O que estão compartilhando: que somente dois homens do Brasil têm celulares que "impenetráveis", que nem a Polícia Federal (PF) consegue acessar: Adélio Bispo, agressor do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. A quebra de sigilo de aparelhos de Adélio foi autorizada dias após o atentado à faca contra Bolsonaro. A PF analisou horas de arquivos e concluiu que Adélio agiu sozinho. Já o celular de Vorcaro foi apreendido em 17 de novembro na Operação Compliance Zero. A PF realiza o trabalho de perícia e já apontou indícios de que o empresário coordenou ações de influenciadores para defender o Banco Master. Leia mais abaixo.
Saiba mais: A postagem compartilhada no perfil do Instagram deputado estadual por Santa Catarina Alex Brasil (PL) acumulou mais de 15 mil curtidas. Ele foi procurado, mas não respondeu.
A alegação de que a PF não teria conseguido acessar o celular de Adélio Bispo circulou em outros formatos e foi desmentida antes pelo Estadão Verifica.
Justiça pericia aparelho de Vorcaro e encontrou indícios de ação coordenada com influenciadores
A postagem usa uma notícia publicada pelo portal Metrópoles, que informou que o celular de Vorcaro tinha "segurança pesada" e que ele não deu a senha do aparelho à PF.
Mas isso não quer dizer que a PF não conseguiu acessar o celular. O que o Metrópoles informa é que o empresário usa um iPhone 17 Pro Max, que tem a tecnologia considerada a mais segura do mercado. Além disso, foi adicionada uma camada adicional de proteção ao aparelho.
Mesmo sem a senha e com as camadas de segurança, a Polícia conseguiu acessar o dispositivo e realiza perícia no aparelho. O portal de notícias g1 explicou que a PF é o único órgão com equipamento capaz de acessar o conteúdo de um aparelho, mesmo que ele esteja sem senha e desligado.
No celular de Vorcaro, a PF encontrou indícios de que o banqueiro teria ordenado diretamente ações virtuais de influenciadores para defender o Banco Master, atacar autoridades e criticar jornalistas. Como mostrou o Estadão, em uma análise inicial foram encontrados diálogos dele ordenando essas ações. A defesa de Vorcaro nega as acusações.
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A quebra de sigilo de quatro celulares e um notebook usados por Adélio foi autorizada pela Justiça em 8 de setembro de 2018, dois após o atentado à faca contra Bolsonaro, na época candidato às eleições daquele ano. Vinte dias depois, a Polícia Federal divulgou o relatório do primeiro inquérito, que apontou que Adélio agiu sozinho e por inconformismo político.
Segundo notícias da época, foram analisadas 2 terabytes de arquivos de imagens, 350 horas de vídeo, 600 documentos e 700 gigabytes de volume de dados de mídia, 1.200 fotos e 40 mil enviados e recebidos em contas registradas por Adélio.
Em 2020, a PF concluiu um segundo inquérito, que descartou a hipótese de que o crime tivesse ligação com "agremiações partidárias, facções criminosas, grupos terroristas ou paramilitares".
O último depoimento de Adélio à Justiça foi em 19 de agosto de 2019. A Defensoria Pública da União, que presta assessoria jurídica à Adélio, informou ao Verifica em uma checagem anterior que "não foi informada de novidades na investigação". Ou seja: não há novos desdobramentos sobre o caso.
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