O que se sabe da relação de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, e o que diz o candidato

Candidato a presidente confirma amizade, mas diz que insinuações de irregularidades a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação"

22 out 2026 - 13h29
(atualizado às 14h18)
O advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) são amigos
O advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) são amigos
Foto: @WillerTomaz via X / Estadão

Às vésperas do segundo turno das eleições brasileiras, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou destaque, não só pela campanha e atos com apoiadores, mas pela relação polêmica com o empresário e advogado Willer Tomaz. Os dois são amigos e teriam conexões entre empresas e plataformas de bets, viagens e até endereços.

O outro ponto em comum entre ambos são as investigações, já que o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, envolvendo justamente o advogado, a quem descreve como amigo. 

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Willer, por sua vez, é alvo de outra apuração por possível envolvimento no desvio de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ainda há outro nome entre os dois, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por uma fraude bilionária. 

Flávio já confirmou ter uma relação de "amizade legítima" com Willer e disse que "qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos".

Como Willer passou a ser investigado

O empresário foi alvo da Operação Sem Desconto da Polícia Federal em agosto deste ano, que mira fraudes no INSS. Willer é suspeito de lavar dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também alvo da investigação. 

Os dois, inclusive, aparecem juntos em uma foto, com pelo menos deputados e senadores, dentro de uma piscina. A imagem foi revelada pela revista piauí. São eles: Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, Juscelino Filho (PSDB-MA), Elmar Nascimento (União-BA) e Paulo Azi (União-BA). O ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e os senadores Efraim Filho (União-PB) e Angelo Coronel (Republicanos-BA). 

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Willer Tomaz, ao centro, com punho erguido, ao lado de deputados e senadores em piscina de sua propriedade no entorno de Brasília
Foto: Reprodução/revista piauí / Estadão

Na época, o advogado e empresário repudiou a divulgação do material, registrado em 2023 durante evento particular em sua propriedade. Ele disse que a imagem foi “vazada ilegalmente do celular do Senador Weverton Rocha”, sem qualquer relação com sua atividade profissional ou com os fatos noticiados. Ele ainda reforçou que “jamais teve qualquer envolvimento” com os fatos apurados na operação.

Quando a relação de Flávio e Willer ganha notoriedade pública

É em setembro deste ano que o nome do senador Flávio Bolsonaro passa a figurar nas manchetes ao lado de Willer Tomaz. A mesma revista aponta que o candidato utilizou, durante a campanha eleitoral, um apartamento de propriedade da empresa do advogado. Antes de pertencer ao amigo, o apartamento foi propriedade de outro alvo da PF: Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

A época coincide com a data em que Willer foi alvo da operação da PF no caso do INSS. À revista piauí, Flávio afirmou que apenas hospedou-se em hotéis da região. Willer Tomaz, por sua vez, afirmou que não conhece Fabiano Zettel, nem Daniel Vorcaro e que "lamenta que adversários políticos tentem atacar, sem qualquer fundamento, suas atividades a fim de interferir no debate eleitoral".

Dias depois, outra bomba vem à tona: o candidato viajou da Flórida, nos EUA, a Brasília, em 19 de janeiro de 2025, em um avião que tinha entre os cotistas o banqueiro Daniel Vorcaro. O jato é o mesmo usado em outra viagem pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a revista piauí. O filho 01 de Bolsonaro se manifestou mais uma vez, dizendo que o avião que utilizou era de seu amigo Willer, e ignorou a relação do jato com Vorcaro. 

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A aeronave era operada pela empresa Prime You, que teve o banqueiro do Master no grupo societário entre 2021 e setembro de 2025, além de Willer e Laércio Cosentino, fundador da TOTVS.

Durante uma agenda no Rio de Janeiro, Flávio novamente declarou que a aeronave pertencia ao amigo, e disse que ele estava sendo perseguido pelo "aparelhamento do Estado montado por Lula". Além disso, afirmou que o advogado era "respeitadíssimo". 

Outra foto em que Willer aparece com Rocha complicou Flávio. Revelada pelo jornal O Globo, a imagem é de março de 2025, durante uma viagem à África do Sul. Nela, o filho de Bolsonaro está sorri ao lado dos amigos investigados no caso das fraudes do INSS. 

Fotografia de março de 2025, revelada pelo jornal O Globo, mostra Flávio Bolsonaro ao lado do senador Weverton Rocha e do advogado Willer Tomaz, ambos investigados no caso da fraude no INSS
Foto: Reprodução / Estadão

Segundo a piauí, a fotografia foi compartilhada em 10 de março em um grupo de WhatsApp chamado "África do Sul", formado pelos três e suas respectivas esposas. Em nota, Flávio ressaltou que a relação de amizade entre as famílias é legítima, e "qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos".

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As bets entram na jogada

Willer volta aos holofotes em 29 de setembro, quando uma nota técnica do Ministério da Fazenda, revelada pelo site UOL e também obtida pelo Estadão, apontam que ele fez o maior aporte de bets no Brasil em 2025. O empresário teria movimentado R$ 5 bilhões com casa de apostas no período e acumulado prejuízo de R$ 163 milhões somente em uma das plataformas. 

Ao Terra, porém, o advogado afirma, em nota, que os valores divulgados pelo site "não correspondem à realidade", mas não vai fazer nenhum comentário adicional por se tratar de um tema pessoal. 

Quase um mês depois, na última terça-feira, 20, a revista piauí afirma que Flávio é suspeito de manter uma sociedade oculta com a casa de apostas Best Bet. O esquema teria como base vínculos bancários do parlamentar com o amigo Willer. 

Advogado Willer Tomaz é investigado pela PF
Foto: Divulgação/Willer Tomaz Advogados Associados / Estadão

Segundo o veículo, as ligações do caso se iniciam em janeiro de 2023, quando o advogado criou a Cathedral Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. No mês seguinte, o grupo empresarial do advogado abriu, no Brasil, a Rede Loto Ltda., que passou a operar com o nome fantasia Best Bet.

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A Cathedral Holdings era a controladora formal da empresa de apostas. Em maio daquele ano, a Best Bet conseguiu autorização da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para explorar o mercado de apostas, em um cenário no qual a regulamentação federal das apostas ainda não estava plenamente estabelecida. A autorização permitiu que a Best Bet entrasse no mercado e começasse a explorar o negócio.

A reportagem também destaca a relação de Tomaz com o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e com Flávio Bolsonaro. O presidente da Loterj responsável pela autorização, Hazenclever Cançado, havia sido indicado ao cargo por Flávio, segundo informações citadas pela revista. 

No mesmo ano, Willer criou outra empresa na Ilha da Madeira, a Alcazar Holdings, que também tinha uma estrutura empresarial no Brasil. Conforme a reportagem, a Alcazar e a Cathedral, controladora da Best Bet, apresentavam o mesmo proprietário formal, Willer Tomaz, o mesmo administrador e o mesmo endereço em Portugal.

Os registros contábeis das duas companhias também indicavam movimentações financeiras que levantaram suspeitas sobre uma possível relação de financiamento entre elas. É nesse ponto que aparece o vínculo bancário com Flávio Bolsonaro. O senador estava cadastrado como usuário máster da conta da Alcazar no Santander, ao lado de Tomaz. Os dois eram os únicos usuários com esse nível de acesso.

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Flávio Bolsonaro (PL) durante ato de campanha em São Paulo neste domingo, 18
Foto: FELIPE MARQUES/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO / Estadão

A ligação entre as empresas e a conta bancária é central para a suspeita investigada pela PF, pois a Cathedral controlava formalmente a Best Bet, enquanto a Alcazar tinha vínculos societários e administrativos com a Cathedral. Flávio, por sua vez, tinha acesso privilegiado à conta da Alcazar junto com Tomaz. Essa sequência de relações levou os investigadores a apurar se o senador era um sócio oculto da casa de apostas.

Flávio foi excluído da condição de usuário máster da conta bancária em 22 de maio de 2025, após uma solicitação enviada ao Santander por uma funcionária de Willer. O senador negou a ligação e afirmou que "nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas".

Além do vínculo bancário, a PF teria identificado viagens conjuntas, uso de jatinhos e movimentações financeiras entre Flávio e Tomaz. Naquele período, o senador estava em Portugal com o empresário. Eles chegaram a viajar  com suas famílias para Nice, na França, em um jato contratado em nome da Cathedral, empresa controladora da Best Bet.

A saída de Flávio da conta ocorreu quatro meses depois de uma decisão do ministro André Mendonça, do STF, que restringiu a atuação da Best Bet ao território fluminense. A empresa havia perdido, assim, a possibilidade de operar nacionalmente e encerrou as atividades em meados de 2025. Flávio não se manifestou sobre o assunto. 

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Além de voos e negócios, Willer e Flávio dividem endereços

Segundo a Folha de S. Paulo divulgou nesta quinta, 22, os dois se aproximaram em 2019. Em julho de 2020, o filho de Bolsonaro visita pela primeira vez uma ilha em Angra dos Reis. O imóvel tem seus direitos de pessoas cedidos à WT Administração, do advogado, desde de 2022.  

Richarlison mostra documentos sobre ilha disputada com amigo de Flávio Bolsonaro: ‘Tá aí a prova’
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É este local que está no centro da disputa judicial entre o advogado e o jogador Richarlison. O atacante afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na propriedade e acusa o senador Flávio Bolsonaro e o amigo dele, Willer, de terem obtido a posse do imóvel sem lhe pagar o valor investido. 

Segundo relato anterior do jogador, a aquisição ocorreu durante a pandemia de covid-19, em uma parceria com Alencar da Silveira Júnior e Renato Velasco, ex-empresário do atacante. Em 2020, a mansão foi comprada pela Sport 70 Intermediação de Negócios Ltda., empresa ligada a Velasco.

Em 2022, uma decisão judicial transferiu a posse do imóvel à WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa ligada a Willer Tomaz. A disputa envolve também reivindicações de representantes dos espólios de antigos proprietários e questões relacionadas à documentação da área. No entanto, Flávio nega qualquer atuação irregular, enquanto o empresário sustenta que adquiriu o imóvel legalmente. 

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Fonte: Portal Terra
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