O ministro André Mendonça, relator do caso do INSS no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 21, que a Polícia Federal (PF) investigue novamente o vazamento de dados do inquérito que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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A decisão atende a um pedido da defesa de Lulinha, que anexou reportagens com uma série de mensagens trocadas entre ele e a lobista Roberta Luchsinger, também investigada no caso. O material divulgado está sob sigilo judicial.
Mendonça ressaltou que já havia determinado anteriormente que a PF apurasse a origem dos vazamentos e agora reforçou a ordem. Segundo o ministro, a investigação deve buscar identificar quem teve acesso às informações sigilosas e poderia ter violado o dever de mantê-las sob segredo.
“Desde o início das suspeitas de ocorrência dos primeiros vazamentos relacionados a dados sigilos determinei de maneira imediata que a Polícia Federal adotasse as medidas necessárias à apuração da origem dos supostos vazamentos ilícitos”, escreveu Mendonça.
O ministro também destacou que a apuração deve preservar o direito constitucional ao sigilo da fonte jornalística. Para Mendonça, a investigação não deve ter como alvo os profissionais de imprensa responsáveis pela publicação das informações de interesse público. A apuração, segundo o ministro, deve se concentrar naqueles que “teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram”.
Vazamento
Documentos da PF indicam que Lulinha tinha participação ativa num suposto esquema de tráfico de influência, mas era preservado pela lobista Roberta Luschsinger. "Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar", diz mensagem da lobista Roberta em novos detalhes da apuração da PF revelados pela revista Veja na quinta-feira, 20.
Segundo relatório da PF, Fábio Luís é citado em mensagens encontradas no celular de Roberta como o "beneficiário indireto" das negociações com empresários que tinham interesses em contratos do governo federal.
"As comunicações indicam que Fábio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome", diz o relatório.
Não há, no entanto, referência a negócios que o Lulinha e Roberta tenham efetivamente fechado com o governo federal. A defesa de Lulinha sustenta que ele tem sido investigado há anos e nunca foi encontrado nada que o desabonasse.
De acordo com a revista, a PF aponta que Roberta, Lulinha e Fernando Kalil, sócio do filho do presidente, atuavam de maneira combinada. Os três compartilhavam um grupo de Whatsapp chamado Musaranhos, onde Roberta era a musa, e Lulinha e Fernando os musos. Ali, eles trocavam mensagens sobre os negócios que tentavam emplacar junto ao governo federal.
Um deles envolve a tentativa de convencer o Ministério da Saúde a adquirir produto a base de canabidiol, um dos empresários beneficiados seria o Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". (*Com informações do Estadão)