PF apreendeu R$20 milhões em veículos de luxo em operação contra MC Ryan SP e Poze do Rodo
Operação investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal apreendeu, nesta quarta-feira, 15, R$ 20 milhões em veículos de luxo durante a operação que investiga um esquema de mais de R$ 1,6 bilhão de lavagem de dinheiro que incluía valores ilícitos oriundos do tráfico de drogas.
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Durante a ação, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 33 de prisão preventiva. Entre os presos estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do influenciador e criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira. Cinco pessoas são consideradas foragidas.
Conforme a PF, os veículos apreendidos são um modelo da marca Land Rover, um da Porsche, dois da BMW e um da Ferrari, além de outros. Também foram confiscados pelas autoridades relógios de marca, dinheiro em espécie, documentos, armas e equipamentos eletrônicos. Além disso, a ação teve a autorização judicial para o bloqueio de R$ 1,6 bilhão.
Como funcionava o esquema
À imprensa, Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo, explicou a função dos influenciadores no esquema criminoso: “Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”
“Essas pessoas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, diz Maceiras.
O delegado destaca que a operação da PF seguiu o ‘caminho’ do dinheiro lavado que, na ponta, se ressaltava no patrimônio das figuras públicas na forma de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”.
O esquema de lavagem, segundo Maceiras, era facilitado com o uso de processadoras de pagamento, empresas com as quais os criminosos conseguiam movimentar grandes valores e, através delas, avançar às fases finais do esquema, como a descentralização dos recursos, uso de contas de passagens e laranjas, para dificultar o rastreio.
O delegado explicou, ainda, que parte do dinheiro lavado era oriundo do tráfico de drogas: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.
Os presos
MC Ryan SP, que foi capturado em um apartamento na Riviera de São Lourenço, bairro de luxo localizado em Bertioga, no litoral de São Paulo, durante uma festa. A defesa dele não foi localizada até o momento.
Já Poze do Rodo foi preso em sua casa, que fica em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. À TV Globo, os advogados afirmaram que desconhecem o teor dos autos e também do mandado de prisão, mas que vão se manifestar assim que tiverem as informações. Ainda segundo o parecer, será pedida a liberdade do cantor e os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.
Enquanto isso, Raphael Sousa foi preso em uma casa num condomínio de luxo em Goiânia (GO). À TV Anhanguera, o advogado Frederico Moreira afirmou que o dono da página não tem qualquer relação com os demais investigados na ação.
Segundo Moreira, Raphael nem sequer conhece pessoalmente ou já conversou por aplicativos de mensagem ou qualquer outro meio de comunicação com Poze do Rodo. “A única relação que ele já teve foi estritamente profissional, no sentido de promover o trabalho artístico e de influenciador do MC Ryan”, alegou ao explicar que vai entrar com pedido de soltura junto à Justiça.



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