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Polícia

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Clube e pousada no RJ tomados pelo Comando Vermelho para lavar dinheiro são alvos de operação

Facção criminosa teria movimentado mais de R$ 11 milhões; mandados são cumpridos na capital fluminense e na Região dos Lagos

4 ago 2026 - 08h37
(atualizado às 09h34)
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Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), com apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), realizam nesta terça-feira, 4, a Operação Quimera
Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), com apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), realizam nesta terça-feira, 4, a Operação Quimera
Foto: Diego Reis/Governo do Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), com apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), realizam nesta terça-feira, 4, a Operação Quimera, que mira uma estrutura que usa um clube recreativo e uma pousada para lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV).

Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense e na Região dos Lagos. Entre os alvos, estão um clube na Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ) e uma pousada em Armação dos Búzios (RJ)

Também foi pedido a à Justiça o bloqueio de valores e ativos financeiros, a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal das pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Denúncias de ameaças

Segundo a Polícia, a investigação começou após dirigentes de um clube denunciarem que vinham sendo ameaçados para abandonar a administração da entidade e entregar o controle do espaço a pessoas ligadas ao tráfico de drogas.

"As diligências apontaram que as ameaças eram determinadas pela liderança do tráfico local. Além da tentativa de assumir o controle do estabelecimento, o grupo exigia o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir que o clube continuasse funcionando sem sofrer represálias", diz a PCERJ.

Com as apurações, foram identificados indícios de um esquema semelhante em outro clube recreativo, principal alvo da operação. Conforme as investigações, pessoas de confiança da organização criminosa teriam assumido, de forma informal, a administração do local. O grupo criminoso controlava eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem vínculo jurídico ou estatutário com a instituição.

Funções da gestão financeira

Os investigadores também identificaram um núcleo familiar responsável pela gestão financeira paralela do clube. Eles eram divididos nas seguintes funções:

  • um dos alvos seria o principal operador financeiro da organização;
  • a segunda investigada atuava na administração paralela do clube;
  • um terceiro exercia funções de gestão, tendo movimentado R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, mesmo sem ter atividade empresarial formal compatível;
  • outro investigado realizou cerca de 40 transferências via Pix, que totalizaram R$ 240 mil. O suspeito também tem 20 procedimentos policiais, muitos relacionados a roubos de carga;
  • uma quinta investigada movimentou cerca de R$ 2,2 milhões em seis meses, embora declarasse trabalhar como recepcionista, com renda aproximada de R$ 3,2 mil. No mesmo período, ela recebeu cerca de R$ 253 mil de um dos alvos, em seis transferências.

"A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) revelou movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada dos investigados, além de intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas, por meio de transferências bancárias, depósitos em espécie e operações fracionadas via Pix", destacou a PCERJ.

Pousada em Armação dos Búzios

De acordo com a polícia, a pousada que pode ter sido utilizada para lavar dinheiro do tráfico de drogas é de porte pequeno, tem 16 quartos, cinco funcionários e diárias de cerca de R$ 540 na alta temporada. 

Embora tenha essa estrutura, em pouco mais de seis meses, movimentou cerca de R$ 3,44 milhões e registrou mais de 600 depósitos em espécie, que somaram em torno de R$ 955 mil.

Mais de R$ 11 milhões movimentados

A investigação aponta ainda que o esquema usava pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos, dificultar o rastreamento patrimonial e reinserir valores provenientes do tráfico de drogas na economia formal.

Somadas, as movimentações identificadas ultrapassam R$ 11 milhões e apresentam características típicas de ocultação patrimonial, pulverização de recursos e lavagem de dinheiro.

A Operação Quimera, deflagrada hoje, integra a Operação Contenção, ofensiva estratégica do Governo do Estado para conter o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho.

Fonte: Portal Terra
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