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O que Flávio Bolsonaro diz sobre encontro com Vorcaro após primeira prisão do banqueiro do Master

O senador e pré-candidato à Presidência negociou com Vorcaro investimento milionário em filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Banqueiro foi preso acusado de comandar fraude bilionária.

19 mai 2026 - 13h46
(atualizado às 15h01)
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Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro investimento em filme sobre seu pai
Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro investimento em filme sobre seu pai
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), confirmou nesta terça-feira (19/5) que se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro após ele ter sido preso pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero.

A ligação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro veio à tona na semana passada depois que o portal The Intercept Brasil revelou um áudio em que o senador pede dinheiro a Vorcaro para financiar parte de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Estive com ele mais uma vez após esse evento [a prisão], quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e ele não podia sair da cidade de São Paulo", disse Flávio a jornalistas na saída de uma reunião do senador com a bancada de deputados e senadores do PL, na sede da legenda, em Brasília.

"Fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, dizer que se ele tivesse me dito que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco."

A informação de que o senador se encontrou com Vorcaro após sua primeira prisão foi revelada pelo portal Metrópoles.

Desde a semana passada, quando veio à tona o áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro, o senador tem feito declarações minimizando a possível divulgação de outros contatos feitos entre ele e o banqueiro.

"É legitimo que pensem dessa forma [sobre novos vazamentos], mas não tem nada diferente do filme. Pode vazar um 'videozinho' mostrando o estúdio que eu possa ter enviado pra ele, algum encontro que eu possa ter tido com ele, foi tudo para tratar sobre o filme, não vai ter surpresinha", afirmou em entrevista à emissora CNN Brasil.

Vorcaro foi preso pela primeira vez no dia 18 de novembro de 2025. Ele é investigado por crimes contra o sistema financeiro nacional. Em 28 de novembro, ele foi posto em liberdade após uma decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Em 4 de março, ele foi preso novamente em mais uma etapa da Operação Compliance Zero. Desde então, ele já passou por diferentes presídios até ser transferido para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília, onde aguarda negociações sobre um possível acordo de colaboração premiada.

Pedido de dinheiro a Vorcaro

A ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro veio à tona no dia 13 de maio, quando o portal The Intercept Brasil divulgou um áudio enviado por Flávio ao banqueiro em que o parlamentar pede uma posição sobre repasses supostamente combinados entre eles para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.

De acordo com uma reportagem, o repasse total seria de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época. Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido de fato liberados entre fevereiro e maio de 2025.

Em uma das mensagens divulgadas pelo Intercept, enviada um dia antes da primeira prisão do banqueiro, Flávio chama Vorcaro de "irmã" e diz: "Estou e estarei contigo sempre".

Daniel Vorcaro está preso desde março, quando foi detido pela segunda vez, acusado de ter comandado fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. No momento, ele negocia um acordo de colaboração premiada.

Inicialmente, Flávio Bolsonaro tentou negar a existência do contato.

Na manhã do dia 13 de maio, Flávio Bolsonaro foi questionado presencialmente pelo Intercept sobre o pedido a Vorcaro e negou o vínculo. "De onde você tirou essa informação? É mentira".

Depois que a reportagem foi publicada, no entanto, Flávio Bolsonaro admitiu a negociação e negou ter praticado qualquer irregularidade no pedido de financiamento para o filme.

Ele disse defender a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as suspeitas envolvendo Vorcaro.

"No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet", disse uma nota divulgada por Flávio.

"Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme", continuou.

O senador disse ainda que não ofereceu nada em troca do financiamento.

"Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master Já", disse ainda.

A admissão por Flávio Bolsonaro de que teve alguma proximidade com Daniel Vorcaro contradiz declarações do presidenciável sobre o caso Master.

Desde que as investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro vieram à tona, Flávio Bolsonaro se posicionou tentando vincular o caso à esquerda e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em uma entrevista repostada por ele em suas redes sociais no dia 23 de março, o senador negou supostas conexões de Vorcaro com sua família ou com a direita.

Ele classificou as suspeitas como "narrativa falsa que o Lula tem criado".

"A gente defende a CPI do Banco Master, a gente já assinou um impeachment de ministro, a gente tá vendo uma investigação avançar e mostrando que o círculo do Lula, muito próximo a ele [...] é que estão no cerne do início desse grande esquema de roubalheira que tá dando nojo a todo o país", diz no vídeo, negando que a delação de Daniel Vorcaro poderia atingir a direita.

"O lulopetismo baiano está no DNA do caso Master. Não tem nem como tentar esconder, esse esquema é a cara da esquerda", afirmou.

Em outras postagens em suas redes sociais, o pré-candidato à Presidência seguiu associando o caso Master ao PT e à esquerda.

"Os lulapetistas têm muito a explicar. Eles são Masters em esquemas esquisitos e suspeitos", disse o parlamentar no dia 25 de março.

Após a revelação do áudio em que ele pede dinheiro a Vorcaro,

"Os deputados do PT não assinaram. Só que agora não dá mais para segurar. Aí vem o teatro", diz. "E eu te pergunto: Será que o PT tá contra a CPI porque envolve políticos da Bahia que eles controlam a mais de 20 anos? Ou será porque a família do Jaques Wagner, líder do PT, recebeu 11 milhões em uma empresa ligada ao caso?"

"A verdade é simples, o PT não quis investigar, tentou travar, mas não conseguiu", afirma ainda o senador.

Em uma postagem de 10 de maio, Flávio volta a dizer que o escândalo do Banco Master "é do Lula": "O Banco Master é do Lula. Escândalo do INSS é do Lula, assim como o Mensalão foi do Lula, Petrolão foi do Lula", disse.

Seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também mudou suas versões a respeito do financiamento do filme sobre seu pai.

Na quinta-feira (14/5), Eduardo, que vive no Texas (EUA) desde o ano passado, negou ter tido participação na gestão financeira do filme. Sua declaração aconteceu após a revelação de que a Polícia Federal estaria investigando a possibilidade de que os repasses feitos por Vorcaro ao filme estivessem bancando despesas do ex-parlamentar nos Estados Unidos.

No dia seguinte, porém, o site The Intercept Brasil publicou uma reportagem citando documentos que apontavam Eduardo Bolsonaro como um dos gestores financeiros do projeto.

Após a publicação da reportagem, Eduardo publicou um vídeo nas redes sociais admitindo que assinou um contrato com a produtora do filme para garantir a participação de um diretor de Hollywood, quando o filme "ainda era um sonho".

Ele diz ainda ter usado recursos próprios para isso e que só foi colocado como diretor-executivo da obra por sugestão da produtora.

"Eu peguei R$ 350 mil e transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei para os Estados Unidos. Por quê? Para garantir o contrato com um diretor de Hollywood para que ele pudesse fazer o roteiro, começar a rascunhar, desenhar essa história que lá na frente, se conseguíssemos um investidor, ou um grupo de investidores, fazer o filme acontecer", afirmou.

Impacto eleitoral

Após a revelação dos vínculos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, novas pesquisas de intenção de voto foram divulgadas e realizadas. Uma delas, do instituto Atlas Intel, aponta uma queda no percentual de eleitores que votaria em Flávio Bolsonaro.

A pesquisa, divulgada na terça-feira (19/5) aponta uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro. Dessa maneira, Lula lidera tanto o primeiro quanto o segundo turno, segundo a pesquisa.

Na última pesquisa do instituto, Flávio aparecia com 39,7% das intenções de voto no primeiro turno. Agora, ele aparece com 34,3%.

Lula, por sua vez, oscilou para cima 0,4 ponto percentual.

Na simulação de segundo turno, a queda de Flávio foi de seis pontos percentuais. Na última pesquisa, ele aparecia com 47,8% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Lula. Agora, ele aparece com 41,8%, enquanto Lula 48,9%.

Com a divulgação da pesquisa, Lula também ultrapassou Flávio no cenário de segundo turno apontado pelo Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.

Desenvolvida em parceria com a consultoria PollingData, o Agregador da BBC News Brasil mostra Lula à frente também no cenário de primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, na segunda posição, e Romeu Zema (Novo) em uma terceira colocação disputada de perto com Renan Santos (Missão).

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