Maria Clara Cunha Seraphim, carioca de 18 anos, obteve nota 1.000 na redação do Enem 2025 utilizando referências ao filme "A Substância" e o livro "O Capital" de Karl Marx. A jovem destacou a importância do apoio familiar e do estudo estratégico.
Muito surpresa e sem acreditar. Foi assim a reação da carioca Maria Clara Cunha Seraphim, de 18 anos, ao ver que tirou 1.000 na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025. "Parecia que a nota ia sumir dali", lembra. Para o texto, que tinha como tema as "perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira", a estudante usou uma série de repertórios: o filme A Substância, vencedor de um Oscar no ano passado, o livro O Capital, de Karl Marx, além da forma como Dom Pedro II era retratado nos quadros.
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"Confesso que fiquei assustada com o tema, nunca tinha escrito nada como 'as perspectivas'", revela Maria Clara em entrevista ao Terra. Segundo a carioca, ter feito um estudo prévio de argumentos e repertórios de diversos temas durante a preparação para o exame, no entanto, foi o que a fez conseguir manter a tranquilidade na hora de escrever.
A Substância foi um dos filmes mais comentados em 2024 e 2025. A obra, da francesa Coralie Fargeat, conta a história de Elisabeth, uma atriz que já foi muito famosa. Aos 50 anos, ela recebe a notícia de que será trocada por uma atriz mais jovem na apresentação de um programa de ginástica. Com isso, a atriz entra em crise e decide usar uma substância que promete torná-la "a melhor versão de si mesma", mais jovem e mais bonita. Já o livro O Capital traz uma análise sobre o funcionamento do capitalismo.
Uma redação por semana
Natural do Rio de Janeiro (RJ), a jovem prestou o Enem três vezes, sendo uma como treineira. No ano passado, após já ter se formado no ensino médio, ela fez o cursinho pré-vestibular no pH. Como ela já tinha aprendido a estrutura da redação na escola e em aulas particulares feitas antes, a preparação em 2025 teve como foco treinar o texto semanalmente e estudar com as correções que recebia dos professores.
"Fazia uma redação por semana, sempre esperando a correção da mais recente para não repetir os mesmos erros", afirma. "Fui treinando na base do ódio mesmo, de errar coisas bobas e me esforçar pra não repetir", acrescenta a jovem.
Maria Clara destaca que, com os estudos, sua redação mudou bastante ao longo dos anos. "Lembro que não sabia de muitas coisas básicas na argumentação e na conclusão no primeiro ano que fiz o Enem, mas minha nota subiu progressivamente."
Para a estudante, treinar muito redação e ter conhecimento da estratégia de prova que funcionava melhor para ela foram alguns diferenciais que contribuíram para que conseguisse a nota máxima na redação. Ela diz que primeiro escreveu o texto inteiro e só depois seguiu para as questões do Enem. Maria Clara ainda ressalta a importância de não seguir fórmulas prontas na hora de escrever.
"Além de limitar a escrita e o entendimento da argumentação, muitas vezes deixando o texto fraco ou sem coesão, o corretor com certeza percebe. Escrever sempre tem que ser fluído, na minha opinião, em qualquer dinâmica", explica a estudante.
Diagnóstico de TDAH e apoios
No ano passado, Maria Clara também recebeu o diagnóstico tardio de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) -- o que fez toda a diferença para ela entender os motivos de ser tão difícil seguir uma rotina consistente de estudos.
"No meu ano no pH, aprendi a me organizar com tutoriais e descobri meu diagnóstico na metade do ano. Quando comecei a entender como meu cérebro trabalhava melhor, disparei nos estudos e consegui focar muito mais", detalha a estudante.
Durante toda a preparação para o Enem, a carioca reforça a importância do suporte da família e amigos para o bom desempenho. "Meus pais sempre me deram todo o apoio possível, tanto me incentivando a cada dia quanto me consolando entre crises de ansiedade. Foram eles quem me viram chorar muitos dias por autocobrança. Meu namorado e minhas amigas também sempre estiveram lá pra mim, torcendo e comemorando todos os dias por minhas conquistas. Todos foram essenciais pra minha trajetória."
Maria Clara conta que o desempenho nas outras áreas do conhecimento do Enem também foram "satisfatórios" e, com a nota obtida, pretende tentar uma vaga no ensino superior no curso de Direito. "Acredito que consigo passar", afirma a jovem.