O cão comunitário Negão, baleado por um policial militar na noite de terça-feira (27), em Campo Bom, no Vale do Sinos, segue internado em uma clínica veterinária e apresenta quadro de saúde estável. O animal foi atingido por munição não letal durante uma abordagem da Brigada Militar no bairro Barrinha e, após a recuperação, ficará disponível para adoção. Segundo a ONG Campo Bom Pra Cachorro, Negão é castrado, dócil e bastante conhecido pela comunidade, tendo inclusive sido resgatado durante a enchente de 2024, quando permaneceu cerca de 50 dias abrigado em um ginásio junto a outros animais.
De acordo com o veterinário responsável pelo atendimento, o disparo causou ferimentos na pele e na musculatura das patas traseiras do cão, mas não atingiu tendões nem ossos. Negão consegue ficar em pé, está se alimentando bem e não corre risco de perder os membros. O tratamento consiste em cuidados com feridas abertas, uso de antibióticos, anti-inflamatórios e medicação para dor, além de higienização diária, com previsão de internação entre sete e dez dias. Os custos do atendimento estão sendo cobertos por doações arrecadadas pela ONG, que enfrenta dificuldades financeiras e mantém uma campanha aberta nas redes sociais.
Além dos cuidados com o animal, a ONG e ativistas buscam a responsabilização do policial envolvido. Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil e uma reunião com a promotoria do município está prevista. A Brigada Militar afirma, em nota, que o cão teria investido contra a guarnição e mordido uma policial, o que teria motivado o disparo com munição não letal. Já a Secretaria da Segurança Pública informou que determinou a apuração imediata dos fatos, que será conduzida pela Corregedoria-Geral da Brigada Militar.