Dino acaba com "salário de castigo": Juízes que cometerem crimes perderão o cargo e a remuneração

A nova decisão altera a punição máxima para magistrados, extinguindo a aposentadoria remunerada em casos de violação disciplinar severa

16 mar 2026 - 17h24

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, estabeleceu nesta segunda-feira (16) que o Conselho Nacional de Justiça deve aplicar a perda definitiva do cargo como a sanção máxima para magistrados que cometerem violações disciplinares graves. Com essa medida, a polêmica aposentadoria compulsória, que permitia ao juiz afastado continuar recebendo salário proporcional ao tempo de serviço, deixa de ser a punição principal para os casos de maior gravidade no ordenamento jurídico nacional.

Ministro Flávio Dino durante sessão de julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal
Ministro Flávio Dino durante sessão de julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal
Foto: Antonio Augusto/STF / Perfil Brasil

Mudança na punição máxima para magistrados

A decisão de Dino ataca diretamente uma das maiores críticas feitas ao sistema judiciário, frequentemente rotulada como um privilégio. Segundo o ministro, a pena de aposentadoria compulsória não cabe no ordenamento jurídico vigente para sancionar crimes. Flávio Dino argumenta que casos graves, à luz da Constituição, devem ser punidos com a perda do cargo, que, por conta da vitaliciedade, depende de ação judicial. Ele reforçou seu posicionamento de forma clara ao escrever que não faz mais sentido que os magistrados fiquem imunes a um sistema efetivo de responsabilidade disciplinar, com a repudiada e já revogada aposentadoria compulsória punitiva.

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O papel do STF na perda do cargo de juiz

A nova estrutura de punição define um rito rigoroso para que um magistrado seja efetivamente desligado de suas funções sem remuneração. O ministro fixou que a perda do cargo tem que ser obrigatoriamente julgada pelo Supremo Tribunal Federal. Em suas palavras, se a perda do cargo for aprovada pelo CNJ, a ação deve ser ajuizada diretamente no Supremo Tribunal Federal, pelo órgão de representação judicial do CNJ, isto é, a Advocacia Geral da União. Dino ainda acrescentou que, caso a conclusão administrativa pela perda do cargo do magistrado for de um tribunal, o processo deve ser enviado ao CNJ, seguindo-se o rito subsequente perante o STF.

Impacto nas decisões do Tribunal de Justiça

O caso que motivou essa decisão histórica envolve um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que atuava na Comarca de Mangaratiba. O magistrado foi alvo de processo após o CNJ comprovar condutas graves, como o favorecimento de grupos políticos e o direcionamento de ações para beneficiar policiais militares envolvidos com milícias. Antes dessa nova interpretação, a defesa do magistrado tentava anular a aposentadoria compulsória, mas agora o entendimento sobre a severidade das penas ganha um novo patamar de rigor e transparência para toda a sociedade brasileira.

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