É enganoso o boato de que o ex-delegado da PF Protógenes Queiroz se exilou na Suíça por denunciar fraudes em urnas eletrônicas. Suas alegações sobre as eleições de 2014 foram arquivadas por falta de provas e distorcidas após recente entrevista de sua ex-mulher, Roberta Luchsinger. Na realidade, Queiroz mudou-se após ser demitido da corporação e condenado à prisão pelo vazamento de dados da Operação Satiagraha, tendo inclusive ordem de prisão preventiva decretada pela Justiça Federal brasileira.
O que estão compartilhando: que ninguém está comentando a fala mais importante de Roberta Luchsinger na entrevista à CNN Brasil: seu ex-marido denunciou que urnas eletrônicas podem ser fraudadas e hoje é um exilado político.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Postagem recicla desinformação antiga para relacioná-la sem contexto à entrevista que a lobista Roberta Luchsinger concedeu à CNN Brasil, em 17 de outubro, na qual, entre outros assuntos, acusou Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, de tratar de negócios particulares com ministros do governo. Ela não apresentou provas das acusações.
Roberta disse na conversa com os repórteres que o pai de uma filha sua mora na Suíça, referindo-se ao ex-marido Protógenes Queiroz. Ex-deputado federal, Protógenes alegou ter detectado uma operação para fraudar as eleições de 2014. A denúncia, entretanto, foi arquivada por falta de evidências, como mostrou o Estadão Verifica. Este assunto não é mencionado na entrevista de Roberta, como sugere a postagem analisada. E também não tem relação com o motivo pelo qual Queiroz vive hoje na Suíça.
Saiba mais: Roberta ganhou protagonismo no atual cenário político do Brasil em dezembro de 2025, quando foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal na investigação relacionada aos desvios em aposentadorias e pensões do INSS.
As investigações apontaram que Roberta era amiga de Fábio Luis e recebia pagamentos do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. Roberta e Lulinha são investigados pela PF por tráfico de influência em negociações envolvendo órgãos do governo. A empresária não apresentou provas das denúncias que buscam ligar também o presidente Lula a supostas irregularidades.
O vídeo analisado pelo Verifica foi postado no Instagram e soma 197 mil curtidas, 37,2 mil compartilhamentos e 5,6 mil comentários. A entrevista de Roberta é um pretexto para reacender um tema recorrente em período eleitoral e envolto em desinformação e teorias conspiratórias: a confiabilidade das urnas eletrônicas. Este assunto não está presente no depoimento. A conexão é forçada pela referência de Roberta ao fato de ter uma filha morando na Suíça com o pai.
É o pretexto para o autor da postagem exibir trechos de uma entrevista de Protógenes Queiroz à Rede TV, em 8 de abril de 2017. Eleito deputado federal em 2010, ele disse na gravação que sua candidatura à reeleição em 2014 foi prejudicada por fraude nas urnas eletrônicas. Afirmou que fez uma investigação por conta própria e identificou um dos responsáveis, e alegou que irregularidades naquele pleito ocorreram também nas votações de governadores e da presidente eleita Dilma Rousseff (PT).
Nada disso foi comprovado, como mostrou a checagem do Verifica publicada em 26 de maio de 2021. O processo junto ao Ministério Público Federal foi arquivado. E não tem nenhuma relação com o episódio que levou Queiroz a sair do Brasil.
O então ex-deputado foi demitido da Polícia Federal por ordem do Ministério da Justiça, em outubro de 2015, devido a infrações disciplinares cometidas no comando da Operação Satiagraha, que chegou a prender duas vezes o banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity, em 2008. Alvo de uma ação criminal na Justiça Federal em São Paulo, Queiroz foi condenado a dois anos e seis meses de prisão por promover vazamento de dados da operação.
Em abril de 2016, ele solicitou asilo político à Suíça, onde vivia desde o ano anterior, alegando correr risco de vida no Brasil por investigar corruptos poderosos. A 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo decretou a prisão preventiva de Queiroz em abril de 2024, por suspeita de ter fugido do País para protelar o andamento da ação penal a que responde.
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