Deputada que fez blackface na Alesp recebeu R$ 1,6 mil de fundo para pardos e mudou autodeclaração racial

Parlamentar se declarou parda nas eleições de 2022 e branca, em 2020, segundo dados da Justiça Eleitoral

20 mar 2026 - 13h33
Deputada do PL faz ‘blackface’ e cita Erika Hilton em discurso contra mulheres trans na Alesp
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A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) recebeu R$ 1.593,33 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) nas eleições de 2022 após se autodeclarar parda à Justiça Eleitoral, conforme consulta realizada pelo Terra nesta sexta-feira, 20.

Nesta semana, o nome da parlamentar chamou atenção após a parlamentar protagonizar um episódio com blackface na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O blackface é a prática teatral de atores que se coloriam com carvão para representar personagens negros de forma exagerada e vexatória.

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A informação da autodeclaração racial de Fabiana consta no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em uma primeira corrida eleitoral, em 2020, ela foi eleita vice-prefeita de Barrinha (SP) pelo Patriota. Na ocasião, declarou ser branca.

Dois anos depois, quando foi eleita por média deputada estadual em São Paulo pelo PL, declarou ser parda.

Fabiana Bolsonaro (PL) declarou ser parda à Justiça Federal
Fabiana Bolsonaro (PL) declarou ser parda à Justiça Federal
Foto: Reprodução/TSE
Em 2020, Fabiana Bolsonaro (PL) declarou ser branca
Foto: Reprodução/TSE

Blackface na Alesp

Na quarta-feira, 18, Fabiana se pintou de marrom durante discurso no plenário da Alesp ao criticar a presença de pessoas trans em espaços de representação política, especialmente a deputada federal Erika Hilton (PSOL).

Durante a fala, Fabiana defende que pessoas trans sejam respeitadas e critica o aumento de episódios de violência contra esta população. "Eu não quero que nenhum trans passe por nenhuma situação de preconceito. Não quero que nenhum trans seja assassinado por ser trans, nem seja discriminado por ser trans. Mas eu também não quero que nenhum trans tire o meu lugar. Cadê? Não é o meu lugar de fala? Eu sou mulher", disse.

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"Como que a gente vai cuidar da endometriose, do parto, da namentação, da menopausa se a pessoa não tem lugar de fala? Se eu sou branca e mesmo me pintando de negra, eu não posso cuidar das pessoas que sofrem o racismo por não saber na essência o que elas passaram. É exatamente isso que um trans não pode fazer comigo. Por que estão tentando tirar o espaço feminino?", cotinuou a parlamentar, já pintada de marrom. 

O que diz a deputada

Após críticas nas redes sociais, Fabiana afirmou ter utilizado a encenação como argumento para questionar identidade de gênero e, em entrevista à Pleno News, se defendeu das acusações de blackface.

"Não houve o blackface. O blackface é usado quando tem um teor de chacota, de tirar sarro da pessoa que tem a pele negra. E no meu caso foi uma analogia que eu usei, tanto que no início eu uso a expressão 'experimento social'. Então em nenhum momento isso foi uma blackface. Blackface é quando a pessoa se fantasia de 'nega maluca', desrespeitosamente, querendo menosprezar a pessoa por ser negra. Então aconteceu o oposto comigo, porque eu justamente quis elevar a pessoa negra mostrando o quanto a dor dela tem que ser olhada e o quanto eu não posso falar pela dor dela porque eu nunca senti. Uma dor que não deveria existir na nossa sociedade, a dor do racismo", explicou a deputada.

O episódio motivou a apresentação de uma representação no Conselho de Ética da Alesp, assinada por 18 deputados estaduais, que pedem a apuração por quebra de decoro parlamentar, com possibilidade de cassação do mandato. Além disso, parlamentares do PSOL registraram ações no Ministério Público Federal e na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), apontando possíveis crimes de racismo e transfobia.

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Deputada Fabiana Bolsonaro (PL) fez blackface em sessão na Alesp
Foto: Reprodução/Alesp

Quem é Fabiana Bolsonaro

Apesar do sobrenome, Fabiana Bolsonaro não tem parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Seu nome é Fabiana de Lima Barroso, e ela adotou o "Bolsonaro" por afinidade ideológica. Segundo registros eleitorais, ela se declarou branca em uma candidatura anterior, em 2020, e parda em 2022, o que permitiu o acesso a recursos destinados a candidaturas negras. A regra é prevista pela Justiça Eleitoral com base na autodeclaração racial.

Fonte: Portal Terra
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