É enganoso o vídeo que afirma que o TSE reduziu a quantidade de urnas em 2026 para prejudicar a votação no Nordeste. Dados oficiais mostram que o total de urnas em seções subiu de 472.075 em 2022 para 499.248 em 2026 — um aumento de 27.173 unidades. A tese de aumento na abstenção também é falsa, já que a taxa caiu na região e em Caetés (PE). As filas pontuais decorreram do maior número de cargos em disputa, e não da falta de equipamentos, conforme esclareceu a Justiça Eleitoral.
O que estão compartilhando: que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teria diminuído a quantidade de urnas nas eleições presidenciais deste ano em relação ao pleito de 2022. Em vídeo, um homem afirma que a diferença seria de 1.093 equipamentos a menos, o que teria prejudicado a votação no Nordeste e provocado abstenções devido às filas que se formaram.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O número de urnas eletrônicas disponibilizadas para votação nas eleições de 2026 foi maior do que o registrado em 2022. Dados do portal de estatísticas eleitorais do TSE mostram que, na última eleição presidencial, foram destinados 472.075 equipamentos às seções eleitorais. Neste ano, o total chegou a 499.248, o que representa 27.173 unidades a mais em relação ao pleito anterior. Os números em questão consideram a quantidade informada na aba seções principais, que corresponde a uma urna eletrônica. O tribunal confirmou as informações à reportagem.
A Justiça Eleitoral explica (aqui) que o número de seções instaladas é diferente da quantidade de urnas disponíveis. Isso porque há equipamentos de reserva para eventuais substituições durante a votação.
Saiba mais: O conteúdo verificado utiliza o total de seções eleitorais registradas nas eleições municipais de 2024 para sustentar a alegação de que o TSE teria reduzido a quantidade de urnas no pleito deste ano. Na gravação, o autor do vídeo afirma, de maneira enganosa, que em 2022 havia 500.341 urnas, enquanto neste ano, o número seria de 499.248.
Conforme informado pelo TSE ao Verifica, nas eleições de 2022, estavam disponíveis 577.125 urnas eletrônicas, das quais 63.145 eram destinadas à contingência e à reserva técnica. Naquele ano, 472.075 equipamentos foram destinados à votação nas seções eleitorais.
Para as eleições deste ano, estão disponíveis 563.910 urnas. Desse total, 499.248 estão destinadas à votação, enquanto 64.662 ficam como contingência e reserva técnica, para substituir equipamentos em caso de necessidade.
Segundo o tribunal, o total de equipamentos disponíveis inclui, além das urnas destinadas às seções principais e à contingência, aquelas mantidas em reserva técnica no TSE e nos próprios Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).
O vídeo verificado utiliza a alegação de redução na quantidade de urnas para afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido prejudicado pelo suposto aumento da abstenção no Nordeste, especialmente em Caetés, município do Agreste de Pernambuco, onde nasceu o petista. Essa relação, no entanto, não se sustenta.
De acordo com o TRE-PE, a abstenção no estado foi de 18,17%, praticamente o mesmo percentual de 2022, que foi de 18,20%. No Nordeste, houve redução de 19,5% para 18,4%. Já na cidade de Caetés, a abstenção passou de 26,4% na última eleição presidencial, para 25,2%, em 2026.
Em nota que desmente a alegação do vídeo (aqui), o tribunal regional explicou que houve formação de filas em parte das seções eleitorais de Pernambuco no fim do dia da votação. Um dos fatores que contribuíram para o aumento do tempo de votação foi a escolha de seis cargos neste ano, contra cinco em 2022, devido à eleição de dois senadores.
"O levantamento da Secretaria de Tecnologia da Informação mostra que metade das urnas recebeu eleitores até as 17h30 ou pouco depois. Ao mesmo tempo, 94% dos equipamentos tiveram a votação encerrada até as 19h", informou o tribunal.
Ao Verifica, o autor da gravação, Rivaldo Soares, questionou os dados do TSE e a agregação de seções. Sem apresentar provas, ele afirmou que as urnas e os eleitores foram manipulados. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), a agregação ocorre quando, por motivos específicos, seções eleitorais se juntam a outras, fazendo com que seus eleitores votem na mesma urna eletrônica.