Kassab descarta apoiar reeleição de Lula e mantém plano de candidatura própria do PSD

Mesmo com três ministérios no governo, presidente do partido diz que não apoiará a reeleição e tenta unificar a sigla em meio a divisões regionais

9 fev 2026 - 16h31

O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmou nesta segunda-feira, 9, que já comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que a sigla não apoiará sua candidatura à reeleição neste ano. Segundo Kassab, a decisão já foi apresentada diretamente ao petista em conversas anteriores.

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Kassab afirma que PSD terá candidato próprio e não apoiará Lula na disputa presidencial
Kassab afirma que PSD terá candidato próprio e não apoiará Lula na disputa presidencial
Foto: Werther Santana/Estadão e Wilton Junior/Estadão / Estadão

Apesar de o PSD comandar três ministérios no governo - Pesca, Minas e Energia e Agricultura -, Kassab já afirmou em algumas ocasiões que o PSD não integra formalmente a base governista. Segundo ele, as indicações para as pastas foram feitas por quadros do partido, sem compromisso político com o Planalto.

"Nunca fechamos questão em relação a nenhum tema, mas nós não vamos caminhar com ele (Lula). Eu entendo que nossa proposta é diferente", disse Kassab. "Tem o nosso respeito essa vontade dele, mas ele sabe, porque eu mesmo já disse a ele, que nós não caminharíamos juntos. Nós vamos ter o nosso caminho", afirmou o presidente do PSD em entrevista à GloboNews.

A declaração ocorre num momento em que o PSD já tem três nomes colocados para a disputa presidencial: os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Jr. (Paraná). Kassab tem reiterado que o partido não pretende integrar uma frente de apoio ao projeto de reeleição de Lula.

A estratégia nacional do PSD, no entanto, convive com divisões internas. Parte dos diretórios estaduais, especialmente no Nordeste, já sinalizou apoio à reeleição de Lula, mesmo diante da intenção do partido de lançar candidatura própria. Dirigentes reconhecem que, ainda que o PSD leve um nome ao primeiro turno, não há hoje unidade nacional em torno de um projeto presidencial único.

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Na sexta-feira, 6, em evento com o presidente Lula, na Bahia, o senador Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que o PSD apoiará a reeleição do presidente.

"O PSD da Bahia tem 115 prefeitos, mais de 50 vice-prefeitos, vários vereadores. Tem muito PSD aqui, eu não sei quantos vieram. Mas os que vieram aqui, sem dúvida nenhuma, e os que não estão aqui, podem levantar para dizer, nós estamos com o Lula", disse.

Kassab afirmou que a última conversa com Lula ocorreu durante um almoço, do qual participaram Otto e Antônio Preto, ex-deputado português do PSD. Segundo Kassab, o presidente convidou para o encontro os três ministros indicados pelo partido, além do senador Jaques Wagner (PT-BA) e da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. De acordo com ele, a reunião transcorreu de forma "muito respeitosa".

Também secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Kassab voltou a citar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como uma liderança nacional relevante na centro-direita. O governador já descartou concorrer ao Planalto em 2026 e tem reafirmado que buscará a reeleição em São Paulo.

O dirigente partidário explicou que sua preferência por Tarcísio se baseia no fato de ele ser chefe do Executivo paulista, o que lhe confere uma "presença nacional muito mais forte", o que garante uma "velocidade inicial" mais alta na corrida eleitoral.

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De acordo com ele, as pesquisas refletem essa diferença: enquanto Leite, Caiado e Ratinho aparecem com porcentuais entre 5% e 13%, em razão da menor visibilidade nacional, Tarcísio largaria em torno de 25%, o que classificou como um diferencial muito expressivo.

O líder do PSD ressalvou, no entanto, que o momento para uma candidatura presidencial do governador pode passar. "Ele é o melhor candidato, o mais bem preparado, governador de São Paulo, faz uma excelente gestão. E, muito possivelmente, o PSD é o único partido que está firme com ele desde o primeiro momento, seja como candidato a governador, seja como candidato a presidente", continuou Kassab. "É o melhor candidato sob todos os aspectos. Mas, não sendo, o tempo trabalha contra, é evidente."

Kassab afirmou que o partido trabalha com a premissa de que a candidatura presidencial do PSD será definida entre os três governadores da legenda, a partir de critérios como desempenho em pesquisas e viabilidade política. Segundo ele, a definição do nome e da eventual composição da chapa deve ficar para um momento mais adiante do calendário eleitoral.

O presidente do PSD disse ainda que o tempo de televisão deixou de ser um fator decisivo nas campanhas, o que permite ao partido considerar uma candidatura própria, inclusive sem alianças. Uma eventual composição com outras siglas, acrescentou, seria uma novidade para o partido.

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