Como apostas e rifas eram usados em esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo MCs e influenciadores
Esquema movimentou R$1,6 bilhão em lavagem de dinheiro
A Polícia Federal investiga um esquema de lavagem de dinheiro que incluía valores ilícitos oriundos do tráfico de drogas, envolvendo MCs e influenciadores. Uma operação foi realizada nesta quarta-feira, 15, que culminou na prisão dos cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, além do influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador das páginas de redes sociais Choquei.
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Segundo a Polícia Federal, Ryan e Poze eram usados na propaganda de empresas de apostas e rifas ilegais, que faziam parte do esquema criminoso alvo da Operação Narco Fluxo.
“Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”, explicou, Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo.
“Essas pessoas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, diz Maceiras.
Como a polícia chegou aos suspeitos?
Ainda, segundo o delegado, a operação da PF seguiu o ‘caminho’ do dinheiro lavado que, na ponta, ressaltava-se no patrimônio das figuras públicas na forma de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”.
Toda a estrutura era facilitada com o uso de processadoras de pagamento, empresas com as quais os criminosos conseguiam movimentar grandes valores e, através delas, avançar às fases finais do esquema, como a descentralização dos recursos, uso de contas de passagens e laranjas, para dificultar o rastreio.
O delegado explicou, ainda, que parte do dinheiro lavado era oriundo do tráfico de drogas: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.
O que foi apreendido
Ao todo, foram cumpridos 33 dos 37 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão. A ação teve a autorização judicial para o bloqueio de R$ 1,6 bilhão.
Conforme a PF, R$ 20 milhões em veículos foram apreendidos, entre modelos da marca Land Rover, um da Porsche, dois da BMW e um da Ferrari, além de outros. Também foram confiscados pelas autoridades relógios de marca, dinheiro em espécie, documentos, armas e equipamentos eletrônicos.
Entre os presos
MC Ryan SP, foi capturado em um apartamento na Riviera de São Lourenço, bairro de luxo localizado em Bertioga, no litoral de São Paulo, durante uma festa. A defesa dele não foi localizada até o momento.
Já Poze do Rodo foi preso em sua casa, que fica em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. À TV Globo, os advogados afirmaram que desconhecem o teor dos autos e também do mandado de prisão, mas que vão se manifestar assim que tiverem as informações. Ainda, segundo o parecer, será pedida a liberdade do cantor e os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.
Enquanto isso, Raphael Sousa foi preso em uma casa num condomínio de luxo em Goiânia (GO). À TV Anhanguera, o advogado Frederico Moreira afirmou que o dono da página não tem qualquer relação com os demais investigados na ação.
Segundo Moreira, Raphael nem sequer conhece pessoalmente ou já conversou por aplicativos de mensagem ou qualquer outro meio de comunicação com Poze do Rodo. “A única relação que ele já teve foi estritamente profissional, no sentido de promover o trabalho artístico e de influenciador do MC Ryan”, alegou ao explicar que vai entrar com pedido de soltura junto à Justiça.



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