As redes sociais com milhões de seguidores de nomes como MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, do casal Chrys Dias e Débora Paixão, além do perfil Choquei, se tornaram terreno fértil para a proliferação de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou, ao longo de dois anos, cerca de R$ 1,6 bilhão, de acordo com a Polícia Federal.
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Os influenciadores foram alvos da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela PF na manhã desta quarta-feira, 15, e que culminou no cumprimento de 33 mandados de prisão preventiva, além de outros 45 de busca e apreensão.
Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo, explicou a função dos influenciadores no esquema criminoso: “Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”.
“Eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, complementou Maceiras.
A decisão que autorizou a operação, assinada pelo juiz Roberto Lemos dos Santos Filho da 5ª Vara Federal de Santos, aprofunda a atuação dos influenciadores na 'engrenagem'.
Segundo a Justiça Federal, Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, é apontado como líder e beneficiário econômico do esquema. Ao funkeiro, é atribuído o uso de empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para mesclar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.
MC Ryan teria estruturado ‘mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias a familiares e pessoas interpostas, utilizando operadores financeiros para distanciar o capital ilícito de sua pessoa física antes de reinseri-lo na economia formal mediante aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos’.
O casal de influenciadores Chrystian Mateus Dias Ramos e Débora Vitoria Paixão Ramos aparecem no esquema como financiadores do sistema criminoso. Eles são investigados por transferirem recursos provenientes de rifas digitais para empresas ligadas a MC Ryan.
Raphael Sousa Oliveira, o criador da página Choquei, figuraria no campo da gestão de imagem e promoção digital. Segundo a Justiça, ele atua como operador de mídia da organização, recebendo altos valores de Ryan e outros investigados pela divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações.
Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, e Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305, aparecem ligados a empresas estruturas financeiras relacionadas à circulação de recursos oriundos de rifas digitais e apostas.
A atuação coordenada dos citados, além de outros investigados pela Polícia Federal, teria ocorrido em diferentes etapas do ciclo de lavagem de dinheiro, como captação de recursos ilícitos, estratificação por meio de empresas e contas intermediárias e posterior integração em patrimônio lícito, esquema que tem MC Ryan como beneficiário central.
A Justiça destaca, ainda, que a estrutura empresarial e rede de operadores do cantor viabilizam a circulação e ocultação de valores provenientes da exploração sistemática de apostas ilegais e rifas digitais, tanto em escala nacional quanto internacional.
O Terra tenta contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto para manifestação.