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Produtora musical de MC Ryan, relevante no cenário do funk, é alvo da PF

Polícia federal determinou bloqueio bancário e de criptoativos da empresa em meio a Operação Narco Fluxo, deflagrada nesta quarta, 15

15 abr 2026 - 16h39
(atualizado às 17h12)
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A produtora de MC Ryan conta com 1,2 milhão de seguidores no Instagram
A produtora de MC Ryan conta com 1,2 milhão de seguidores no Instagram
Foto: Reprodução/Instagram/@bololorecord

A Bololô Records, produtora e selo fonográfico fundada por MC Ryan SP, foi alvo da Polícia Federal nesta quarta-feira, 15, em meio à Operação Narco Fluxo. Segundo informações que o Terra teve acesso, a empresa teve o bloqueio de bens determinado, assim como de criptoativos. A reportagem entrou em contato com a empresa em busca de uma manifestação -- o espaço segue aberto e será atualizado em caso de resposta.

A produtora é de relevância no cenário do funk, trabalhando com artistas como MC Meno K, Japa NK, e mais recentemente contratou também o MC Brinquedo. Entre eles, o Japa se manifestou publicamente nos stories de seu perfil do Instagram sobre o caso: "Força paixão MC Ryan SP, já deu tudo certo mano, Deus é contigo. Já acordei com essa notícia ruim". 

MC Ryan SP foi um dos presos na operação. Ele foi capturado em um apartamento na Riviera de São Lourenço, bairro de luxo localizado em Bertioga, no litoral de São Paulo, durante uma festa. Ryan usaria seus 15 milhões de seguidores para justificar seu patrimônio e neutralizar alertas de compliance, segundo as investigações.

Ao todo, 77 pessoas físicas e jurídicas foram indiciadas. Nessa listagem consta a Bololô Records Ltda e o Bololô Restaurant & Bar Ltda -- esse último, empreendimento também de MC Ryan localizado em São Paulo, capital.

Além de Ryan, o Poze do Rodo também foi preso. Ele estava em sua casa no momento da captura, que fica em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Outro detido foi o o influenciador Raphael Sousa Oliveira, dono da página 'Choquei', que foi capturado em Goiânia (GO).

O Terra entrou em contato com a defesa de MC Poze do Rodo, mas não teve retorno. À TV Globo, os advogados afirmaram que desconhecem o teor dos autos e também do mandado de prisão, mas que vão se manifestar assim que tiverem as informações. Ainda segundo o parecer, será pedida a liberdade do cantor e os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.  A defesa de MC Ryan SP e de Raphael Sousa não foram localizadas até o momento.

MC Ryan SP celebrou 1º lugar no Spotify três dias antes de prisão: ‘Artista mais ouvido do Brasil’:

Mais sobre a investigação

A operação desta quarta tem o objetivo de desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilícita de dinheiro e criptoativos no Brasil e no exterior. A ação é um desdobramento da Narco Bet, deflagrada no fim de 2025, que mirou estrutura de lavagem de dinheiro oriundo de atividades que vão do tráfico de drogas, operações de bets ilegais e rifas ilegais. 

Ao todo, foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão, além de 45 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), nas cidades da capital paulista, em Santos, Guarujá, Praia Grande, São Bernardo do Campo e Campinas, entre outros no estado; além de municípios do Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

Nos endereços, foram apreendidos R$ 20 milhões em carros de luxo, relógios de marca, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos.

Além dos mandados, a Justiça determinou o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias para interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento. O bloqueio de valores autorizado é de R$ 1,6 bilhão, correspondente ao montante movimentado em menos de 24 meses. 

Operação da PF contra MCs apreende carros de luxo, relógios de grife e dinheiro em espécie:

Como funcionava o esquema

À imprensa, Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo, explicou a função dos influenciadores no esquema criminoso: “Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção” 

“Essas pessoas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, diz Maceiras. 

O delegado destaca que a operação da PF seguiu o ‘caminho’ do dinheiro lavado que, na ponta, se ressaltava no patrimônio das figuras públicas na forma de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”. 

O esquema de lavagem, segundo Maceiras, era facilitado com o uso de processadoras de pagamento, empresas com as quais os criminosos conseguiam movimentar grandes valores e, através delas, avançar às fases finais do esquema, como a descentralização dos recursos, uso de contas de passagens e laranjas, para dificultar o rastreio. 

O delegado explicou, ainda, que parte do dinheiro lavado era oriundo do tráfico de drogas: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.

MC Ryan SP e Poze do Rodo são presos em operação da PF contra lavagem de dinheiro:

 

Fonte: Portal Terra
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