
Edinho Silva defendeu a centralidade de São Paulo no projeto nacional do partido e apresentou Haddad como o nome para liderar esse processo. “O Brasil terá que escolher qual país vamos construir: o caminho da paz e do diálogo ou do autoritarismo e da violência. É impossível mudar o Brasil sem mudar São Paulo”, afirmou. Segundo ele, Haddad é “o ministro mais exitoso do governo Lula, um quadro preparado, professor e educador, que se mostrou um líder capaz de fazer as mudanças econômicas que o povo brasileiro tanto precisava”.
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou a experiência e a qualificação do pré-candidato. “Poucas pessoas estão tão bem preparadas: professor, grande ministro, prefeito de uma grande metrópole como São Paulo”, declarou. Ele acrescentou que Haddad é “uma pessoa vocacionada para servir o estado de São Paulo, com condições de ser um grande governador”.
Haddad volta às urnas após três reveses eleitorais
Agora oficialmente pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Haddad chega à disputa após acumular três derrotas consecutivas em eleições. A mais recente ocorreu em 2022, quando foi superado por Tarcísio de Freitas.
O ministro da Fazenda no governo de Lula, cargo que ocupa até esta sexta-feira, Haddad também foi ministro da Educação entre 2005 e 2012, durante as gestões do petista e de Dilma Rousseff.
Sua estreia nas urnas aconteceu em 2012, quando venceu a disputa pela Prefeitura de São Paulo ao derrotar José Serra no segundo turno.
Quatro anos depois, em 2016, tentou a reeleição em um cenário marcado por denúncias contra o PT e pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff. Na ocasião, terminou em segundo lugar, com 16,70% dos votos válidos, enquanto João Doria foi eleito no primeiro turno, com 53,29%.
Em 2018, Haddad voltou ao cenário eleitoral ao assumir a candidatura presidencial no lugar de Lula, que estava inelegível por condenações posteriormente anuladas no âmbito da Operação Lava Jato. Ele chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Jair Bolsonaro, que venceu com 55,13% dos votos válidos, contra 44,87%.
A terceira derrota veio em 2022, na disputa pelo governo paulista. Apesar de liderar as pesquisas antes do primeiro turno, Haddad terminou atrás de Tarcísio no pleito de 2 de outubro. O adversário, apoiado por Bolsonaro, confirmou a vitória no segundo turno.
Ainda assim, o desempenho marcou a primeira vez em 20 anos que o PT chegou ao segundo turno em São Paulo. A última havia sido em 2002, quando José Genoino foi derrotado por Geraldo Alckmin, com 41,36% dos votos contra 58,64%.
Em seu discurso, Fernando Haddad fez uma reflexão sobre o significado das disputas eleitorais e destacou a diferença entre derrota eleitoral e política. “Em uma eleição, você pode sofrer uma derrota eleitoral, todos nós aqui já passamos por isso, já ganhamos e já perdemos. Mas uma derrota política você não precisa ter”, afirmou. Ele acrescentou que o essencial é ter clareza de posicionamento: “O mais importante é saber de que lado você está, com quem vai lutar, por quem vai brigar e qual plano vai apresentar”.