A operação que levou à prisão dos MCs Ryan SP e Poze do Rodo e desarticulou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro começou a partir do backup do iCloud, da Apple, do contador Rodrigo Morgado, alvo de outra ação da Polícia Federal.
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Os arquivos analisados pela PF foram obtidos durante a operação Narco Bet, deflagrada em outubro de 2025, derivada da Narco Vela, realizada em abril do mesmo ano.
O esquema de lavagem de dinheiro, segundo a PF, movimentou ao longo de dois anos cerca de R$ 1,6 bilhão, por meio de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, empresas de fachada, laranjas, criptomoedas e remessas para o exterior.
Conforme o relatório da Justiça obtido pela Terra, a investigação encontrou nos dados da nuvem sinais da existência de “organização criminosa autônoma e dissociada”, dedicada à lavagem de dinheiro em escala bilionária, com remessas em espécie, transferências bancárias e criptoativos.
“As análises revelaram, ainda, uma dinâmica operacional coordenada entre os envolvidos, com indícios consistentes de práticas típicas de branqueamento de capitais e de um sistema paralelo de movimentação financeira”, aponta a Justiça Federal.
Inclusive, Morgado foi apontado como contador e operador chave do grupo, articulando transferências bancárias, prestando auxílio direto aos investigados no processo de “proteção patrimonial” de Mc Ryan e de serviços de gerenciamento financeiro.
Essa investigação mais recente culminou no cumprimento de 33 mandados de prisão temporária, além de outros 45 de busca e apreensão. Além dos MCs Poze do Rodo e Ryan SP, também foram presos o casal Chrys Dias e Débora Paixão, e o influenciador e criador da página de redes sociais Choquei, Raphael Sousa Oliveira.
Foram apreendidos R$ 20 milhões em veículos de luxo, nos modelos da marca Land Rover, um da Porsche, dois da BMW e um da Ferrari, além de outros. Também foram confiscados pelas autoridades relógios de marca, dinheiro em espécie, documentos, armas e equipamentos eletrônicos. Além disso, a ação teve a autorização judicial para o bloqueio de R$ 1,6 bilhão.
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Federal, Ryan e Poze eram usados na propaganda de empresas de apostas e rifas ilegais, que faziam parte do esquema criminoso alvo da Operação Narco Fluxo.
“Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”, explicou, Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo.
Ainda, segundo o delegado, a operação da PF seguiu o ‘caminho’ do dinheiro lavado que, na ponta, ressaltava-se no patrimônio das figuras públicas na forma de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”.
Toda a estrutura era facilitada com o uso de processadoras de pagamento, empresas com as quais os criminosos conseguiam movimentar grandes valores e, através delas, avançar às fases finais do esquema, como a descentralização dos recursos, uso de contas de passagens e laranjas, para dificultar o rastreio.
O delegado explicou, ainda, que parte do dinheiro lavado era oriundo do tráfico de drogas: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.
Procuradas, as defesas de Ryan e Poze não se manifestaram até o momento. Ao Terra, o advogado de Raphael Sousa só mencionou que a PF localizou pagamentos de R$ 270 mil em publicidade de MC Ryan SP para dono da Choquei. As demais defesas não foram localizadas até o momento.