Trump não ameaçou prender Lula; postagem distorce declaração do governo dos EUA

COMUNICADO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO QUE CITOU OPORTUNIDADES DADAS PARA O BRASIL 'FAZER O CERTO' ESTÁ RELACIONADO À REVOGAÇÃO DO VISTO DE EMBAIXADORA BRASILEIRA

13 ago 2026 - 09h31

O que estão compartilhando: uma publicação alegando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o governo Lula teve todas as oportunidades para "fazer o certo" e que a "paciência acabou". Sobre as fotos dos dois presidentes, legendas dão a entender que o norte-americano pretende prender o brasileiro antes das eleições.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Não há registros públicos de que Trump tenha feito as afirmações alegadas na postagem, e o governo norte-americano não ameaçou prender Luiz Inácio Lula da Silva.

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Veículos de imprensa brasileiros e internacionais noticiaram que uma declaração no sentido apresentado na postagem foi feita em um comunicado do Departamento do Estado americano, mas este nada tem a ver com uma suposta tentativa de capturar o presidente. Os americanos declararam que deram "ao governo brasileiro todas as oportunidades para fazer a coisa certa" em relação ao impasse diplomático que resultou na revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Saiba mais: a imagem aqui checada foi publicada no Facebook em 6 de agosto, dois dias após o governo Trump revogar o visto da embaixadora.

A decisão foi uma retaliação pela demora do Brasil em aprovar Daniel Perez para o cargo de embaixador em Brasília. O nome é uma indicação de Trump. Também foi levada em consideração a recusa do Brasil em conceder vistos a dois diplomatas americanos que pretendiam visitar o País antes das próximas eleições.

Veículos como CNN Brasil, BBC, The Guardian e New York Times noticiaram que um comunicado do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a decisão informou que foram dadas ao governo brasileiro "todas as oportunidades para fazer a coisa certa", mas que o Brasil "continuou a protelar e a obscurecer a situação".

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Ao Estadão, o Departamento de Estado afirmou que a decisão foi uma resposta recíproca às ações do Brasil. As autoridades disseram que a medida havia sido adiada várias vezes para dar a Lula margem para recuar, o que ele não fez.

O órgão também disse que a embaixadora do Brasil não foi declarada persona non-grata, mas que ainda há outras opções para retaliações diplomáticas e que, caso ela saia do território americano, precisará solicitar um novo visto.

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No dia 7, o Senado dos Estados Unidos aprovou o nome de Daniel Perez como futuro embaixador americano no Brasil, mas ele ainda não pode assumir o cargo porque continua sem consentimento do governo Lula. Como foi informado pelo Estadão, o Palácio do Planalto não pretende concluir análise de nenhum embaixador até o fim das eleições.

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Em meio à crise com os Estados Unidos, Lula afirmou que pretende buscar uma nova conversa direta com Trump, que ignorou a praxe diplomática de consultar o governo brasileiro antes de enviar o nome de Perez para tramitação no Senado.

Não há ordem de prisão dos Estados Unidos contra Lula

O risco de uma invasão americana no Brasil virou tema de debate público após a classificação, em junho, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.

Quem acredita nessa possibilidade traça um paralelo com o que ocorreu na Venezuela, onde um ataque dos Estados Unidos resultou na prisão do ex-ditador Nicolás Maduro.

O Venezuelano, contudo, responde a acusações criminais no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, o que não é o caso de Lula.

Maduro foi apontado pelos Estados Unidos como um dos líderes do Cartel dos Sóis, que foi declarado como organização terrorista pelo país em novembro de 2025. Naquele ano, o governo americano chegou a oferecer 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão do ex-ditador.

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