Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, contradisse o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a visita a Daniel Vorcaro, após a primeira prisão do ex-dono do Banco Master, em novembro de 2025. Ele afirmou em entrevista à GloboNews que o filho de Jair Bolsonaro foi até lá para "ver se conseguia o restante do dinheiro" para financiar o filme Dark Horse.
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“Foi visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro. [Vorcaro] estava sendo investigado, não foi condenado a nada”, declarou à emissora em uma entrevista nesta segunda-feira, 25.
No entanto, na última terça-feira, 19, Flávio afirmou a jornalistas que esteve na casa do banqueiro para "pôr ponto final nessa história", em referência à negociação para o pagamento da produção cinematográfica sobre seu pai.
"Eu estive com ele mais uma vez, após esse evento [primeira prisão de Vorcaro] quando ele passou a usar monitoramento eletrônico e não podia sair da cidade de São Paulo. Eu fui, sim, ao encontro dele para colocar um ponto final nessa história. [Fui] dizer que, se ele tivesse avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito tempo, e o filme não correria risco. Foi uma grande dificuldade arrumar outros investidores", disse na ocasião.
Mas a história não se sustentou quando o dirigente do PL entrou ao vivo na GloboNews. "Nós não temos dúvida que ele passou dos limites e foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez no país, mas o que o Flávio fez é normal. Visitar o Vorcaro também, porque o Vorcaro tinha ajudado ele. E ele queria terminar a relação com o Vorcaro: 'Olha, vai me pagar? Você vai pagar o restante? Dá pra pagar o restante?'", narrou.
Valdemar Costa Neto também declarou que soube da relação e da conversa entre Flávio e Vorcaro pela primeira vez pela imprensa. Ele ainda disse que após o caso vir à tona, foi realizada uma reunião no partido para ver como Flávio responderia. “Ele [Flávio Bolsonaro] disse que teve [a reunião] porque tinha necessidade de arrecadar dinheiro para o filme do pai", explicou.
O presidente do partido também disse que não vê problema no dinheiro do banqueiro ser usado na cinebiografia de Bolsonaro. “Eu acho que se o Flávio tivesse pedido o dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica Federal, teria problema, porque seriam órgãos públicos", completou.
Ainda segundo Valdemar, a relação entre o banqueiro e Flávio não implica na pré-candidatura do senador à Presidência da República. “Ele é o candidato do Bolsonaro e nós vamos até o fim nessa história porque ele vai ganhar as eleições. A Michele está fora de questão. Ela não é candidata à Presidência", bateu o martelo.
Relação de Flávio e Vorcaro
Na semana passada, o site Intercept Brasil revelou mensagens por escrito e áudio entre Flávio e o dono do Banco Master. Nos diálogos, o senador pedia dinheiro a Vorcaro para ajudar a bancar a produção de um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O áudio é do dia 8 de setembro de 2025, dias antes da condenação de Bolsonaro pela trama golpista. Na mensagem, o senador enviou um áudio diretamente a Vorcaro, em que cobra um saldo pendente e alerta para o risco de paralisação da produção do filme.
Na gravação, Flávio diz ficar sem graça por cobrar Vorcaro, mas que havia preocupação com a possibilidade de atraso no pagamento de profissionais internacionais ligados à produção do longa. Dias antes do áudio, em 3 de setembro, a compra do Banco Master pelo BRB foi rejeitada pelo Banco Central.
Flávio voltou a procurar Vorcaro em outras ocasiões. Nas mensagens obtidas pelo Intercept, Flávio escreve ainda a Vorcaro: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs." A mensagem teria sido enviada no dia 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco. O Master foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025.