Justiça Eleitoral tem sistema de segurança que impede fraude na transmissão dos votos

A ASSINATURA DIGITAL É UM DOS MECANISMO QUE GARANTEM A INTEGRIDADE DOS VOTOS; ELEITORES PODEM FAZER CHECAGEM POR MEIO DO BOLETIM DE URNA

22 out 2026 - 14h40
Resumo
É falso que os votos possam ser alterados durante a transmissão ao TSE. O sistema eleitoral utiliza assinaturas digitais e resumos criptográficos que asseguram a autenticidade dos dados gerados pelas urnas. Como essas assinaturas são validadas em várias etapas do envio, qualquer modificação invalida os arquivos, provocando sua rejeição imediata antes da totalização e impedindo fraudes. Auditorias já confirmaram a total integridade dos boletins recebidos em relação aos resultados oficiais.

O que estão compartilhando: que seria possível alterar os votos da eleição no momento em que os arquivos de resultado são transmitidos dos cartórios eleitorais até a sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, para a totalização.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O sistema eletrônico de votação do Brasil conta com dezenas de camadas de proteção. Uma das medidas de segurança existentes é a assinatura digital, um recurso que garante a origem e a integridade dos arquivos de resultado gerados pelas urnas eletrônicas. De acordo com especialistas ouvidos pelo Estadão Verifica, no caminho até a totalização, a assinatura digital é conferida mais de uma vez. O sistema transportador, no computador que faz a transmissão, confere antes de enviar, e não transmite arquivo com assinatura inválida. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse não ser possível adulterar votos, nem com um software malicioso.

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Saiba mais: Quando encerrada a eleição, os resultados calculados pelas milhares de urnas eletrônicas - instaladas em todo País e no exterior - são salvos em uma espécie de pendrive. Essas mídias são levadas para cartórios locais ou pontos de transmissão da Justiça Eleitoral. De lá, os dados são enviados, por uma rede online própria, para a sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, onde são totalizados.

O autor de um vídeo que circula no WhatsApp sugere que, no decorrer dessa viagem até Brasília, seria possível alterar os votos apurados pela urna e fazer com que os dados adulterados fossem aceitos na totalização.

Para ilustrar a hipótese, ele afirma: "Se existem quatro votos Flávio e um voto Lula no disco da urna, o código de transmissão tem poder de editar a unidade para dois Flávio e três Lula". A explicação, porém, omite que a assinatura digital permite verificar a origem dos arquivos de resultados e identificar eventuais alterações em seu conteúdo.

Garantia da origem

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A urna eletrônica assina digitalmente seus arquivos de resultado quando o pleito se encerra. É como se ela inserisse uma espécie de "cadeado" exclusivo nos arquivos. A Justiça Eleitoral tem a chave de cada um dos milhares de cadeados únicos dos equipamentos eletrônicos oficiais de votação.

Como cada chave só abre um cadeado, isso garante que os dados são de votos computados por urnas eletrônicas legítimas.

Victor Zacarias, membro do grupo de extensão universitária em segurança da informação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IMEsec-USP), explica que, no final da votação, a urna assina digitalmente os arquivos de resultado com uma chave criptográfica própria, guardada no chip de segurança do equipamento e certificada pela Justiça Eleitoral. "A assinatura comprova que os dados foram gerados por uma urna oficial, e não por outro equipamento, e que não foram modificados depois: qualquer alteração, mesmo de um único voto, invalida a assinatura e faz o arquivo ser rejeitado", disse Zacarias.

Além do mais, a assinatura digital não se restringe aos arquivos de resultado. Ela é usada na proteção de dados que entram na urna - como as informações sobre eleitores, candidatos, configuração da eleição, entre outros-, e também é empregada para a proteção dos programas da urna eletrônica e dos demais sistemas eleitorais. "Dessa forma, garante-se que os dados e o software se mantêm íntegros e autênticos, ou seja, não foram alterados indevidamente", explicou o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).

Em 4 de setembro, ocorreu no TSE a cerimônia na qual os sistemas das Eleições Gerais de 2026 foram assinados e lacrados. Na ocasião, o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, explicou que, a partir daquele momento, as versões assinadas passaram a servir de referência para as próximas etapas de fiscalização. "As identificações únicas dos sistemas também são publicadas no Portal do TSE, permitindo verificar se os programas utilizados durante o processo eleitoral correspondem aos que foram inspecionados e lacrados", informou o tribunal. "Na cerimônia são assinados os programas, e a urna confere essas assinaturas toda vez que é ligada", explicou Zacarias, do IMEsec. Ele acrescentou que essa assinatura é diferente da feita no encerramento da eleição, quando a própria urna assina o que produziu: o boletim de urna (BU), o registro digital do voto (RDV) e o log. "Ela calcula um hash [saiba mais abaixo] SHA-512 de cada arquivo e o assina com a chave privada, que é gerada e fica guardada no módulo de segurança da urna, sem sair de lá."

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Garantia da integridade

A assinatura digital também garante a integridade do conteúdo assinado. No contexto das eleições, isso significa que caso alguém supostamente conseguisse adulterar o resultado de uma urna isso não passaria despercebido. Para entender como essa proteção funciona, é preciso conhecer o hash: uma espécie de resumo matemático do arquivo, utilizado no processo de assinatura.

Para se ater ao exemplo do autor do vídeo, imagine que o hash do resultado "quatro votos Flávio e um voto Lula" é 010111. Se alguém conseguisse alterar para "dois votos Flávio e três votos Lula" o hash seria recalculado e passaria a ter outro valor, por exemplo, 101000.

Ou seja, uma mudança no hash confirma que o conteúdo do arquivo foi alterado. Por isso, se alguém conseguisse adulterar o resultado de uma urna, como sugere o autor do vídeo, a assinatura digital original deixaria de ser válida. Ao identificar essa inconsistência, o sistema da Justiça Eleitoral recusaria o arquivo, impedindo seu uso na totalização dos votos.

"No TSE, o sistema de recebimento só aceita conexão de um Transportador autêntico e confere a assinatura de novo antes de gravar os votos", explica Zacarias. Ele diz que a Comissão Reguladora do Teste Público da Urna 2025 explicou que "qualquer arquivo alterado ou substituído durante o processo seria rejeitado antes de gravação no banco de dados, não comprometendo a totalização".

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Auditoria da transmissão

Um jeito de verificar uma suposta adulteração dos dados durante a transmissão dos votos é comparar o boletim de urna fixado na porta da seção eleitoral após o fim da eleição com os dados da totalização divulgados no site do TSE.

O IMEsec fez essa conferência com os arquivos públicos do 1º turno de 2026 de 2.530 urnas eletrônicas. A conclusão foi que em todas elas as assinaturas dos arquivos eram válidas e a cadeia de hashes do boletim estava íntegra.

Eles lembram que, na auditoria contratada pelo PSDB após o 2º turno de 2014, foram comparados 8.207 boletins impressos com a base do TSE.

"Nenhuma divergência apareceu, e os auditores concluíram que a transmissão e a totalização 'ocorreram sem sofrer adulteração capaz de inverter o resultado final'", diz a nota enviada ao Verifica. "Mesmo pesquisadores críticos de outros aspectos do sistema descrevem a transmissão e totalização como 'a fase mais transparente do processo eleitoral'".

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