Deixar as diferenças de lado foi um dos pedidos feitos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro a seus eleitores, conforme escrito em carta lida por Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente, neste sábado, 11. A manifestação foi feita em meio a uma briga pública entre o senador e sua madrasta, Michelle Bolsonaro, que tem provocado um racha interno na direita. A carta, em que Bolsonaro diz que Flávio é seu "porta-voz", não cita em nenhum momento o nome de Michelle -- o filho também não mencionou o nome da madrasta em nenhum momento ao longo da live de 20 minutos. Leia a carta na íntegra abaixo.
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Antes de ler a carta, Flávio contava sobre a dinâmica de visitas ao seu pai, que segue em prisão domiciliar. No encontro matinal deste sábado, ele disse ter atualizado seu pai sobre as notícias da última semana -- e já começou a falar sobre falta de unidade. "A gente continua mais forte do que nunca, apesar dos ataques que vêm acontecendo. E muitas vezes da nossa falta de unidade", comentou o senador, citando "tudo que é orquestrado para boicotar a nossa candidatura".
Após alguns minutos, ele realiza a leitura da carta, na qual Bolsonaro diz dever lealdade ao povo brasileiro. O ex-presidente argumenta que escreveu a carta "em um momento de decisão para o futuro de todos". Em recado aos seus eleitores, o ex-presidente frisa ser um momento de se empenhar pela pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, "a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento". Além disso, reforça que o filho é seu porta-voz.
Flávio repete algumas vezes que a carta contém "recados importantes". Ao comentar o material, ele frisa: "É uma pessoa que está aqui, mais uma vez, demonstrando qual é a direção que a gente tem que seguir". Ele cita haver "muita especulação acontecendo, muitas pessoas que parecem que estão boicotando a candidatura".
Ainda sem citar nomes, Flávio agradece ao pai por estar sendo colocado como o porta-voz da família nas próximas eleições presidenciais. "É importante pra evitar que existam aí, né, falas conflituosas ou direções diferentes... que, por ventura, alguém pode estar seguindo em paralelo à nossa pré-campanha", diz.
Enquanto comentava sobre a importância do apoio dos eleitores nesse momento, Flávio coloca mais uma vez o pedido de união na boca do pai: "É ele [Jair Bolsonaro] mais uma vez pedindo unidade, pedindo que deixemos diferenças menores de lado pra que a gente possa combater o verdadeiro inimigo do Brasil", diz, em referência ao atual governo Lula.
Racha na direita
A relação entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro tem passado por atritos, com o desgaste entre eles escalando após a ex-primeira-dama publicar, no fim de junho, um vídeo em que ataca o enteado. Ela disse ter sido desrespeitada e maltratada, e se posiciona contra estratégias políticas envolvendo alianças do PL.
Em um primeiro momento, Flávio disse que não iria comentar o caso por ser dia de jogo – no caso, Michelle publicou o vídeo em meio à partida do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo. Mas, no dia seguinte, ele pediu desculpas a Michelle e negou tê-la desrespeitado com relação à aliança do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
Depois, Michelle voltou a comentar o caso, disse que não haver briga e que não tinha "raiva de ninguém”. Segundo ela, apenas "esclareceu uma situação que estava sendo deturpada". Mesmo assim, dias após o desentendimento, ela deixou de seguir os enteados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-RJ) no Instagram. Em paralelo, no dia 30 de junho, ela anunciou que deixou a presidência do PL Mulher.
O cabo de guerra entre os dois segue, inclusive com Michelle tendo compartilhado conteúdos sobre uma suposta festa sexual organizada por Daniel Vorcaro, do escândalo financeiro do Banco Master. O ato foi interpretado como uma cutucada em Flávio, que tem relações com o banqueiro investigadas pela Polícia Federal. O senador respondeu à provocação e a chamou de “desinformada” por insinuar que ele participaria de eventos do tipo.
Flávio afirmou que está aberto para conversar com a ex-primeira-dama, e que aguarda o momento em que ela vestirá a camisa de sua campanha. "No final das contas, tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil que é o atual governo", disse.
Conforme levantado na pesquisa política do Atlas/Bloomberg mais recente, divulgada no início do mês, a maior parte do eleitorado bolsonatista escolhe Flávio. Entre os dois, Flávio Bolsonaro é a opção de 81,9% dos eleitores de Jair Bolsonaro ouvidos na pesquisa. Já a ex-primeira-dama é a preferência de 14,7%. Outros 2,1% afirmaram escolher nenhum dos dois, e 1,4% não souberam opinar. A pesquisa foi egistrada sob o protocolo BR-04582/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Prisão de Bolsonaro e visitas de Flávio
O ex-presidente está em prisão domiciliar desde março e pode receber visitas de Flávio às quartas-feiras e sábados, por duas horas, das 8h às 10h da manhã. Na visita de hoje, Flávio conta ter atualizado Jair sobre como anda sua pré-campanha e falou sobre como seguem "mais fortes que tudo". A respeito do estado de saúde do pai, o senador diz que ele está "firme e forte, na medida do possível".
A prisão domiciliar temporária, que foi renovada no último dia 3, conta com restrições. Entre elas, Bolsonaro não pode usar aparelhos celulares ou qualquer outro meio de comunicação externa. Redes sociais também não podem ser utilizadas, diretamente ou por intermédio de terceiros. O Terra questionou ao STF se a leitura da carta segue as normas, mas não teve retorno até o momento.
Leia a carta na íntegra
Brasília, 11 de julho de 2026
Carta aos brasileiros.
Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo em um momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixar de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio, o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade.
Um afetuoso abraço a todos, na certeza de que juntos tudo faremos pela nossa pátria.
Deus, pátria, família e liberdade. Assina, Jair Bolsonaro.