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Experimento social ou racismo? Performance da deputada Fabiana Bolsonaro com tinta preta gera polêmica

Ao usar tinta preta na tribuna para questionar privilégios, parlamentar de SP recebe críticas por prática de blackface e contesta presença de mulheres trans na política

18 mar 2026 - 16h12
(atualizado às 16h27)
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A deputada do PL de São Paulo, Fabiana Bolsonaro, gerou polêmica ao subir na tribuna da Assembleia Legislativa de SP (Alesp) e utilizar tinta preta no corpo. Segundo ela, o objetivo era fazer um 'experimento social'. Ao se maquiar, ela inicia o discurso dizendo: "Eu tive os privilégios de uma mulher branca".

Fabiana Bolsonaro faz discurso enquanto se pinta com tinta preta para criticar a deputada federal Erika Hilton
Fabiana Bolsonaro faz discurso enquanto se pinta com tinta preta para criticar a deputada federal Erika Hilton
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

Em seguida, lança a pergunta: "Eu quero saber o seguinte: eu sendo uma pessoa branca, em todo o decorrer da minha vida, vivendo tudo o que vivi como pessoa branca... Se agora, aos 32 anos, decido me maquiar como uma pessoa negra, eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra -  que jamais deveria existir?"

Fabiana Bolsonaro critica Érika Hilton

No final do discurso, ela mostra que usou a situação para criticar o fato da deputada federal Erika Hilton se tornar presidente da Comissão da Mulher. "Me entristece, pois estão tirando o espaço", afirma. "Crie a sua categoria, a comunidade da mulher trans", reclama.

O momento pode ser visto abaixo, aproximadamente, aos 51 minutos do vídeo.

Reações à fala

O discurso gerou comentários nas redes sociais pelo fato de fazer alusão a um ato racista: O blackface. Trata-se de uma prática com raízes profundas, datando de pelo menos 200 anos, com início estimado por volta de 1830 em Nova York. No entanto, é fundamental compreender que essa tradição nunca foi apenas sobre a pintura da pele; tratava-se de uma ferramenta de segregação e desumanização.

Durante o século 19, atores brancos utilizavam tinta para escurecer os rostos em espetáculos humorísticos, adotando comportamentos exagerados e caricatos para reforçar estereótipos negativos que a branquitude associava à população negra. Além das expressões corporais, a ridicularização dos sotaques era uma peça central dessas performances, criadas especificamente para o entretenimento de plateias brancas nos Estados Unidos e na Europa.

Essa prática não ficou restrita aos palcos antigos. Programas de televisão, como os exibidos pela BBC, mantiveram shows com atores pintados de preto por décadas, com produções sendo encerradas apenas em 1978. O blackface serviu, historicamente, para consolidar preconceitos e retirar a dignidade de pessoas negras sob o pretexto do humor.

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O deputado estadual Carlos Giannazi (Psol-SP) repudiou a ação: "O que aconteceu hoje no plenário da ALESP é uma afronta brutal à dignidade humana e à própria democracia. Em sessão ao vivo, a deputada Fabiana Bolsonaro protagonizou um episódio inaceitável e criminoso de racismo e transfobia. A prática de blackface carrega um histórico violento de humilhação e desumanização da população negra. Ao mesmo tempo, suas falas transfóbicas atacam diretamente a existência e os direitos da população trans. Não há qualquer margem para relativização".

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Um post compartilhado por Prof. Carlos Giannazi (@carlosgiannazioficial)

* Em atualização 

Perfil Brasil
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