O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que o ritmo das obras de infraestrutura no estado dependerá do cenário fiscal nacional, admitindo desacelerar projetos perante incertezas econômicas. Em evento do setor, manifestou preocupação com as contas públicas do País, cobrou ajustes urgentes e comparou o risco atual ao do governo Dilma. Tarcísio também defendeu investimentos estruturantes em vez de medidas de apelo político imediato e reiterou apoio ao fim da reeleição.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), condicionou nesta terça-feira, 25, o avanço da agenda de infraestrutura no Estado ao cenário fiscal do País. "O que vai definir o ritmo daquilo que nós vamos fazer nos próximos anos é o cenário nacional", disse Tarcísio.
O governador declarou que, em meio ao indicativo de uma possível desaceleração da economia, tem se questionado se é o momento de "segurar" determinados projetos. "Podemos fazer muita coisa, agora vai depender muito também do rumo que o País vai tomar", afirmou o governador.
Tarcísio participou, nesta terça-feira, 25, em São Paulo, de um fórum promovido pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), que reuniu representantes de empresas como Siemens e Motiva, antiga CCR.
Durante o evento, o governador afirmou que São Paulo tem uma carteira de projetos, mas é preciso ter tranquilidade para colocá-los na rua. O governador afirmou que nutre uma "preocupação enorme" com a situação fiscal no País e defendeu que os candidatos à Presidência deixem claro qual encaminhamento pretendem dar à questão fiscal.
O governador, que tem mantido distância estratégica da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), não citou o aliado durante sua fala. Em determinado momento, afirmou que, "se mudar um pouquinho a direção, a rota, o Brasil decola" e disse que "15 minutos de trabalho do Mansueto (Almeida) resolve a questão fiscal do Brasil", em referência ao economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida. O nome de Mansueto chegou a ser ventilado para integrar a equipe de Flávio.
Embora não tenha citado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a "economia brasileira demanda ajustes importantes e urgentes" e disse que o "prêmio de risco" do atual governo é semelhante ao observado durante a gestão de Dilma Rousseff (PT). Tarcísio é egresso dos governos de Dilma e Michel Temer (MDB).
Tarcísio ainda defendeu investimentos em grandes obras de infraestrutura e disse que a pulverização desses investimentos bilionários em municípios lhe renderia "um baita capital político" — e que, apesar disso, assumiu projetos estruturantes.
"Por isso que às vezes eu defendo o fim da reeleição. Quem tem a oportunidade de ter o mandato, tem que fazer o que precisa ser feito, independente do custo político, porque muitas vezes as pessoas não entendem o que você está fazendo", disse.