O candidato Ronaldo Caiado (PSD) é o segundo entrevistado da série de sabatinas promovidas pela TV Globo na noite desta terça-feira, 25, com os presenciáveis. Durante a entrevista, evitando contato visual com os jornalistas e "engolindo" a bancada, ignorando as interrupções, ele compara Lula com Bolsonaro, diz que projeto de anistia é para pacificar o Brasil e discute soberania.
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Em entrevista conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo, a primeira questão levantada foi a da anistia. Tralli questionou se Caiado pretende seguir adiante com a ideia de propor anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro e para quem ela seria voltada: aos que invadiram a sede dos Três Poderes, aos financiadores, ou a Jair Bolsonaro e militares que foram condenados por tentativa de golpe de Estado, ou a todos eles.
Sem responder diretamente, Caiado afirmou que tem a responsabilidade de anistiar. "Eu tenho uma formação. Sou um democrata na essência. Sou um homem que jamais transigi das regras da democracia. Já ganhei eleições, já perdi eleições. Nunca contestei resultados."
“O traço do brasileiro não é de construir o ódio, de revanche eterno. Isso é histórico no Brasil. Desde o império você tem anistia [...] O que eu quero dizer nesse momento é que nós precisamos acabar com essa polarização, temos que pacificar o país. Ninguém aguenta mais essa situação. Esse clima está criando, como sempre, esse processo de um contra o outro”, disse.
Nisso, ele garantiu que irá encaminhar ao Congresso Nacional um projeto para que haja uma anistia geral e ampla. "Da mesma maneira, que, de uma forma especial, o STF [Supremo Tribunal Federal] concedeu ao presidente Lula", afirmou, comparando Lula a Bolsonaro.
Na sequência, usou como exemplo Juscelino Kubitschek, que concedeu anistia em 1956 neste mesmo propósito de pacificar o país. "Mas parte daqueles anistiados por Juscelino, oito anos depois, ajudaram a promover o golpe de 64", pontuou Renata, que foi ignorada por Caiado. O candidato reafirmou que seu papel é encaminhar o projeto de anistia ao Congresso, que irá deliberar sobre o assunto.
Os jornalistas questionaram Caiado sobre os depoimentos em torno dos processos da trama golpista, como os que confirmavam a existência do plano Punhal Verde Amarelo -- que tinha como foco o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Alexandre de Moraes -- e quais seriam os efeitos de uma anistia a partir disso. Ele se esquivou de responder.
Segurança Pública e soberania
Uma das propostas de Caiado é criar uma nova polícia na América do Sul, unificada, para combater o narcotráfico. Renata o questionou sobre como ele pretende convencer governos a criarem uma polícia conjunta em um ano com questões de soberania tão evidentes, com intervenções estrangeiras gerando instabilidade -- citando o caso da invasão do governo Trump à Venezuela no início do ano.
"O que nós precisamos é que um Presidente da República tenha estatura de um Presidente da República. Que ele realmente saiba a função dele como Presidente da República. E mais do que nunca, é nós buscarmos aquilo que é fundamental para nós entendermos que o Brasil não é produtor de cocaína. E que nós, estamos hoje, sediando na Amazônia brasileira o maior hub de narcotráfico, com facções brasileiras do PCC, do CV, da Venezuela, da Colômbia, do México...", começou. "O único lugar de resistência, o único nicho que tem para traficante na América do Sul é no Brasil. Aqui é o resort do narcotráfico. O Brasil é a Disneylândia do narcotráfico", alegou o candidato.
Caiado embalou suas falas ignorando tentativas de interrupção de Renata e evitando olhar diretamente para os jornalistas.
Para ele, essa polícia poderia entrar no Brasil por estar "tudo combinado". "Eu vou criar uma polícia, que essa polícia vai poder entrar, desde que seja tratando de assunto de contrabando de armas, lavagem de dinheiro, drogas. Você não precisa ter limite. Você vai passar para outros países e eles também terão toda a liberdade de adentrar o Brasil. Isso não compromete soberania", explicou.
Caiado compara sua ideia à Europol, a agência de aplicação da lei da União Europeia dedicada a coordenar o trabalho policial entre os 27 países membros do bloco europeu no combate ao crime transnacional. Tralli pontua que a Europol não pode fazer prisões, e que seu poder é mais voltado ao compartilhamento de informações.
*Matéria em atualização
Quando os outros candidatos serão entrevistados?
As entrevistas tiveram início na segunda-feira, 24, com Romeu Zema (Novo). O candidato defendeu anistia a Bolsonaro, disse ser contra a obrigatoriedade de vacina, e sofreu mais de 10 interrupções de Renata e Tralli.
Agora, após Ronaldo Caiado (PSD), a cronologia das entrevistas segue a seguinte ordem sorteada:
- 26/8 (quarta-feira) - Renan Santos (Missão)
- 27/8 (quinta-feira) - Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- 28/8 (sexta-feira) - Flávio Bolsonaro (PL)
- 29/8 (sábado) - Augusto Cury (Avante)
O esquema é sempre o mesmo: cada entrevista tem 40 minutos de duração, com dois blocos, e com um minuto para considerações finais no encerramento. Foram convidados os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de intenções de voto.