Entenda os três inquéritos contra Lulinha por suspeita de tráfico de influência
Filho do presidente Lula é investigado pela PF em apurações que envolvem Ministério da Saúde, Dataprev e outros órgãos do governo federal; defesa de Lulinha nega irregularidades
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é alvo de três inquéritos no STF por suspeita de tráfico de influência junto ao governo federal. Conduzidas pela PF sob a relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, as apurações investigam a atuação de Lulinha e aliados em negócios envolvendo o Ministério da Saúde, a Dataprev e outros órgãos, em troca de vantagens financeiras e viagens. Sua defesa nega qualquer irregularidade e sustenta a ausência de provas contra o empresário.
Em cerca de nove meses de investigações, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, passou a ser alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações conduzidas pela Polícia Federal investigam suspeitas de tráfico de influência em negócios de aliados no no governo federal. Os casos envolvem o Ministério da Saúde, a Dataprev e outras estruturas da administração pública.
As três investigações foram abertas em momentos diferentes e estão distribuídas entre os gabinetes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino. Duas delas foram autorizadas por Mendonça e envolvem suspeitas relacionadas ao Ministério da Saúde e à Dataprev. A terceira, aberta por determinação de Dino, apura a possível atuação de aliados de Lulinha em negócios com outros órgãos do governo federal.
Suspeita de tráfico de influência no Ministério da Saúde
Uma das frentes de investigação apura se Lulinha teria usado sua proximidade com integrantes do governo para abrir portas no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto. A PF busca esclarecer se houve tentativa de comercializar acesso a autoridades públicas em troca de vantagens financeiras.
Lulinha afirmou ao STF que viajou a Portugal com despesas custeadas pelo empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo o documento apresentado pela defesa, a viagem estava relacionada à prospecção de um negócio envolvendo cannabis medicinal. A defesa de Lulinha, informou que ele nunca teve relação com o INSS e classificou as referências sobre o caso como "ilações".
A aproximação teria ocorrido por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Ela recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes e declarou ter prestado serviços de consultoria relacionados à regulamentação do mercado de cannabis medicinal no Brasil.
A PF também identificou mensagens que, segundo os investigadores, indicariam que Luchsinger se apresentava como alguém autorizada a atuar em nome de Lulinha nas tratativas com o governo. Em uma das conversas transcritas no inquérito, ela afirma: "Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio".
A investigação também alcançou uma proposta para fornecimento de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde. O negócio envolveria uma empresa ligada a Antunes e previa, segundo documentos revelados pelo Estadão, uma margem de lucro de 20% para o grupo envolvido.
O caso envolvendo a Dataprev
Outra investigação conduzida pela PF concentra-se na relação de Lulinha com um empresário do setor de tecnologia interessado em contratos e negócios com a Dataprev, empresa pública responsável por soluções de tecnologia para o governo federal.
Os investigadores levantam a hipótese de que o empresário tenha custeado pelo menos uma viagem de Lulinha e, posteriormente, buscado oportunidades comerciais junto à administração pública. A PF tenta determinar se houve alguma relação entre os benefícios recebidos e eventuais intermediações ou influência sobre agentes públicos.
A defesa de Lulinha disse que a investigação é uma "pesca probatória", informou que a Polícia Federal não encontrou nenhuma prova contra o filho do presidente e que ele não atuou para interceder em favor de ninguém no governo federal.
Terceiro inquérito mira outros negócios no governo
A terceira frente foi aberta por determinação do ministro Flávio Dino, do STF, e também investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e pessoas próximas a ele. O ministro ainda determinou a abertura de uma quarta investigação relacionada ao caso, mas para apurar o vazamento de informações sigilosas dos inquéritos.
Nesse caso, o foco está na atuação de aliados do filho do presidente em outros órgãos da administração federal. A PF busca identificar se houve tentativas de obter vantagens ou facilitar negócios privados a partir de relações com integrantes do governo.
A defesa de Lulinha pediu ao Ministério Público e à Corregedoria da PF a apuração sobre o suposto vazamento de conversas dele. "Queria reconhecer e aplaudir a decisão enérgica do ministro Flávio Dino de instaurar procedimentos apuratórios para averiguar as circunstâncias de vazamentos criminosos", afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende o filho do presidente.
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