'Fui treinando na base do ódio mesmo': Estudante nota 1.000 no Enem 2025 conta como se preparou para a redação

Maria Clara, de 18 anos, escrevia uma redação por semana e estudou repertórios de vários temas durante a preparação para o exame

29 jan 2026 - 04h58
Resumo
Maria Clara Cunha Seraphim, carioca de 18 anos, obteve nota 1.000 na redação do Enem 2025 utilizando referências ao filme "A Substância" e o livro "O Capital" de Karl Marx. A jovem destacou a importância do apoio familiar e do estudo estratégico.
Maria Clara Cunha Seraphim, de 18 anos, tirou 1.000 na redação do Enem 2025
Maria Clara Cunha Seraphim, de 18 anos, tirou 1.000 na redação do Enem 2025
Foto: Arquivo pessoal

Muito surpresa e sem acreditar. Foi assim a reação da carioca Maria Clara Cunha Seraphim, de 18 anos, ao ver que tirou 1.000 na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025. "Parecia que a nota ia sumir dali", lembra. Para o texto, que tinha como tema as "perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira", a estudante usou uma série de repertórios: o filme A Substância, vencedor de um Oscar no ano passado, o livro O Capital, de Karl Marx, além da forma como Dom Pedro II era retratado nos quadros. 

"Confesso que fiquei assustada com o tema, nunca tinha escrito nada como 'as perspectivas'", revela Maria Clara em entrevista ao Terra. Segundo a carioca, ter feito um estudo prévio de argumentos e repertórios de diversos temas durante a preparação para o exame, no entanto, foi o que a fez conseguir manter a tranquilidade na hora de escrever.

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A Substância foi um dos filmes mais comentados em 2024 e 2025. A obra, da francesa Coralie Fargeat, conta a história de Elisabeth, uma atriz que já foi muito famosa. Aos 50 anos, ela recebe a notícia de que será trocada por uma atriz mais jovem na apresentação de um programa de ginástica. Com isso, a atriz entra em crise e decide usar uma substância que promete torná-la "a melhor versão de si mesma", mais jovem e mais bonita. Já o livro O Capital traz uma análise sobre o funcionamento do capitalismo. 

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Uma redação por semana

Natural do Rio de Janeiro (RJ), a jovem prestou o Enem três vezes, sendo uma como treineira. No ano passado, após já ter se formado no ensino médio, ela fez o cursinho pré-vestibular no pH. Como ela já tinha aprendido a estrutura da redação na escola e em aulas particulares feitas antes, a preparação em 2025 teve como foco treinar o texto semanalmente e estudar com as correções que recebia dos professores.

"Fazia uma redação por semana, sempre esperando a correção da mais recente para não repetir os mesmos erros", afirma. "Fui treinando na base do ódio mesmo, de errar coisas bobas e me esforçar pra não repetir", acrescenta a jovem.

Maria Clara destaca que, com os estudos, sua redação mudou bastante ao longo dos anos. "Lembro que não sabia de muitas coisas básicas na argumentação e na conclusão no primeiro ano que fiz o Enem, mas minha nota subiu progressivamente."

Para a estudante, treinar muito redação e ter conhecimento da estratégia de prova que funcionava melhor para ela foram alguns diferenciais que contribuíram para que conseguisse a nota máxima na redação. Ela diz que primeiro escreveu o texto inteiro e só depois seguiu para as questões do Enem. Maria Clara ainda ressalta a importância de não seguir fórmulas prontas na hora de escrever.

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"Além de limitar a escrita e o entendimento da argumentação, muitas vezes deixando o texto fraco ou sem coesão, o corretor com certeza percebe. Escrever sempre tem que ser fluído, na minha opinião, em qualquer dinâmica", explica a estudante. 

Maria Clara escrevia uma redação por semana no ano passado
Foto: Arquivo pessoal

Diagnóstico de TDAH e apoios

No ano passado, Maria Clara também recebeu o diagnóstico tardio de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) -- o que fez toda a diferença para ela entender os motivos de ser tão difícil seguir uma rotina consistente de estudos. 

"No meu ano no pH, aprendi a me organizar com tutoriais e descobri meu diagnóstico na metade do ano. Quando comecei a entender como meu cérebro trabalhava melhor, disparei nos estudos e consegui focar muito mais", detalha a estudante.

Durante toda a preparação para o Enem, a carioca reforça a importância do suporte da família e amigos para o bom desempenho. "Meus pais sempre me deram todo o apoio possível, tanto me incentivando a cada dia quanto me consolando entre crises de ansiedade. Foram eles quem me viram chorar muitos dias por autocobrança. Meu namorado e minhas amigas também sempre estiveram lá pra mim, torcendo e comemorando todos os dias por minhas conquistas. Todos foram essenciais pra minha trajetória."

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Maria Clara conta que o desempenho nas outras áreas do conhecimento do Enem também foram "satisfatórios" e, com a nota obtida, pretende tentar uma vaga no ensino superior no curso de Direito. "Acredito que consigo passar", afirma a jovem.

Fonte: Portal Terra
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