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Em embate com Michelle, Flávio Bolsonaro é escolha de 81,9% do eleitor bolsonarista para disputar a Presidência, aponta pesquisa

Atlas/Bloomberg aponta que maior parte do eleitorado de direita fica do lado de Flávio no racha interno após vídeo publicado por Michelle

2 jul 2026 - 07h01
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Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro protagonizam desintendimento em meio a pré-campanha para a Presidência da República
Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro protagonizam desintendimento em meio a pré-campanha para a Presidência da República
Foto: Reprodução/Instagram @michellebolsonaro/Agência Senado

Entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro para concorrer à eleição presidencial deste ano, o eleitorado bolsonarista escolhe Flávio. É o que revela a nova pesquisa do Atlas/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira, 2, em meio ao racha interno da direita que ganhou novo fôlego com a repercussão de um vídeo publicado por Michelle com ataques ao senador. 

Entre os dois, Flávio Bolsonaro é a opção de 81,9% dos eleitores de Jair Bolsonaro -- que segue preso e inelegível -- ouvidos na pesquisa. Já a ex-primeira-dama é a preferência de 14,7%. Outros 2,1% afirmaram escolher nenhum dos dois, e 1,4% não souberam opinar. 

Considerando dados demográficos deste público, Flávio é a principal escolha das mulheres (86,9%), e também se destaca entre os homens (74,9%). Michelle, por sua vez, é preferida entre 19,8% dos homens e 10,8% das mulheres.

Quando o assunto é lealdade, eleitores bolsonaristas consideram Flávio o mais leal, com 79% dos participantes considerando que ele tem “lealdade total”. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, aparece com 72%, seguido de outras figuras políticas como Nikolas Ferreira (67%), Tarcísio de Freitas (58%), e então Michelle Bolsonaro (54%). 

O público em geral, considerando eleitores e não eleitores de Jair Bolsonaro, vê a situação de outra forma. Flávio Bolsonaro é apontado como o mais leal por 38,3% dos entrevistados, mas outros 30,9% acreditam que Flávio e Michelle são fiéis por igual. Michelle é considerada mais fiel por 15,5%. Outros 15,3% disseram não saber responder.

Vídeo publicado e o desenrolar da crise

A relação entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro sempre foi marcada por atritos, mas o desgaste entre eles escalonou após a ex-primeira-dama publicar um vídeo em que ataca o enteado. Ela diz ter sido desrespeitada e maltratada, e se posiciona contra estratégias políticas envolvendo alianças do Partido Liberal (PL). O conteúdo foi publicado no último dia 24 e fez barulho, evidenciando um racha interno na direita bolsonarista. 

Michelle diz que foi ‘maltratada’ e ‘humilhada’ por Flávio Bolsonaro ao expor briga nas redes sociais: 'Apunhalada':

Em um primeiro momento, Flávio disse que não iria comentar o caso por ser dia de jogo – no caso, Michelle publicou o vídeo em meio à partida do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo. Mas, no dia seguinte, ele pediu desculpas a Michelle e negou ter a desrespeitado com relação à aliança do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará: “Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”.

Michelle voltou a comentar o caso, disse que não há briga e que “não tem raiva de ninguém”. Segundo ela, apenas "esclareceu uma situação que estava sendo deturpada". Mesmo assim, dias após o desentendimento, ela deixou de seguir os enteados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-RJ) no Instagram. Em paralelo, na última terça-feira, 30, ela anunciou que vai deixar a presidência do PL Mulher.

O cabo de guerra entre os dois segue, inclusive com Michelle tendo compartilhado conteúdos sobre uma suposta festa sexual organizada por Daniel Vorcaro, do escândalo financeiro do Banco Master. O ato foi interpretado como uma cutucada em Flávio, que tem relações com o banqueiro investigadas pela Polícia Federal. O senador respondeu à provocação e a chamou de “desinformada” por insinuar que ele participaria de eventos do tipo. 

Como os eleitores da família Bolsonaro têm encarado toda essa situação? Segundo a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira, 65,6% dos bolsonaristas que assistiram ao vídeo de depoimento de Michelle não concordam com a publicação do material. Outros 26,5% concordam e 7,8% não souberam responder.

A maioria dos eleitores de Jair Bolsonaro (54,6%) também não acredita na acusação que Michelle levantou contra Flávio Bolsonaro, de que ele teria sido grosseiro, desrespeitoso e a humilhado. Outros 29,9% acreditam, e 15,6% não opinaram.

No geral, a maior parte do eleitorado bolsonarista, com base nos respondentes da pesquisa, fica do lado de Flávio nesse desentendimento (43,2%). Em paralelo, 17,3% concordam com a posição de Michelle Bolsonaro e 33% dizem concordar parcialmente com ambos. Outros 5,9% não responderam.

Especificamente sobre a divergência com relação ao apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) para o governo do Ceará – que Michelle foi contrária e Flávio a favor –, a maior parte dos bolsonaristas concorda com a posição do senador (53,9%). Outros 36,7% seguem o posicionamento de Michelle, e 9,5% não responderam.

Considerando todos os respondentes que assistiram ao vídeo, sendo bolsonaristas ou não, a maioria entende que a exposição em questão enfraquece a candidatura de Flávio à Presidência: 37,8% acreditam que enfraquece muito e 26,3% que enfraquece um pouco. Para 22,4%, a situação não afeta. Já outros 7,1% entendem que fortalece muito e 2,1% que fortalece pouco. 4,4% não responderam.

Sobre a motivação por trás do vídeo, 38,6% acreditam se tratar de um possível desejo de Michelle Bolsonaro em ser candidata à Presidência no lugar de Flávio. Outros 28,5% acreditam que foi apenas uma forma de expor divergências políticas e pessoais, e 22,3% que foi uma forma dela tentar aumentar seu poder político dentro do partido. 10,7% não souberam responder.

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Mais sobre a pesquisa 

A pesquisa Atlas/Bloomberg registrada sob o protocolo BR-04582/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi realizada entre os dias 26 e 30 de junho, mediante recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. A amostra foi de 4.999 respondentes com 16 anos ou mais. Os entrevistados são de todas as regiões do Brasil e foram recrutados organicamente enquanto navegavam pela internet.

Na mesma pesquisa, como noticiado pelo Terra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece liderando o primeiro turno com 46,3% das intenções de voto para reeleição à Presidência da República – frente ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 36%. O petista performa como o favorito em todos os cenários elencados na pesquisa, também vencendo Flávio em um eventual segundo turno.

Em um primeiro cenário de primeiro turno, Lula fica com 46,3% das intenções de voto, seguido de Flávio Bolsonaro com 36,6% e de Renan Santos (Missão), com 7,8%. Depois aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 2,9%; Romeu Zema (Novo), com 2%, e Joaquim Barbosa (DC), com 1%.

Com menos de 1% das intenções de voto foram elencados Aécio Neves (PSDB), Samara Martins (UP), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Rui Costa Pimenta (PCO). Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) apareceram com 0%. Os votos brancos ou nulos somaram 1,1% e outros 0,1% constam como "não sei".

Considerando as edições da pesquisa feitas neste ano, essa é a em que Lula aparece mais descolado de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. No levantamento divulgado nesta quarta, o petista recebeu 48,8% das intenções de voto contra 42,3% de Flávio, com brancos e nulos em 8,9%.

Atlas/Bloomberg: Lula tem 46,3% de intenções de voto no 1º turno; Flávio fica com 36,6%:
Fonte: Portal Terra
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