Criticado por postura durante apagão, prefeito de Berlim desiste da reeleição

10 jul 2026 - 17h05

Após admitir ter jogado tênis durante apagão que afetou 100 mil pessoas na capital alemã e ser acusado de mentir sobre esforços para conter problema, conservador Kai Wegner anuncia que não vai disputar mais um mandato.O prefeito de Berlim, Kai Wegner, anunciou nesta sexta-feira (10/07) que desistiu de sua candidatura à reeleição após acumular críticas pela forma como lidou com um grande apagão ocorrido na capital alemã em janeiro.

"Cometi erros de comunicação", disse Kai Wegner se referindo ao apagão que deixou cerca de 45 mil residências sem energia
"Cometi erros de comunicação", disse Kai Wegner se referindo ao apagão que deixou cerca de 45 mil residências sem energia
Foto: DW / Deutsche Welle

Wegner, do partido conservador União Democrata Cristã (CDU), governa a capital em coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, desde 2023, mas seus índices de aprovação vinham caíndo desde o início do ano.

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No primeiro semestre, o prefeito admitiu que havia disputado uma partida de tênis na tarde de 3 de janeiro, justamente quando a capital sentia os efeitos de um incêndio criminoso a uma central elétrica que deixou 100 mil moradores da cidade sem energia em meio a uma onda de frio, com o apagão se estendendo por vários dias em alguns bairros.

Quando a partida veio à tona, Wegner disse que havia jogado tênis para "esclarecer as ideias", enfurecendo os eleitores da capital. No entanto, Wegner ainda manteve a candidatura.

Mas nesta semana finalmente veio a pá de cal, quando Wegner foi acusado de mentir sobre sua reação inicial na manhã do apagão. À época da queda de energia, ele havia dito à imprensa que havia entrado em contato por volta de 8h da manhã com equipes de gestão de crise para lidar com o problema. No entanto, uma reportagem do jornal Tagesspiegel publicada na terça-feira apontou que o próprio gabinete do prefeito não tinha registros de ligações feitas antes de 12h45.

Três dias depois da má repercussão das revelações da reportagem, Wegner desistiu de continuar na disputa pela prefeitura da cidade-Estado de Berlim. A eleição na está marcada para 20 de setembro, e Wegner afirma que pretende continuar no cargo até a escolha de um novo prefeito.

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"Não consigo mais transmitir minha mensagem porque outro debate está ofuscando tudo", disse Wegner nesta sexta-feira. "Sim, cometi erros de comunicação", acrescentou, se referindo ao incidente que deixou cerca de 45 mil residências e aproximadamente 2,2 mil empresas sem energia por quase uma semana no auge do inverno.

Ele não opinou sobre quem deveria substituí-lo como principal candidato da CDU para a eleição. O atual secretário das Finanças, Stefan Evers, é considerado o favorito para assumir a candidatura conservadora.

CDU despenca nas pesquisas

A CDU - mesmo partido do chanceler federal Friedrich Merz - venceu de maneira a eleição de Berlim de 2023, com 28,2% dos votos. Wegner, no entanto, vem perdendo apoio desde o apagão.

Os problemas de Wegner em Berlim refletem os de Merz, que também enfrenta índices de aprovação desfavoráveis. O chanceler tem lutado para reverter a economia alemã em declínio ou conter o crescimento do partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que detém ampla vantagem em outros dois estados do leste que também têm eleições regionais marcadas para setembro.

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A AfD também vem ganhando terreno em Berlim, mas Wegner disse nesta sexta-feira que estava particularmente preocupado com a força do partido A Esquerda na cidade, que lidera algumas pesquisas.

Wegner disse que estava se afastando em parte na esperança de que seu partido pudesse recuperar terreno e "impedir uma aliança de esquerda" liderada pelo partido, que é o sucessor do antigo Partido Socialista Unificado, que governou a antiga Alemanha Oriental.

Esquerda favorita, ultradireita cresce

A última pesquisa Infratest dimap, de 1º de julho, mostrou a CDU em quarto lugar, com apenas 17%, o que levou membros da legenda a soar o alarme e se mobilizarem contra Wegner.

O político de 53 anos afirmou que pretende permanecer no cargo até que uma nova coalizão seja formada após a eleição de 20 de setembro.

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A disputa pela prefeitura de Berlim continua extremamente acirrada, com o A Esquerda liderando com 20% das intenções de voto, um ano depois de ter ficado surpreendentemente em primeiro lugar na capital nas eleições federais do ano passado.

O Partido Verde está em segundo lugar com 19%, seguido pela AfD, com 18%. O SPD aparece em quinto, com 13%.

Apagão

Segundo as autoridades, a causa do apagão de janeiro que desgastou Wegner foi um ataque meticulosamente planejado a uma central termelétrica a gás no sudoeste da capital. Cabos de energia foram destruídos deliberadamente por meio de dispositivos incendiários, deixando muitos domicílios sem luz, aquecimento e água quente em pleno inverno, ruas às escuras, linhas ferroviárias interrompidas e extensas interrupções na internet. Berlim estava coberta de neve com temperaturas atingindo até -10 °C.

Promotores federais alemães anunciaram que os suspeitos pelo ataque estão sendo investigados por "pertencimento a uma organização terrorista, sabotagem, incêndio criminoso e interrupção de serviços públicos". A responsabilidade foi reivindicada por uma rede extremista de esquerda que se autointitula como Grupo Vulcão. A polícia e a administração de Berlim consideram a reivindicação verdadeira.

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rc (DPA, AFP)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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