MC Ryan SP e Poze do Rodo são presos em operação da PF sobre esquema de R$ 1,6 bi de lavagem de dinheiro

Suspeita é a de que eles usavam a indústria fonográfica para realizar as movimentações ilícitas

15 abr 2026 - 07h30
(atualizado às 13h27)
MC Ryan SP e Poze do Rodo são presos em operação da PF contra lavagem de dinheiro
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A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira, 15, MC Ryan SP e Poze do Rodo durante uma megaoperação que investiga um esquema de mais de R$ 1,6 bilhão de lavagem de dinheiro. Enquanto Ryan foi capturado em uma festa no bairro de luxo da Riviera de São Lourenço, em Bertioga (SP), Poze foi encontrado no Recreio, no Rio de Janeiro. As informações sobre as prisões são da TV Globo.

A Operação Narco Fluxo tem o objetivo de desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilícita de dinheiro e criptoativos no Brasil e no exterior. A ação é um desdobramento da Narco Bet, deflagrada no fim de 2025, que mirou estrutura de lavagem de dinheiro oriundo de atividades que vão do tráfico de drogas, operações de bets ilegais e rifas ilegais. 

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Segundo a TV Globo, investigação aponta que a organização opera por meio do aluguel de CPFs e da utilização de interpostos para ocultar a origem dos fundos.

MC Ryan SP e Poze do Rodo são presos em operação da PF sobre esquema de R$ 1,6 bi de lavagem de dinheiro
MC Ryan SP e Poze do Rodo são presos em operação da PF sobre esquema de R$ 1,6 bi de lavagem de dinheiro
Foto: Reprodução/imcryansp/Instagram

Ryan usaria seus 15 milhões de seguidores para justificar seu patrimônio e neutralizar alertas de compliance, segundo as investigações. No esquema, a suspeita é que ele utilizaria a indústria fonográfica e o show business digital para ocultar a dissimular os valores. 

Além disso, a ação também envolveria operações financeiras de alto valor, transporte em espécie e transações com criptoativos.

Ao todo, são cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), nas cidades da capital paulista, em Santos, Guarujá, Praia Grande, São Bernardo do Campo e Campinas, entre outros no estado; além de municípios do Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

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Nos endereços, foram apreendidos 20 milhões em carros de luxo, relógios de marca, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos.

Além dos mandados, a Justiça determinou o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias para interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento. O bloqueio de valores autorizado é de R$ 1,6 bilhão, correspondente ao montante movimentado em menos de 24 meses. 

Como funcionava o esquema

À imprensa, Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo, explicou a função dos influenciadores no esquema criminoso: “Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção” 

“Essas pessoas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, diz Maceiras. 

O delegado destaca que a operação da PF seguiu o ‘caminho’ do dinheiro lavado que, na ponta, se ressaltava no patrimônio das figuras públicas na forma de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”. 

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O esquema de lavagem, segundo Maceiras, era facilitado com o uso de processadoras de pagamento, empresas com as quais os criminosos conseguiam movimentar grandes valores e, através delas, avançar às fases finais do esquema, como a descentralização dos recursos, uso de contas de passagens e laranjas, para dificultar o rastreio. 

O delegado explicou, ainda, que parte do dinheiro lavado era oriundo do tráfico de drogas: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.

O Terra entrou em contato com a defesa de MC Poze do Rodo, mas não teve retorno. À TV Globo, os advogados afirmaram que desconhecem o teor dos autos e também do mandado de prisão, mas que vão se manifestar assim que tiverem as informações. Ainda segundo o parecer, será pedida a liberdade do cantor e os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário. 

A defesa de MC Ryan SP não foi localizada até o momento. 

Carros de luxo também foram apreendidos
Foto: Divulgação/Polícia Federal
Fonte: Portal Terra
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